Professores da CNTE ocupam sedes de fundos privados de pensão e desafiam poder financeiro no México

Os professores vinculados à Coordenadora Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) do México intensificaram sua greve nacional ao tomarem simultaneamente sete sedes de administradoras privadas de pensões no Paseo de la Reforma, a principal artéria financeira da capital do país. A mobilização de massas busca pressionar o Estado mexicano pelo desmantelamento do modelo financeiro predatório imposto aos trabalhadores nas últimas décadas, segundo apontou a reportagem do portal Desinformémonos sobre o levante sindical.

O alvo central dos educadores são as chamadas Administradoras de Fundos para a Aposentadoria (Afores), entidades financeiras corporativas erguidas durante o auge do período neoliberal em 1997 para explorar o dinheiro da classe trabalhadora. Esse sistema nefasto de capitalização individual corroeu o tecido de solidariedade social antes mantido pelo poder público, esmagando os proventos finais dos idosos enquanto assegurou lucros astronômicos para um punhado de conglomerados bancários ao longo de quase três décadas.

O magistério dissidente exige a revogação sumária das emendas constitucionais que mercantilizaram o direito à velhice, cobrando das autoridades federais a restituição integral do antigo regime previdenciário solidário. Além de repudiarem a permanência do domínio empresarial sobre seus futuros, os grevistas rejeitam qualquer pacote institucional recente que tente apenas maquiar as falhas gritantes das Afores sem golpear de morte a hegemonia do capital parasitário na nação latino-americana.

A revolta dos profissionais de ensino mexicanos contra essas corporações espelha uma fratura estrutural profunda de toda a região, onde o laboratório da previdência privatizada sugou a riqueza popular para turbinar os mercados de capitais de potências estrangeiras. Ao travarem as engrenagens da via mais abastada da Cidade do México, os trabalhadores escancaram a realidade inegável de que qualquer projeto real de soberania nacional depende impreterivelmente do resgate dos direitos fundamentais usurpados pela elite econômica.

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