O governo do Acre anunciou que vai acionar judicialmente a construtora responsável pela ponte que desabou em Sena Madureira, no interior do estado, deixando ao menos quatro pessoas feridas. A estrutura de mais de 230 metros de extensão colapsou na noite de sexta-feira, apenas um dia após ser interditada por problemas estruturais identificados por técnicos do Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre).
A obra havia sido inaugurada em dezembro de 2023 e custou R$ 36 milhões aos cofres públicos. Construída sobre o Rio Iaco, a ponte demorou mais de dois anos para ser concluída e possuía duas pistas para o tráfego de veículos. O recebimento definitivo da obra ocorreu em janeiro de 2024, conforme informou a administração estadual.
o governo do Acre sustenta que a empresa executora tem responsabilidade integral pelo projeto e pela execução da ponte. A Procuradoria-Geral do Estado (PGE) já foi acionada para preparar a ação judicial, com base no artigo 618 do Código Civil, que estabelece que o empreiteiro responde pela solidez e segurança da obra pelo prazo de cinco anos.
A nota oficial divulgada pelo governo destaca que a construtora possui vasta experiência em construção de pontes na região amazônica. O texto afirma que, por essa razão, era esperado que os projetos contemplassem soluções técnicas para o fenômeno das terras caídas, comum na região, como forma de garantir a segurança da estrutura a longo prazo.
Vídeos que circularam nas redes sociais mostram o momento do resgate das vítimas por populares e equipes de socorro. Os feridos foram encaminhados a um hospital da região, e um deles permanece em estado grave. As imagens revelam a extensão do colapso e o desespero de quem presenciou a queda da estrutura sobre o leito do rio.
A interdição da ponte havia ocorrido na quinta-feira, quando equipes do Deracre identificaram falhas estruturais que comprometiam a segurança do tráfego. Menos de 48 horas depois, a estrutura veio abaixo, levantando questionamentos sobre a gravidade dos problemas já detectados e a rapidez das medidas preventivas adotadas.
A ponte de Sena Madureira representava um investimento significativo para a infraestrutura do Acre, estado que sofre historicamente com dificuldades de conectividade terrestre. Sua queda representa um duro golpe para a mobilidade local e reacende o debate sobre a qualidade das obras públicas na região Norte do Brasil, onde as condições climáticas e geológicas exigem cuidados técnicos redobrados.
O governo do Acre não divulgou o nome da construtora até o fechamento desta reportagem. A expectativa é que a ação judicial seja protocolada nos próximos dias, com pedido de ressarcimento integral dos danos causados ao patrimônio público e indenização às vítimas do desabamento.