A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou um novo surto de ebola como emergência de saúde pública de importância internacional. O surto, que começou em meados de maio, já resultou em 246 mortes suspeitas, principalmente na República Democrática do Congo, com casos também registrados em Uganda e Sudão do Sul. A cepa atual, conhecida como Bundibugyo, não possui vacinas ou tratamentos disponíveis, o que aumenta a preocupação global.
Em resposta à crise, países como Canadá, Estados Unidos e México intensificaram medidas sanitárias, especialmente com a proximidade do Mundial de Futebol, onde a República Democrática do Congo enfrentará a Colômbia em Guadalajara. A OMS elevou o risco do surto de alto para muito alto, destacando a gravidade da situação.
Cuba, reconhecida por sua solidariedade médica internacional, desempenhou papel crucial em surtos anteriores de ebola, como o ocorrido em 2014 na África Ocidental. Naquela ocasião, mais de 12 mil profissionais cubanos se voluntariaram para combater a epidemia, sendo selecionados e treinados 256 médicos, enfermeiros e técnicos de saúde. Esses profissionais integravam a brigada Henry Reeve, criada por Fidel Castro em 2005, que ganhou notoriedade por sua atuação durante a pandemia de COVID-19 em países como a Itália.
A brigada Henry Reeve foi mobilizada após pedido de Ban Ki-moon, então secretário-geral da ONU, ao presidente cubano Raúl Castro, para ajudar na crise de ebola. Margaret Chan, diretora-geral da OMS na época, elogiou a generosidade do governo cubano e de seus profissionais de saúde, afirmando que sua colaboração fez diferença significativa em Serra Leoa.
Desde 1963, Cuba envia profissionais de saúde para a África, iniciando com uma delegação de 56 médicos e técnicos para a Argélia independente. Essa tradição de solidariedade médica reflete um sistema de valores que Fidel Castro descreveu como o maior exemplo de solidariedade humana, sem interesse material.
O impacto da ajuda cubana foi notável, com a epidemia de ebola praticamente erradicada na África Ocidental após a intervenção da brigada. Os voluntários retornaram a Cuba com o orgulho de terem salvado vidas, sem buscar recompensas materiais. A história dessa epopeia cubana é registrada em obras como o livro Zona Roja: Cuba y la batalla contra el ébola en África Occidental, de Enrique Ubieta, e o documentário Cubanos, entre la vida y el ébola, de Yordanis Rodríguez Laurencio.
A capacidade de Cuba de levar saúde e derrotar epidemias em terras distantes demonstra sua resiliência e compromisso com a solidariedade internacional, mesmo sob o bloqueio imposto pelos Estados Unidos.