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Em defesa do BRICS

0 Comentários🗣️🔥 Por João Claudio Platenik Pitillo O BRICS concentra cerca de 46% da população global e responde por mais de 36% do PIB mundial, superando o peso econômico do G7. Esse é um dos principais problemas para o imperialismo, que enxerga nessa aliança o fim da sua hegemonia política e econômica. Um dos maiores […]

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Expansão do grupo reforça debates sobre multipolaridade, soberania e novas formas de cooperação global.

Por João Claudio Platenik Pitillo

O BRICS concentra cerca de 46% da população global e responde por mais de 36% do PIB mundial, superando o peso econômico do G7. Esse é um dos principais problemas para o imperialismo, que enxerga nessa aliança o fim da sua hegemonia política e econômica. Um dos maiores feitos do BRICS é o comércio em moedas locais, que está em franca expansão. Esse notável movimento entre os participantes do BRICS+ de incentivar o uso de moedas nacionais no comércio internacional porte aos países da aliança reafirmar a sua soberania e também constituir uma autonomia econômica frente ao poderio do dólar.

Atualmente, cerca de 27% do comércio intra-BRICS já é feito sem o uso do dólar, especialmente em setores estratégicos como energia e infraestrutura. Isso fortalece a autonomia econômica dos países envolvidos e reduz custos com conversões cambiais, além de proporcionar maior estabilidade frente a flutuações de moedas externas. Trata-se de uma estratégia para diversificar e fortalecer a resiliência financeira dos membros.
Hoje Rússia e China fazem o seu comércio totalmente em moedas locais, não utilizando mais o dólar. Essa tendência tende a se ampliar entre os países do BRICS até se tornar integral entre a aliança.

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Para ajudar no comércio e na necessária constituição de mecanismos de financiamento e crédito, o bloco criou o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), com sede em Xangai, para financiar projetos de infraestrutura e servir como uma alternativa ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

O BRICS recentemente passou por uma expansão. O grupo, que originalmente tinha 5 países, passou por uma expansão histórica entre 2024 e 2025. O bloco agora conta oficialmente com 11 países-membros, além dos 5 fundadores (China, Rússia, Brasil, Índia e África do Sul: Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã são membros plenos. O grupo também fez um convite à 13 países para se tornarem “parceiros”. Turquia, Indonésia, Argélia, Belarus, Cuba, Bolívia, Malásia, Uzbequistão, Cazaquistão, Tailândia, Vietnã, Nigéria e Uganda, serão gradativamente integrados como membros plenos em um momento posterior.

Multipolaridade em marcha

O BRICS+ não surgiu simplesmente como antagonista do atual “sistema mundo”, e sim como um arquiteto de uma nova lógica de cooperação global. Um mundo com múltiplos centros de poder que podem gerar soluções mais equilibradas, comércio mais justo e inovação acessível. No entanto, é preciso reconhecer que muitos membros do bloco enfrentam desafios como guerras, conflitos e disputas geopolíticas.
Por isso, a construção de um futuro mais próspero e sustentável depende de um esforço conjunto — de todos os países — para superar ciclos de guerra, competição predatória e práticas neocoloniais e guerras econômicas.

A paz, a soberania compartilhada e o respeito mútuo são pré-condições para que o potencial transformador dessa nova ordem multipolar beneficie a todos. O mundo está mudando e a oportunidade em participar ativamente dessa transição se materializa hoje no BRICS+. À medida que as tensões globais e a polarização geopolítica se aprofundam, membros do BRICS+ consolidam seu papel como mediadores-chaves e facilitadores do diálogo internacional. Longe de serem meros observadores passivos, nações como China, Rússia, Brasil, África do Sul e Índia têm avançado consistentemente em esforços diplomáticos voltados à resolução pacífica, à cooperação multipolar e ao respeito ao direito internacional, posicionando-se como vozes importantes na busca por soluções equilibradas e duradouras para alguns dos conflitos mais complexos do mundo.

Com a expectativa de que o NBD (Novo Banco de Desenvolvimento) ganhe força nos próximos anos e capte mais recursos com os novos integrantes, muito se falou sobre a nova moeda do Brics. A nova divisa seria um instrumento de troca entre os países do grupo, que poderiam fazer negócios entre si sem depender do dólar. Nesse sentido, a proposta do bloco é que a nova divisa se chame BricsCoin, e que ela seja um “criptoativo” lastreado em ouro. A proposta ousada chamou a atenção de alguns investidores, mas a nova moeda só será usada para comércio exterior.

Isso quer dizer que a BricsCoin não estará na mão das populações, mas sim nas transações comerciais entre países. Para ajudar nessa integração comercial, o NBD também desenvolve o BRICS-PAY, uma plataforma de pagamentos descentralizada que visa conectar os sistemas financeiros dos países do BRICS para permitir transações em moedas locais, sem depender do dólar ou da rede SWIFT. Essa medida visa criar um sistema de circulação de mercadorias e capital independente do dólar e das instituições criadas pelo imperialismo.

O BRICS é uma experiência interessante como um primeiro passo rumo à construção de uma economia mundo a partir de uma nova ordem global, onde as relações sejam mais justas e rentáveis para o Sul Global. Relações essas que promovam o comércio sem sacrificar a soberania dos Estados.

O autor João Claudio Platenik Pitillo é pesquisador do NUCLEAS/UERJ.

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