Justiça chilena condena ex-agentes de Pinochet por assassinato em Washington

Ilustração editorial sobre Justiça chilena condena ex-agentes de Pinochet por assassinato em Washington. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

A Corte de Apelações de Santiago, sob a liderança da ministra Paola Plaza González, condenou três ex-oficiais da Direção de Inteligência Nacional (DINA) a 15 anos de prisão. Os ex-agentes foram responsabilizados pelo assassinato da cidadã norte-americana Ronnie Karpen Moffitt, ocorrido em Washington D.C. em 1976, durante um atentado que também vitimou Orlando Letelier del Solar, ex-chanceler do Chile nos Estados Unidos.

Os condenados, Pedro Octavio Espinoza Bravo, José Octavio Zara Holger e Raúl Eduardo Iturriaga Neumann, foram considerados culpados como autores do crime de homicídio qualificado. Segundo a decisão judicial, o assassinato de Moffitt foi resultado de uma operação meticulosamente planejada pela DINA, que agia além das fronteiras chilenas.

A Dirección de Inteligencia Nacional (DINA) foi a polícia secreta da ditadura de Augusto Pinochet, estabelecida em novembro de 1973 como uma unidade de inteligência militar e formalmente criada em junho de 1974 pelo Decreto 521. A DINA operava como um estado dentro de um estado, reportando-se diretamente ao ditador e possuindo amplos poderes para deter, torturar e eliminar oponentes dentro e fora do Chile.

O assassinato de Letelier e Moffitt foi parte da Operação Condor, uma campanha coordenada de repressão política e terrorismo de Estado executada por ditaduras militares sul-americanas nos anos 1970 e 1980. Documentos de inteligência dos Estados Unidos, posteriormente desclassificados, indicam que o próprio Augusto Pinochet ordenou o assassinato, visando silenciar uma voz proeminente da resistência chilena.

Orlando Letelier del Solar serviu como embaixador do Chile nos Estados Unidos e, sucessivamente, com Após o golpe militar de 1973 que levou Pinochet ao poder, Letelier foi preso e, ao ser libertado em 1974, exilou-se em Washington D.C., onde se tornou um dos principais críticos internacionais do governo chileno, trabalhando no Instituto de Estudos Políticos.

Ronnie Karpen Moffitt, uma cidadã norte-americana de 25 anos, era colega de Letelier no Instituto de Estudos Políticos, onde ambos se dedicavam a campanhas contra a ditadura. Ela estava no carro com Letelier no momento do ataque, acompanhada de seu marido, Michael Moffitt, que sobreviveu à explosão.

A investigação revelou que a operação terrorista começou com a viagem do então capitão Armando Fernández Larios ao Paraguai para obter passaportes falsos, permitindo a entrada ilegal de agentes nos EUA. Michael Vernon Townley Welch, um agente da DINA de nacionalidade norte-americana, foi encarregado de estabelecer conexões com o grupo Movimento Nacionalista Cubano, que realizou a vigilância de Letelier.

A equipe da DINA instalou a bomba no carro do ex-diplomata em 18 de setembro de 1976. O ataque foi executado em 21 de setembro de 1976, quando o artefato explosivo foi detonado por controle remoto enquanto Letelier dirigia em uma avenida de Washington.

A explosão matou instantaneamente o ex-ministro e causou ferimentos fatais em Ronnie Moffitt. De acordo com o portal Telesur, a decisão judicial representa um marco significativo na busca por justiça pelos crimes cometidos pela ditadura chilena no exterior.

Esta condenação é particularmente notável porque, por quase 50 anos, o caso permaneceu como símbolo de impunidade, mesmo após os principais conspiradores da morte de Letelier terem sido processados em 1995. A resolução reforça o direito internacional dos direitos humanos, demonstrando que crimes patrocinados pelo Estado transcendem fronteiras soberanas e permanecem puníveis, independentemente da passagem do tempo.

Com informações de TELESURTV.

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