Acordo no Líbano é ‘pausa performática’ e não cessa hostilidades, alerta Aaron Maté

A recente tensão no sul do Líbano evidencia a fragilidade do acordo de cessar-fogo mediado recentemente. Questionado pelo apresentador Andrew Napolitano, o analista Aaron Maté classificou o memorando de entendimento (MoU) como uma “pausa performática”, e não um armistício sólido.

Segundo Aaron Maté, o destino do entendimento depende do que o presidente Donald Trump deseja fazer. Ele citou uma reportagem do Canal 13 de Israel, segundo a qual um alto funcionário israelense afirmou que a mensagem recebida dos americanos foi clara: “Vocês tiveram permissão para operar sem restrições, e esse período acabou”. Ainda assim, Maté pondera que a declaração pode não passar de retórica, seja por parte de Israel ou dos Estados Unidos.

O analista ressaltou que o próprio governo Trump vê o Hezbollah como um “câncer” – expressão usada pelo embaixador dos EUA, Mike Walter –, desconsiderando que se trata também de um movimento político com bancada expressiva no parlamento libanês. Essa visão alinhada à de Israel dificulta uma solução duradoura, porque Tel Aviv deseja erradicar o grupo com uso da força.

Por outro lado, o Irã traçou uma linha vermelha, afirmando que a ocupação israelense do Líbano é inaceitável e precisa acabar. Para Maté, o memorando atual, que pede o fim das hostilidades em todas as frentes, apenas adia o problema sem resolvê-lo.

A declaração do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, reforça esse impasse: “Nossos soldados no sul do Líbano têm total liberdade de ação para frustrar qualquer ameaça”, disse. O premiê paquistanês, Shehbaz Sharif, atuando como mediador nas negociações envolvendo o Irã e os EUA, alertou para a existência de “sabotadores” que tentam torpedear o acordo. Embora não tenha citado nomes, a referência a Netanyahu foi evidente para Napolitano.

A análise de Aaron Maté sugere que, enquanto a comunidade internacional não tratar o Hezbollah como parte legítima da sociedade libanesa e enquanto Israel mantiver privilégios militares, o MoU não passará de uma trégua temporária, com risco de escalada a qualquer momento.

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