Planalto trava jogo de xadrez com governo dos EUA sob interferência do clã Bolsonaro

Ilustração editorial sobre Planalto trava jogo de xadrez com governo dos EUA sob interferência do clã Bolsonaro. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

Integrantes do Palácio do Planalto avaliam que a relação com o governo dos Estados Unidos se transformou em um autêntico jogo de xadrez, no qual cada movimento exige análise minuciosa antes de qualquer reação. A analogia tem sido repetida nos bastidores por um dos principais assessores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na área internacional para descrever a dinâmica de ganha e perde com a atual administração americana.

A relação, já naturalmente tensa por diferenças ideológicas entre Lula e o governo dos EUA, ganhou um ingrediente adicional e permanente: a presença constante de membros da família Bolsonaro, que atuam para interferir nas negociações entre os dois governos. Auxiliares presidenciais relatam que o clã bolsonarista opera como uma força paralela de pressão, tentando minar pontes diplomáticas sempre que o governo brasileiro consegue algum avanço na relação bilateral.

Segundo reportagem do Metrópoles, integrantes do governo lembram que, quando os Estados Unidos impuseram o primeiro tarifaço ao Brasil em 2025, a diplomacia brasileira agiu rapidamente para romper o isolamento em torno de Lula e articular uma reunião direta entre os dois presidentes. O esforço deu resultado: os primeiros encontros bilaterais foram bem-sucedidos, com direito a elogios públicos do chefe da Casa Branca ao petista, o que permitiu a retirada da maior parte das tarifas em novembro daquele ano.

A vitória diplomática, no entanto, acionou um movimento de recomposição do campo bolsonarista nos Estados Unidos. Um influente assessor palaciano, sob reserva, avaliou que o outro lado, vendo isso, tenta se reagrupar e fazer uma nova ofensiva para descrever o padrão de ação dos aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro sempre que o Planalto consegue espaço em Washington.

O mesmo jogo de pressões se repetiu no caso da classificação do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho como grupos terroristas pelos Estados Unidos, medida que o governo brasileiro tentou evitar ou ao menos retardar. Embora não tenha sido possível impedir a decisão americana, assessores de Lula consideram que a atuação do Planalto conseguiu adiar o processo, que poderia ter sido concluído já em janeiro.

Um dos assessores presidenciais afirmou que não conseguiram evitar que isso acontecesse, mas conseguiram retardar o processo, pois poderia ter ocorrido já em janeiro. A avaliação nos bastidores é de que a presença do clã Bolsonaro nos círculos de influência do trumpismo impõe ao governo brasileiro um desgaste permanente e exige contra-ataques constantes para proteger os interesses do país.

Diplomatas brasileiros reconhecem que a situação exige um cálculo fino em cada movimento, já que o governo americano mantém canais abertos tanto com o Planalto quanto com a oposição bolsonarista. A metáfora do xadrez, nesse contexto, traduz a necessidade de antecipar jogadas, neutralizar pressões de adversários internos que atuam em território estrangeiro e preservar os canais de diálogo institucional com a principal potência econômica do planeta.

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