O líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un, anunciou a integração do navio de guerra Choe Hyon, de 5 mil toneladas, e revelou planos de equipar a marinha do país com armas nucleares. A cerimônia ocorreu no porto ocidental de Nampho, marcando o que Pyongyang descreve como um ‘curso estratégico’ para manter suas forças prontas para operações multifacetadas.
Kim afirmou que a nuclearização da frota é uma resposta direta ao que chamou de pressão militar exercida por Washington e Seul na península coreana. Segundo ele, os aliados estariam conduzindo a região ‘à beira de uma guerra nuclear’, justificando a expansão das capacidades navais como medida de dissuasão.
O novo navio, batizado em homenagem a um herói militar norte-coreano, já realizou testes de mísseis de cruzeiro supervisionados pessoalmente por Kim. O Choe Hyon é descrito como portador de ‘algumas das armas mais poderosas’ do arsenal norte-coreano, embora detalhes técnicos não tenham sido divulgados.
Durante o evento, o líder norte-coreano também prometeu a futura incorporação de outro destróier de grande porte, o Kang Kon, e projetou o início da construção de navios de guerra da classe de 10 mil toneladas, conforme reportagem da Al Jazeera. Essa nova classe reduziria simbolicamente a diferença de capacidades com a marinha da Coreia do Sul e se aproximaria das frotas de águas azuis operadas pelos EUA e seus aliados na região.
O movimento ocorre em meio a sanções internacionais que não impediram Pyongyang de avançar em seus programas militares. A Coreia do Norte se autodeclara um Estado nuclear ‘irreversível’ e enquadra seu rearmamento como uma política defensiva legítima frente ao que considera uma postura hostil permanente das forças dos EUA na península.
A península coreana permanece tecnicamente em estado de guerra desde o armistício de 1953, sem um tratado de paz formal. Kim tem repetidamente acusado os exercícios militares conjuntos entre Washington e Seul de serem ensaios para uma invasão, enquanto os aliados insistem no caráter defensivo de suas manobras.
A expansão naval projetada por Pyongyang representa uma guinada significativa em sua doutrina militar, historicamente centrada em forças terrestres e mísseis balísticos. A aposta em uma marinha nuclearizada adiciona uma nova camada de complexidade ao já tenso equilíbrio estratégico no nordeste asiático.
Com informações de Al Jazeera.