A pressão social pelo fim da escala de trabalho 6×1 vem crescendo e ganhando força nas últimas semanas em todo o Brasil. Esse movimento contínuo da classe trabalhadora está tensionando o Senado Federal a debater e aprovar rapidamente a proposta.
Como havia sido anunciado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a medida foi o tema de um amplo debate nesta quarta-feira. O fim do regime 6×1, sem redução de salário, já havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados no último mês de maio.
Minutos antes da sessão, Davi Alcolumbre recebeu diversos parlamentares e líderes de centrais sindicais. O encontro fez parte das discussões fundamentais e da fase de elaboração do calendário de votação da matéria na Casa.
Os debatedores concordaram de maneira geral com o mérito da proposta em pauta. Ao todo, 56 oradores participaram da sessão plenária conduzida pelo senador Laércio Oliveira (PP-SE), reconhecendo que a medida representa o anseio da sociedade brasileira.
Uma parte dos presentes, no entanto, questionou aspectos como a velocidade com que a matéria entrou na pauta do Congresso Nacional em ano eleitoral. Também foram debatidos o impacto financeiro da medida para o país e possíveis alternativas como a negociação coletiva.
O senador Paulo Paim (PT-RS) comemorou a pluralidade do debate e o expressivo número de participantes de diversos setores da sociedade civil. Para ele, quase 40 anos após a Constituinte, o Congresso precisa cumprir sua missão e aprovar o fim da escala 6×1.
A líder do governo no Senado, senadora Teresa Leitão (PT-PE), reiterou que o Poder Executivo é amplamente favorável à aprovação da proposta. Ela negou que a matéria seja uma iniciativa oportunista de ano eleitoral, lembrando que o texto foi protocolado ainda em 2019.
Representantes do Executivo explicaram o apoio institucional à PEC detalhando seus incontáveis benefícios sociais e econômicos para o país. Na opinião do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, o debate sobre a redução da jornada é essencialmente humano e necessário para proteger quem carrega o país nas costas.
Estimativas apresentadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostraram que a redução da jornada diminui a desigualdade de apropriação da renda. O ministro do Empreendedorismo, Paulo Henrique Rodrigues Pereira, calculou que a mudança trabalhista deve alcançar mais de 15 milhões de pessoas.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre, considerou o dia histórico para o movimento sindical brasileiro. Ele ressaltou sua total certeza de que o Senado terá a mesma sensibilidade social demonstrada pela Câmara dos Deputados ao aprovar a PEC.
Representantes dos empregadores apresentaram objeções, apontando que mudanças dessa magnitude precisam considerar os efeitos sobre a produtividade. O presidente da Confederação Nacional da Indústria, Ricardo Alban, defendeu que a mudança seja alcançada de forma inteligente, racional e sem decisões precipitadas.
O setor rural e patronal também manifestou suas preocupações quanto à alta de custos no frete e na produção agrícola. Independentemente das objeções, o debate expôs a maturidade democrática e a urgência social da revisão da escala exploratória.
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