O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo para a França com uma agenda carregada de discursos e reuniões bilaterais na cúpula do G7, mas sem a expectativa de um encontro formal com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ministros e assessores presidenciais confirmaram que não houve pedido formal para uma reunião entre os dois líderes, embora admitam a possibilidade de conversas informais nos bastidores do evento, que ocorre em Évian-les-Bains.
A delegação brasileira decola de Brasília à tarde e fará escala técnica em Cabo Verde antes de pousar em Genebra, na Suíça, na segunda-feira. De lá, seguirá por via terrestre até a cidade francesa, distante cerca de 45 quilômetros da fronteira suíça. Lula e os demais chefes de Estado convidados ficarão hospedados no Hôtel Royal, um resort cinco estrelas às margens do Lago Léman.
Segundo apurou o Metrópoles, o presidente brasileiro só participará das sessões oficiais na terça-feira e na quarta-feira, já que as reuniões de segunda são exclusivas para os países membros do bloco — Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil comparece como convidado, repetindo uma tradição que começou em 2003, ano de estreia de Lula no Palácio do Planalto, justamente na mesma cidade francesa.
Na terça-feira, Lula deverá centrar seu primeiro discurso na redução da ajuda internacional a países em desenvolvimento e fará um apelo direto para que as nações mais ricas ampliem os recursos destinados às mais pobres. O tom será de cobrança, mas com a cautela diplomática que assessores presidenciais classificam como essencial para não atrapalhar negociações em curso.
Já na quarta-feira, o foco será uma crítica contundente ao unilateralismo e ao protecionismo, em reação indireta ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil. Auxiliares do presidente ressaltam que a linguagem será calibrada com precisão para manter abertos os canais de diálogo, mesmo diante da pressão protecionista vinda de Washington. O encerramento da participação brasileira se dará em um almoço temático sobre inteligência artificial, reunindo diversos chefes de Estado.
Paralelamente, diplomatas brasileiros têm contribuído ativamente com os textos que estão sendo negociados pelos países membros do G7. São sete documentos que cobrem parcerias internacionais para o desenvolvimento, crescimento econômico equilibrado, proteção online de menores, combate ao narcotráfico, luta contra o câncer, enfrentamento ao contrabando de imigrantes e regulação de minerais críticos — uma pauta ampla que reflete o peso geopolítico que o Brasil projeta mesmo sem assento permanente no grupo.
Por ora, estão confirmadas apenas duas reuniões bilaterais de Lula às margens da cúpula: uma com o anfitrião, o presidente da França, Emmanuel Macron, e outra com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi. A ausência de um encontro com Trump não é interpretada pelo Palácio do Planalto como sinal de isolamento, mas como reflexo de uma conjuntura em que as agendas bilaterais ainda não encontraram ponto de convergência formal. O diálogo, no entanto, segue vivo nos bastidores da diplomacia internacional.