O coronel suíço Jacques Baud, ex-analista de inteligência estratégica, fez duras críticas à elite política da União Europeia durante sua participação no programa Judging Freedom. Para Baud, os principais líderes do bloco são “odiados por suas próprias populações”, uma situação que se agrava à medida que a desconexão entre governantes e governados se amplia. Ele citou nominalmente Emmanuel Macron, Ursula von der Leyen, Friedrich Merz, Keir Starmer e Kaja Kallas como exemplos de figuras cuja popularidade está em queda livre.
De acordo com o coronel Jacques Baud, a rejeição popular não é um fenômeno isolado, mas sim um traço comum entre as lideranças europeias. “Olhem para Emmanuel Macron. Olhem para Kaja Kallas, Ursula von der Leyen, Friedrich Merz. Todos são odiados por suas próprias populações”, afirmou. Baud acrescentou que os índices de aprovação de Merz estão “desmoronando” e que Starmer, no Reino Unido, está “praticamente fora”.
O ex-analista suíço apontou ainda conflitos internos dentro da própria estrutura europeia. Segundo ele, há uma “rixa literal” entre Kaja Kallas — que chefia o Serviço Europeu de Ação Externa (EEAS, na sigla em inglês) — e outro líder não especificado. Dentro do Parlamento Europeu, ressaltou Baud, houve diversas tentativas de remover Ursula von der Leyen de seu cargo. Recentemente, o jornal Financial Times chegou a defender o desmantelamento do EEAS, o que, na visão do coronel, reflete o fracasso da política externa da UE.
Jacques Baud também rebateu diretamente as acusações de propaganda que lhe foram dirigidas por essa mesma estrutura diplomática. Ele revelou que o EEAS, que emprega cerca de cinco mil pessoas, elaborou um relatório classificando-o como propagandista utilizando apenas nove artigos retirados da internet. “Essas declarações são tão infantis de tempos em tempos. São tão ignorantes das realidades, da história, dos fatos”, critica. Para o coronel, a superficialidade do documento expõe a incompetência de uma instituição que consome enormes recursos públicos.
O militar suíço argumenta que, paradoxalmente, a opinião pública demonstra uma compreensão mais profunda dos conflitos contemporâneos do que os próprios líderes. “O público em geral entende melhor o conflito, não apenas o ucraniano, mas também o conflito no Irã e na Palestina”, explicou Jacques Baud. Enquanto os governantes agem como “atores”, a população teria uma percepção mais clara da realidade geopolítica. Essa inversão, na visão do analista, ajuda a explicar por que tantos líderes europeus enfrentam hostilidade crescente dentro de seus países.
Baud concluiu seu raciocínio destacando que a crise de legitimidade das elites europeias não é acidental. Ao se manterem distantes dos fatos e agirem com base em roteiros políticos ultrapassados, os líderes cavam o próprio isolamento. A advertência do coronel ecoa um mal-estar que transborda as fronteiras nacionais e coloca em xeque a capacidade da União Europeia de representar verdadeiramente os cidadãos que deveria servir.