Mendonça decide enviar caso Dark Horse a PGR

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, deve enviar à Procuradoria-Geral da República nesta semana a investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro que entrou no centro do escândalo envolvendo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

A apuração mira os repasses atribuídos a Vorcaro para bancar a produção do longa, que tem forte dimensão política por tratar da trajetória do ex-presidente e por ter sido articulado em meio à pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Segundo a Agência Brasil, a PGR já havia defendido que Mendonça assumisse a relatoria do pedido, por ele ser o relator do caso Master no STF.

O caso ganhou força depois da revelação de que Flávio Bolsonaro pediu recursos a Vorcaro para viabilizar o filme. A AP informou que o senador negou irregularidades e sustentou que se tratava de uma iniciativa privada, sem oferta de benefício político ou uso de dinheiro público.

A Reuters também mostrou que Dark Horse, estrelado por Jim Caviezel, acabou arrastado para o escândalo do Banco Master, depois que Vorcaro foi preso em uma investigação sobre fraude bilionária. A produtora Go Up Entertainment negou ter recebido dinheiro do banqueiro.

O envio à PGR é uma etapa decisiva porque caberá à Procuradoria avaliar se há elementos para pedir abertura formal de investigação, arquivamento ou novas diligências. Na prática, a pergunta central é se o financiamento do filme foi apenas uma operação privada ou se havia interesse político, contrapartida, influência indevida ou tentativa de aproximar um banqueiro investigado do núcleo bolsonarista.

O episódio é especialmente sensível para Flávio Bolsonaro. O senador tenta se consolidar como herdeiro eleitoral do pai em 2026, mas a ligação com Vorcaro cria um flanco vulnerável. O problema não é apenas o filme. É o contexto: um projeto de propaganda política financiado por um banqueiro que virou alvo de uma das maiores investigações financeiras recentes do país.

Dark Horse nasceu para construir uma narrativa heroica sobre Jair Bolsonaro. Agora, porém, virou peça de uma investigação que pode expor as conexões entre cinema político, dinheiro privado, bancos sob suspeita e ambições eleitorais da direita.

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