A crise entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) permanece sem solução, mesmo depois da carta pública em que Jair Bolsonaro pediu união entre os aliados. A confirmação partiu do próprio presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, em entrevista ao SBT News neste sábado (11): segundo ele, apenas o ex-presidente teria capital político suficiente para convencer Michelle a se engajar na campanha presidencial do enteado.
Um recado que a carta de Jair não bastou para resolver
A fala de Valdemar expõe o limite real do gesto simbólico feito por Jair Bolsonaro um dia antes. Mesmo com a carta manuscrita divulgada na sexta-feira (10), na qual o ex-presidente chamou Flávio de seu “porta-voz” e pediu que aliados deixassem diferenças de lado, o dirigente do PL confirmou que o racha entre os dois segue de pé — reconhecimento raro, vindo do próprio comando do partido, de que o apelo por unidade não produziu o efeito esperado.
Valdemar foi direto ao tratar o problema como uma questão estritamente familiar: para ele, somente Jair, com jeito, conseguiria convencer Michelle a apoiar a campanha, dado o peso eleitoral que ela carrega — especialmente junto ao público feminino, um dos eleitorados que o PL mais precisa mobilizar para viabilizar a candidatura presidencial de Flávio.
O torcedor por uma volta que ainda não aconteceu
Questionado sobre o futuro político de Michelle dentro da legenda, Valdemar admitiu torcer pelo retorno dela à presidência do PL Mulher, posto que deixou em meio ao agravamento da crise. A fala confirma que, até aqui, essa volta segue apenas no campo do desejo — não há, segundo o próprio dirigente, sinal concreto de reaproximação entre os dois lados.
A frase que expõe o que realmente está em jogo
O momento mais revelador da entrevista, porém, foi quando Valdemar conectou diretamente a unidade da família Bolsonaro ao destino jurídico do próprio ex-presidente. Segundo ele, “se nós perdemos [a eleição presidencial], o Bolsonaro ficará mais 10 anos preso” — frase que escancara o cálculo por trás de toda a pressão por reconciliação: não se trata apenas de uma disputa entre parentes por protagonismo político, mas de uma equação em que a soltura ou a permanência de Jair Bolsonaro em prisão domiciliar está, na leitura do próprio presidente do partido, diretamente atrelada ao resultado das urnas em outubro.
Vice ainda em aberto, com prazo cada vez mais curto
Valdemar também confirmou que a definição do vice na chapa de Flávio deve ocorrer apenas perto da Convenção Nacional do PL, marcada para 25 de julho em São Paulo — data que, segundo o próprio dirigente, seria o cenário ideal para fechar esse nome. Faltam pouco mais de duas semanas para o encontro, e o partido ainda não tem candidato a vice definido nem a crise interna resolvida — dois problemas que, somados, ameaçam transformar o que deveria ser a data de lançamento triunfal da candidatura presidencial de Flávio em uma vitrine involuntária das fraturas internas do bolsonarismo.