Na entrevista ao canal Glenn Diesen, o professor Jeffrey Sachs, da Universidade de Columbia, afirmou que o projeto do Grande Israel está colapsando.
O conceito de Grande Israel representa a ambição de manter controle israelense sobre todo o território capturado na Guerra dos Seis Dias de 1967 e impedir a criação de um Estado palestino. Segundo Jeffrey Sachs, professor da Universidade de Columbia, essa ideologia remonta à própria criação do mandato britânico na Palestina e ganhou força com os sucessivos assentamentos ilegais e governos de direita. “É a doutrina do atual governo, o mais radical e extremista que Israel já teve”, afirmou Sachs, destacando que a coalizão liderada por Benjamin Netanyahu inclui figuras que defendem abertamente a supremacia judaica e a limpeza étnica.
O entrevistado descreveu duas vertentes que sustentam o projeto: uma de segurança, segundo a qual Israel só estaria seguro controlando territórios além de suas fronteiras internacionais, e outra religiosa, baseada em uma interpretação do Antigo Testamento que promete terras “do rio Egito ao Eufrates”. Sachs criticou duramente o embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, que como líder evangélico justifica a anexação de territórios porque seria uma promessa divina. “É chocante do ponto de vista prático, legal, moral e teológico”, declarou.
Para Jeffrey Sachs, o governo Netanyahu vem aplicando há 30 anos uma estratégia de “derrubar governos que apoiam os militantes”, em vez de negociar uma solução política. Ele citou a invasão do Iraque em 2003 como uma “guerra baseada em mentiras”, planejada por neoconservadores americanos e israelenses para eliminar um regime que apoiava a causa palestina. O mesmo padrão, segundo o analista, repetiu-se na Síria com a operação Timber Sycamore, da CIA, que mergulhou o país em 15 anos de guerra com o objetivo de isolar o Irã e enfraquecer o chamado “eixo da resistência”.
A guerra contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro de 2026, representou a tentativa culminante de realizar o sonho de 40 anos de Netanyahu, mas resultou em um fracasso militar. “Foi uma guerra de agressão completamente ilegal e fútil”, afirmou Sachs. Ele ressaltou que o Irã demonstrou capacidade de dissuasão ao fechar os estreitos e impor um impasse que obrigou o presidente Trump a buscar um acordo. A derrota no campo militar, combinada com o crescente isolamento internacional, está inviabilizando o projeto expansionista.
Outro golpe decisivo vem da transformação da opinião pública nos Estados Unidos. O professor observou que a cobertura diária do genocídio em Gaza fez com que o apoio americano migrasse de Israel para os palestinos em apenas três anos. Como prova, citou as primárias democratas em Nova York, onde candidatos que defendem os direitos palestinos venceram de forma esmagadora — inclusive em distritos com forte presença judaica. “Os americanos apoiariam Israel, mas não apoiam o Grande Israel”, resumiu.
Sachs concluiu que, diante da inviabilidade de uma solução de força, Israel terá de repensar sua própria natureza. Na entrevista conduzida por Glenn Diesen no canal Glenn Diesen, ele defendeu uma saída negociada — seja um Estado binacional democrático ou dois Estados vivendo lado a lado — e alertou que a continuidade da violência e do apartheid transformará Israel em um Estado pária, ameaçando sua própria sobrevivência. “Não porque o mundo seja hostil, mas por seu próprio comportamento delinquente”, disse o economista, para quem “o delírio precisa acabar” para que se alcance a paz.