França projeta drone de combate para futuro porta-aviões nuclear

Tripulação trabalha na convés de um porta-aviões com aeronaves estacionadas. (Foto: navalnews.com)

A França deu um passo concreto rumo à próxima geração de guerra naval, integrando capacidades tripuladas e não tripuladas de forma estratégica. A Direção Geral de Armamento (DGA), a agência francesa de aquisição de defesa, publicou em 4 de junho um pedido formal de informações (RFI) para o desenvolvimento de um futuro Sistema de Veículo Aéreo Não Tripulado de Combate Colaborativo (CCA).

Este documento detalha exigências técnicas rigorosas que visam diretamente a operação embarcada em porta-aviões. Segundo apurou o Naval News, os questionários revelam a busca por plataformas capazes de suportar catapultagem e pouso em convés, características antes exclusivas de aeronaves tripuladas como o caça Rafale M.

Essa iniciativa marca uma virada estratégica na preparação da aviação naval francesa para o programa do Porta-Aviões de Nova Geração (PANG). Batizado como France Libre, o PANG está previsto para substituir o Charles de Gaulle em 2038, consolidando a visão de longo prazo da Marinha Nacional francesa (Marine Nationale).

A RFI especifica a necessidade de arquiteturas de controle ágeis, permitindo que o drone seja comandado tanto de uma estação em terra quanto diretamente de uma aeronave tripulada. Para a Marine Nationale, isso pavimenta o caminho para operações MUM-T (manned-unmanned teaming) no mar, com drones leais atuando como multiplicadores de força a partir do convés de voo.

Os futuros drones colaborativos assumiriam tarefas de alto risco e complexidade em cenários de combate. Incluem a penetração em bolhas de negação de acesso e área (A2/AD), a supressão de defesas aéreas inimigas (SEAD) e missões avançadas de inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR) à frente dos grupos de ataque navais.

A DGA também questiona a indústria sobre a integração de cargas úteis complexas, como sensores eletro-ópticos, infravermelhos, radares, sistemas de guerra eletrônica e armamento dedicado. Tais capacidades são consideradas críticas para disputar espaços aéreos marítimos contestados e conduzir operações anti-superfície eficazes.

A documentação foi divulgada com tradução oficial em inglês, sinalizando que o governo francês busca captar dados de mercado de fornecedores internacionais. O prazo para que consórcios e empresas submetam suas respostas técnicas e industriais se encerra em 21 de agosto, contemplando grandes grupos de defesa e pequenas e médias empresas especializadas.

Embora o objetivo seja fortalecer a base industrial e tecnológica de defesa soberana da França, a abertura ao exterior demonstra pragmatismo diante da complexidade tecnológica. Essa iniciativa se insere num movimento europeu mais amplo em busca de autonomia estratégica, sem depender exclusivamente de plataformas desenvolvidas sob influência direta dos Estados Unidos.

A conexão com o caça Rafale M, especialmente considerando o desenvolvimento do futuro padrão F5, e mais adiante com o futuro caça de nova geração do programa Sistema de Combate Aéreo Futuro (SCAF), é um ponto chave. O SCAF é desenvolvido em cooperação com Alemanha e Espanha, desenhando um ecossistema completo de combate aéreo naval para as próximas décadas.

A aposta nos drones colaborativos embarcados deve reconfigurar a doutrina de projeção de poder da França a partir do mar. Isso combina presença tripulada com enxames não tripulados, capazes de saturar defesas adversárias e operar em ambientes contestados com menor risco para a tripulação.

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