Israel mata 2 no sul do Líbano durante negociações em Washington

Homem observa a destruição de edifícios em meio a escombros no sul do Líbano. (Foto: aljazeera.com)

Um ataque israelense com drone matou ao menos duas pessoas no sul do Líbano, enquanto autoridades de Israel e do Líbano participam de uma nova rodada de negociações em Washington para tentar encerrar os combates entre os dois países. A ofensiva ocorreu apesar da redução recente da intensidade dos confrontos entre Israel e o Hezbollah, após pedidos dos Estados Unidos e da República Islâmica do Irã por um cessar-fogo.

o ataque israelense atingiu um veículo na estrada de Tallat al-Dabsha, perto de Kfar Reman, no distrito de Nabatieh. Pouco depois, as forças israelenses bombardearam com artilharia os arredores da cidade de Yater, na região de Bint Jbeil.

A reportagem da Al Jazeera aponta que os ataques representam mais uma violação do cessar-fogo renovado na semana passada, após acordo entre Estados Unidos e Irã voltado a conter a guerra mais ampla no Oriente Médio. O Exército de Israel declarou que mirava integrantes do Hezbollah no sul libanês.

A permanência de tropas israelenses em território libanês tornou-se um dos pontos centrais de tensão nas conversas em Washington. Políticos libaneses afirmam que a retirada israelense e o fim dos ataques são condições essenciais para que o cessar-fogo se sustente.

Israel, por sua vez, condiciona a saída de suas forças ao desarmamento completo do Hezbollah. Essa posição mantém o impasse militar e diplomático em aberto, mesmo com a tentativa de mediação conduzida em território norte-americano.

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que o Exército israelense não deixará o Líbano, «mesmo se houver uma exigência americana». Katz também disse que «200 mil moradores não retornarão», em referência às pessoas deslocadas à força do sul libanês.

Katz alegou que a presença de população civil no passado teria sido acompanhada por bombas de beira de estrada e ataques contra soldados israelenses. «Não estamos nos retirando», acrescentou o ministro, deixando explícita a resistência de Tel Aviv a qualquer saída imediata do território libanês.

A correspondente da Al Jazeera Heidi Plett, em Tiro, no Líbano, relatou que a atividade militar israelense diminuiu, mas não terminou. As operações seguem mais limitadas do que a violência registrada no fim de semana, mas continuam impondo risco permanente à população civil do sul do país.

Apesar da ameaça de novos ataques, muitos moradores do sul do Líbano voltaram para suas casas nos últimos dias. Na cidade de Abbasiyeh, perto de Tiro, cerca de 80% da população retornou, de acordo com o prefeito local citado pela reportagem.

Plett observou que Abbasiyeh conta com água, eletricidade e serviços médicos locais, uma realidade que não se repete em muitas cidades e vilarejos da região. A diferença de infraestrutura ajuda a explicar por que parte da população consegue voltar, enquanto outras comunidades permanecem sob condições mais precárias.

Em Washington, a correspondente da Al Jazeera Rosiland Jordan afirmou que a rodada mais recente de conversas entre Israel e Líbano deve incluir um componente militar direto. Uma das propostas em discussão permitiria que forças libanesas substituíssem as tropas israelenses, desde que avaliadas pelos Estados Unidos como sem vínculos com o Hezbollah.

Aoun afirmou ainda que a reconstrução das áreas destruídas viria na sequência e separou as conversas entre Líbano e Israel das negociações entre Estados Unidos e Irã.

O Hezbollah condenou as negociações entre Líbano e Israel nos Estados Unidos e exigiu primeiro a retirada completa das forças israelenses do território libanês. A posição reforça a centralidade da ocupação israelense no impasse e mostra que a redução dos ataques ainda não significa uma estabilização real da fronteira sul do Líbano.

Com informações de Al Jazeera.

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