União Europeia proíbe importação de carne brasileira a partir de setembro

Bifes de carne bovina expostos em uma prateleira de mercado. (Foto: cartacapital.com.br)

A União Europeia publicou documento que oficializa o Brasil como país que não cumpre as regras europeias contra o uso excessivo de antimicrobianos na pecuária. Com a decisão, o bloco proibiu as importações de carne brasileira a partir de 3 de setembro.

A medida atinge diretamente um mercado que movimentou US$ 1,8 bilhão em exportações para os 27 países europeus em 2025. A Comissão Europeia afirmou não ter recebido informações suficientes para garantir que o Brasil implementaria as medidas exigidas pela legislação do bloco até o prazo estipulado.

Os produtos afetados pela proibição incluem carne bovina, de frango, equina, pescado, mel e tripas, itens que estavam habilitados para comercialização com o mercado europeu. Segundo as normas europeias, o uso de antimicrobianos em animais para promover crescimento ou aumentar a produção é proibido. Os animais também não podem ser tratados com antimicrobianos reservados exclusivamente para infecções humanas.

Essas medidas integram a política europeia de combate à resistência dos micróbios aos medicamentos, conhecida como abordagem de saúde única. A decisão ocorre em momento de forte tensão comercial entre a União Europeia e os países do Mercosul, conforme reportagem publicada pela Carta Capital.

O acordo de livre comércio entre os dois blocos entrou em vigor em caráter provisório em 1º de maio, mas enfrenta resistência de setores agrícolas europeus, especialmente na França. A publicação do veto à carne brasileira é interpretada como sinal de vigilância da Comissão Europeia para acalmar esses setores.

O Brasil é o segundo maior fornecedor de carnes para a União Europeia, atrás apenas da China, que lidera as importações com US$ 9,8 bilhões em compras no ano passado. Dos US$ 31,8 bilhões que o país exportou em carnes em 2025, o bloco europeu respondeu por fatia expressiva, o que torna o embargo um golpe significativo para o setor pecuário nacional.

Especialistas do setor apontam que a decisão europeia pode ser contestada na Organização Mundial do Comércio, uma vez que combina justificativas sanitárias com interesses protecionistas. O governo brasileiro ainda não se pronunciou oficialmente sobre a publicação do documento, mas a expectativa é de que o Itamaraty articule resposta diplomática nos próximos dias.

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