Drones sobre Moscou: analista Gilbert Doctorow fala sobre escassez de combustível e pressão sobre Putin

Os ataques de drones ucranianos sobre Moscou e outras regiões da Rússia estão gerando um impacto cada vez mais profundo na vida dos russos e na própria estabilidade política do país. A avaliação é do analista político Gilbert Doctorow, que conversou com o juiz Andrew Napolitano no canal Judging Freedom. Doctorow explicou que as investidas têm duas dimensões: uma de terror, voltada a abalar a opinião pública, e outra militar, direcionada a infraestrutura estratégica, como refinarias de petróleo.

Segundo Doctorow, alvos legítimos como a principal refinaria que abastece a região de Moscou foram atingidos, causando escassez de combustível em diversas regiões. “Em talvez 20% ou 30% das regiões da Rússia há uma falta real; nos outros 70% a 80%, é o medo da escassez que leva a população a estocar gasolina”, afirmou. Ele relatou que motoristas estão madrugando em filas nos postos e que a compra de galões para armazenar combustível disparou, exatamente o tipo de reação que o presidente Vladimir Putin queria evitar.

O analista destacou que a situação na Crimeia é particularmente grave. A península, tradicional destino de férias da classe média russa, está praticamente isolada. “Um amigo que vive nas colinas acima de Feodossia me contou que o motorista, um tártaro crimeano, não consegue gasolina, e eles estão presos lá em cima, sem provisões e sem poder descer à praia”, disse. Trens foram cancelados, as estradas estão sob ameaça constante e a ponte de Kerch tem enfrentado suspensões no tráfego por temor de ataques.

Na entrevista ao canal Judging Freedom, Doctorow afirmou que os ataques de longa distância contam com inteligência fornecida pelos Estados Unidos e equipamentos ocidentais, o que configura uma participação direta de Washington e de capitais europeias na guerra. “Isso é um ponto de virada. Os ucranianos sozinhos não teriam capacidade para atingir alvos a mil quilômetros de distância”, enfatizou. Para ele, Zelensky é apenas um executor de ordens, pressionado por ameaças à sua segurança pessoal caso não cumpra as exigências do Ocidente.

A pressão sobre Putin cresce dentro do próprio Kremlin. Doctorow relatou que os falcões do governo exigem uma resposta militar contundente: atacar centros de inteligência, coordenação militar e até eliminar a liderança política ucraniana. No entanto, o presidente russo tem optado por discursos cada vez mais frequentes, numa atitude que o analista comparou à fase terminal de Mikhail Gorbachev. “Ele está se mostrando tão ingênuo na condução da política externa quanto Gorbachev foi”, avaliou, acrescentando que Putin se tornou um líder isolado, cercado por assessores que só confirmam suas opiniões.

Doctorow alertou que as eleições parlamentares de setembro serão um teste crucial para o governo. As projeções indicam que o partido Rússia Unida, com o qual Putin se alinhou recentemente, pode perder a maioria na Duma caso não haja manipulação do processo eleitoral — algo que, segundo ele, as autoridades não ousariam fazer abertamente. “Se Putin não fizer algo significativo entre agora e setembro para mostrar que está à altura do desafio à soberania russa, ele poderá perder o poder”, concluiu. Enquanto a guerra se arrasta, as cenas de filas de gasolina e o isolamento da Crimeia se somam a uma insatisfação popular que pode definir os próximos capítulos do conflito.

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