Cientistas desvelam vasta ‘necrópole’ submarina e arcas genéticas milenares

Imagens subaquáticas mostram estruturas e organismos em fundo oceânico, possivelmente parte de necrópole submarina. (Foto: 404media.co)

Em uma expedição que redefine os limites da arqueologia marinha, cientistas descobriram uma necrópole submarina colossal no Oceano Índico, abrigando centenas de esqueletos de baleias. Este cemitério subaquático, com idade estimada em até 5.3 milhões de anos, estende-se por aproximadamente 1.200 quilômetros na Zona Diamantina, a mais de 7.000 metros de profundidade, estabelecendo-se como o maior, mais profundo e mais antigo já documentado.

A expedição, realizada no início de 2023 com o submersível tripulado Fendouzhe, revelou 485 sítios individuais de “quedas de baleias”, incluindo 476 restos fossilizados e cinco ecossistemas ativos, conforme divulgado em junho de 2026 na prestigiada revista *Nature*. Xiaotong Peng, pesquisador do Instituto de Ciência e Engenharia do Mar da China e um dos autores principais do estudo, descreveu a descoberta como “completamente inesperada” dada a escala e profundidade do local.

A Zona Diamantina, uma chasm em formato de V formada pela separação dos continentes australiano e antártico, atua como um funil natural, concentrando os cadáveres que afundam ao longo de milhões de anos. Esta topografia peculiar, combinada com a localização ao longo das rotas migratórias de várias espécies de baleias-de-barbatana, cria um ambiente singular para a acumulação e preservação desses monumentos biológicos.

Nos abismos, estes “eventos de queda de baleias” sustentam ecossistemas quimiossintéticos florescentes, repletos de vida que desafia o conhecimento prévio. A equipe documentou comunidades densas de crustáceos, moluscos, vermes especializados em consumir ossos (como o *Osedax*), bivalves quimiossimbióticos, estrelas-do-mar e até anêmonas marinhas, muitas das quais parecem ser novas para a ciência. A densidade local de indivíduos pode atingir impressionantes 2.840 por metro quadrado.

Giovanni Bianucci, paleoecologista da Universidade de Pisa, Itália, e Stephen Godfrey, paleontólogo do Calvert Marine Museum, destacaram a importância dos fósseis de baleias-bicudas encontrados. Entre eles, uma nova espécie extinta foi identificada e nomeada *Pterocetus diamantinae*, lançando luz sobre a evolução desses mamíferos marinhos de mergulho profundo. Estima-se que a zona possa conter mais de 10 milhões de carcaças, representando um sumidouro de carbono previamente não quantificado de aproximadamente 6.7 milhões de toneladas.

Em outro fronte da paleobiodiversidade, cientistas desenterraram uma “arca genética” inusitada nas fezes fossilizadas de esquilos antigos no território de Yukon, Canadá. Estes coprólitos, com idades que variam de 17.000 a 700.000 anos, revelaram DNA ambiental antigo (aeDNA) de uma riqueza extraordinária. A descoberta, publicada na *Nature Communications* em meados de junho de 2026, oferece uma janela sem precedentes para os ecossistemas do Quaternário.

Tyler J. Murchie, pesquisador de paleogenômica do Hakai Institute e da McMaster University no Canadá, líder do estudo, comparou os coprólitos a “pequenas cápsulas do tempo congeladas”. As amostras continham vestígios genéticos de mamutes-lanosos – incluindo o DNA de mamute mais antigo já encontrado na América do Norte, com 700.000 anos –, gatos-dentes-de-sabre, cavalos, bisões, lobos, chitas, lemingues, pikas, caribus e lebres-da-neve. Além da megafauna, centenas de espécies de plantas, insetos e microrganismos também foram identificadas, sugerindo que os esquilos eram onívoros e até mesmo se alimentavam de carcaças de grandes animais.

A potência ecológica e evolutiva desses depósitos de roedores no permafrost parece “superar a de ossos e sedimentos”, como Murchie enfatizou, fornecendo um “instantâneo detalhado de ecossistemas que não existem mais”. A preservação excepcional do aeDNA foi facilitada pelas condições de congelamento constante nas tocas dos esquilos, transformando-os em verdadeiras “minas de ouro paleoecológicas de informação”.

No vasto palco cósmico, a humanidade também sonha com desvelar mistérios distantes. Maitrayee Gupta, do Instituto Astronômico da Academia de Ciências da Chéquia, continua a investigar galáxias peculiares como as “Ervas-de-Santa-Maria” e “Mirtilos”. Esses sistemas compactos e pequenos, com suas elevadas taxas de formação estelar, predominantemente em ambientes isolados, sugerem que suas intensas atividades são impulsionadas por processos internos, desvinculadas de interações galácticas vizinhas.

A audácia científica se projeta para além, com a proposta de uma sonda movida a vela elétrica, o Telescópio Espacial Curvo (CST). Este projeto visionário almeja explorar o fenômeno da lente gravitacional solar, utilizando a gravidade do Sol como uma lente cósmica gigantesca. A missão, discutida em publicações recentes, incluindo um artigo de junho de 2026 na revista *Advances in Space Research*, buscaria alcançar a região focal da Lente Gravitacional Solar (LGS), a uma distância de mais de 550 Unidades Astronômicas do Sol.

Com essa tecnologia, Mario F. Palos, da Universidade de Tartu, Estônia, e sua equipe, vislumbram a capacidade de observar detalhes da superfície de exoplanetas com uma resolução de quilômetros, permitindo discernir continentes, oceanos ou até mesmo sinais de vida extraterrestre. A amplificação luminosa de aproximadamente 100 bilhões de vezes e a resolução angular extrema prometem “imagens megapixel diretas” de exoplanetas habitáveis a até 30 parsecs (cerca de 100 anos-luz), inaugurando uma era de “viagem interplanetária voyeurística” e revolucionando a busca por vida além da Terra. Para mais detalhes sobre estas e outras descobertas, consulte o portal da agência.

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