A nova pesquisa BTG/Nexus mostra que a rejeição ao presidente Lula oscilou para cima após a operação da Polícia Federal que atingiu o senador Jaques Wagner, um dos aliados mais próximos do petista. O percentual de eleitores que dizem não votar em Lula “de jeito nenhum” passou de 47% para 49%, alta de dois pontos percentuais.
O dado indica desgaste, mas não ruptura. A oscilação ocorre dentro de um ambiente de forte polarização e em meio ao avanço das investigações sobre o Banco Master, caso que também alcança personagens ligados à direita, incluindo Flávio Bolsonaro. Wagner deixou a liderança do governo no Senado após ser alvo da apuração, embora negue irregularidades e não tenha sido denunciado.
Mesmo com a alta na rejeição, Lula continua competitivo. Na mesma rodada BTG/Nexus, ele aparece com 42% no primeiro turno, contra 34% de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, o petista marca 47%, contra 44% do senador do PL, cenário de empate técnico.
O ponto central é que o caso Jaques Wagner produz ruído, mas ainda não alterou estruturalmente a corrida. A rejeição de Lula cresceu, porém Flávio também segue com índice elevado: sua rejeição passou de 52% para 51%, ainda acima da do presidente. Isso mostra que a eleição continua travada entre dois polos com forte base de apoio e alta resistência fora dela.
Para o Planalto, o alerta é evidente. Wagner não é um aliado qualquer: é amigo histórico de Lula, ex-governador da Bahia e operador político importante no Senado. Quando uma investigação atinge alguém desse núcleo, a oposição ganha munição para tentar colar no governo a narrativa de desgaste ético.
Mas a pesquisa também mostra que Lula preserva ativos eleitorais relevantes. No voto espontâneo, o presidente avançou de 36% para 38%, sinal de lembrança consolidada. Ou seja: mesmo sob pressão, Lula continua sendo o nome mais forte e mais imediatamente associado à disputa presidencial.
A fotografia da BTG/Nexus revela uma eleição altamente sensível a crises, mas ainda sem deslocamento decisivo. O caso Jaques Wagner aumenta a rejeição de Lula, pressiona o governo e alimenta a oposição. Ainda assim, não derruba o presidente do centro da disputa.
O recado político é claro: Lula segue forte, mas menos blindado. E 2026 tende a ser decidido justamente nesse terreno estreito entre desgaste, memória positiva, rejeição e capacidade de mobilização.