Irã, Rússia e China uniram forças para criticar uma resolução proposta pelos Estados Unidos, Alemanha, França e Reino Unido na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O texto conjunto, lido pelo representante permanente da Rússia em Viena, Mikhail Ulyanov, alerta que a resolução ocidental é uma manobra contraproducente destinada a desestabilizar o ambiente geopolítico.
As três nações desafiaram formalmente a base legal para manter o Irã sob restrições extintas, destacando a expiração do mecanismo *snapback* (restabelecimento automático de sanções) da Resolução 2231 do Conselho de Segurança da ONU. O comunicado conjunto enfatiza que a agenda atual do Conselho de Governadores da AIEA, que trata da implementação do Acordo de Salvaguardas do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) no Irã, é inadequada.
Segundo o documento, o mecanismo *snapback* da Resolução 2231 terminou em outubro de 2025. O texto destaca ainda os desafios enfrentados pelo regime de não proliferação nuclear após ataques militares dos EUA e Israel contra a infraestrutura nuclear iraniana. Moscou, Teerã e Pequim apontaram que ataques repetidos a instalações iranianas protegidas, acompanhados de ameaças contínuas de agressão, minaram profundamente o TNP.
As três nações apelaram aos membros do Conselho de Governadores da AIEA para enxergar além da resolução ocidental, apresentada sob o pretexto de apoiar o Diretor-Geral, Rafael Grossi. Elas destacaram que Grossi não recomendou nenhuma ação punitiva em seu relatório oficial. O trio classificou a pressão ocidental como inoportuna, contraproducente e profundamente politizada, pedindo a todos os Estados membros responsáveis que se abstenham de apoiar a resolução.
Concluíram afirmando que uma resolução sustentável só pode ser alcançada através da cessação imediata e permanente de todos os ataques militares, remoção de ameaças de agressão e respeito ao direito de uma nação desenvolver tecnologia nuclear pacífica sem discriminação.