PF bate na porta de Bacellar e aliados por possível ligação com CV

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira a quinta fase da Operação Unha e Carne, aprofundando uma das mais sensíveis investigações sobre a infiltração do crime organizado em estruturas políticas e econômicas do Rio de Janeiro. Entre os alvos estão o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar, o contraventor Adilsinho e o pastor e empresário Márcio Poncio, investigados por suspeitas de lavagem de dinheiro, vazamento de informações sigilosas e possíveis conexões com o Comando Vermelho (CV).

A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que expediu três mandados de prisão, 14 mandados de busca e apreensão e determinou o bloqueio de bens que podem chegar a R$ 22 milhões. As diligências ocorreram em diferentes endereços no Rio de Janeiro e na Baixada Fluminense.

Segundo a Polícia Federal, a nova fase concentra esforços para rastrear um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado à chamada nova cúpula do jogo do bicho e verificar sua eventual conexão com agentes públicos dos poderes Executivo e Legislativo fluminenses. A investigação também busca esclarecer o vazamento de informações sigilosas de operações policiais que teriam beneficiado integrantes do Comando Vermelho, permitindo destruição de provas e fuga de investigados.

Um dos principais focos da PF são documentos apreendidos anteriormente com Adilsinho. De acordo com os investigadores, o material contém registros de pagamentos, doações eleitorais e movimentações financeiras que podem indicar a existência de uma estrutura destinada a ocultar recursos ilícitos e aproximar interesses da contravenção de agentes políticos. A análise desse acervo ampliou significativamente o alcance do inquérito.

A presença de Rodrigo Bacellar entre os investigados aumenta o peso político da operação. Ex-presidente da Alerj e uma das figuras mais influentes da política fluminense, ele já havia sido alvo de fases anteriores da Operação Unha e Carne. A nova etapa demonstra que a PF considera haver elementos suficientes para aprofundar as investigações sobre sua eventual participação nas estruturas financeiras analisadas. Até o momento, os investigados têm negado irregularidades.

A inclusão de Márcio Poncio também amplia o alcance da investigação. Conhecido no meio empresarial e religioso, ele passa a integrar um conjunto de apurações que buscam identificar como recursos supostamente provenientes da contravenção poderiam ter sido movimentados por empresas e pessoas físicas para adquirir aparência de legalidade.

Mais do que uma operação policial, a quinta fase da Unha e Carne evidencia uma mudança na estratégia da Polícia Federal. O foco já não está apenas na atuação armada das organizações criminosas, mas principalmente em sua sustentação financeira e em suas possíveis conexões com setores da política e da economia formal.

Se as suspeitas forem confirmadas, o caso poderá revelar um esquema de grande alcance, envolvendo lavagem de dinheiro, financiamento ilícito e vazamento de informações estratégicas para uma das maiores facções criminosas do país. A investigação ainda está em andamento, e a responsabilização dos envolvidos dependerá das provas reunidas e do devido processo legal.

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