Após décadas de busca, um vento ativo proveniente do buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea foi finalmente descoberto. O buraco negro, conhecido como Sagitário A*, tem quatro milhões de vezes a massa do Sol e, até agora, parecia estranhamente inativo em comparação com outros buracos negros supermassivos em galáxias distantes.
O novo estudo, publicado na revista Astrophysical Journal Letters, revela evidências de que o vento está esculpindo uma vasta região cônica de gás frio, que se estende pelo menos um parsec (mais de três anos-luz) de distância do buraco negro. Este vento, embora não seja uma erupção violenta, oferece uma visão valiosa sobre como mesmo os buracos negros relativamente calmos continuam a moldar seus arredores.
De acordo com os pesquisadores, o vento carrega energia suficiente para manter a cavidade e influenciar o gás nas proximidades, mas carece da força vista nos núcleos galácticos mais energéticos. Em vez de rasgar seu ambiente, ele parece estar lentamente remodelando uma área limitada ao redor do centro galáctico. As observações sugerem que o fluxo tem sido ativo por dezenas de milhares de anos.
Para detectar o vento, os cientistas combinaram vários anos de observações do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) e do Observatório de Raios-X Chandra da NASA. Esses instrumentos permitiram estudar tanto o gás molecular frio quanto o plasma extremamente quente próximo ao buraco negro. Em vez de encontrar o gás frio distribuído uniformemente, os pesquisadores identificaram uma grande cavidade cônica onde o gás estava ausente, indicando a presença de um vento ativo.
Esta descoberta fornece uma oportunidade rara para observar como um buraco negro quiescente interage com seu ambiente em escala próxima. Além disso, as observações revelam um quadro mais complexo do núcleo da Via Láctea do que o previamente reconhecido. Os dados do ALMA mostram uma rica rede de estruturas de gás que se estendem muito mais perto do buraco negro do que o esperado, através da qual o vento está se movendo.
Segundo o The Times of India, após meio século de buscas, os astrônomos finalmente têm evidências sólidas de que o buraco negro central da Via Láctea ainda exerce influência sobre seus arredores, não através de erupções espectaculares ou jatos que atravessam galáxias, mas através de um vento constante, silenciosamente remodelando o espaço ao seu redor. The Times of India