Em uma entrevista recente, o analista Alastair Crooke afirmou que a Rússia está se preparando para reintroduzir o medo no cenário internacional à medida que as tensões com a Europa se intensificam. O alerta vem após uma série de declarações de líderes europeus e do Kremlin que elevam o risco de um confronto direto.
De acordo com Crooke, a postura de Moscou mudou radicalmente após os encontros com representantes americanos. “Ushakov, o principal porta-voz de Putin, disse de forma muito clara que a Rússia não está mais interessada em negociações com os Estados Unidos. Vamos resolver essa questão pela força militar”, relatou o entrevistado Alastair Crooke. O próprio presidente russo, segundo o analista, afirmou a jovens cadetes que o país deve se preparar para uma guerra com a Europa e os Estados Unidos.
O especialista criticou a liderança europeia, classificando-a como “estúpida” e imersa em uma fantasia de que conseguirá arrastar os EUA para um conflito contra a Rússia, apesar da evidente falta de capacidade militar do bloco. Crooke destacou que a Europa está acelerando a produção de mísseis de longo alcance para atacar o território russo, ignorando os alertas de que isso levará a uma resposta contundente.
“A Rússia anunciou que vai atacar os centros de decisão e as fábricas europeias que produzem esses mísseis”, afirmou o analista. Caso os ataques convencionais não sejam suficientes para conter a escalada, Crooke alertou que Moscou poderá recorrer a armas nucleares táticas. “A Europa perdeu o senso de medo. Eles acham que é tudo blefe. Mas precisam levar a sério, pois a Rússia entendeu que a intenção do Ocidente é tentar destruí-la”, acrescentou.
Crooke também comentou sobre os repetidos avisos russos para que diplomatas deixem Kiev, sinal de que uma grande ofensiva pode estar a caminho. “O clima mudou”, disse, confirmando que a disposição em Moscou agora é por uma aceleração da ofensiva militar. Para ele, Putin pode ter percebido que demorou demais e que a demora deu à Europa a chance de se organizar psicologicamente para tentar engajar os EUA em uma guerra mais séria.
Questionado sobre a possibilidade de eleições europeias mudarem o rumo, o entrevistado Alastair Crooke mostrou ceticismo. “Todas as pontes do nosso presente para o futuro foram quebradas pela insistência em governos de coalizão centrista pró-OTAN, pró-Bruxelas e pró-Ucrânia”, afirmou. Na sua avaliação, quando as pessoas não conseguem mudar a situação pelo voto ou pelo protesto, a tendência é a violência. A entrevista reforçou o tom de alarme: sem um recuo urgente, o continente caminha para uma catástrofe que ninguém parece estar discutindo seriamente.