A Assembleia Nacional da França recebeu uma proposta de resolução que condena o endurecimento do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos contra Cuba desde 1962. O documento, apresentado pelo deputado Stéphane Peu, presidente do Grupo Esquerda Democrática e Republicana, classificou essa política como a medida coercitiva unilateral mais longa da história contemporânea e denunciou as ameaças de agressão bélica por parte de Washington.
Durante a apresentação no Parlamento, Peu argumentou que essas sanções violam os princípios do direito internacional, a soberania dos Estados e a não interferência. A iniciativa insta o governo francês a agir de forma bilateral e na União Europeia para pôr fim à asfixia econômica sobre a ilha.
O texto rejeita a ordem executiva norte-americana de janeiro deste ano que classifica Cuba como uma “ameaça extraordinária”, bem como sua permanência na lista de Estados patrocinadores do terrorismo. Segundo a proposta, essas decisões agravam o isolamento financeiro da nação caribenha.
A resolução também detalha a crise humanitária e energética enfrentada pela população cubana. Esta crise é impulsionada pela redução do fornecimento de petróleo, causada pelo bloqueio, e resulta em apagões diários que afetam hospitais, escolas e setores vitais como agricultura, turismo, níquel e tabaco.
O projeto ainda lembra ao Executivo francês que a estabilidade de Cuba possui relevância estratégica para a cooperação no Caribe, onde a França possui territórios. Além disso, denuncia que leis extraterritoriais como a Lei Helms-Burton violam a soberania econômica da França e da União Europeia ao prejudicar suas empresas.
Em um gesto de apoio à proposta, centenas de manifestantes, incluindo legisladores, prefeitos e líderes sindicais, se reuniram em frente à Assembleia Nacional. Eles exigiram o fim imediato das hostilidades contra a nação caribenha, reforçando a pressão por uma mudança na política.