O jornalista Merval Pereira destacou, durante entrevista no programa Estúdio i, da GloboNews, que o aprofundamento das investigações da Polícia Federal no Rio de Janeiro pode minar a viabilidade eleitoral do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Essa avaliação se baseia na proximidade política entre o senador e figuras envolvidas em esquemas criminosos recentemente desarticulados pela operação Unha e Carne.
As operações policiais têm atingido diretamente aliados estratégicos da base fluminense do bolsonarismo, como o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil-RJ), preso com um fuzil em seu carro e apontado como articulador de um esquema que movimentou mais de R$ 7,6 bilhões. Apesar de não figurar formalmente como investigado, Flávio Bolsonaro sofre reflexos políticos por ter apoiado publicamente a candidatura de Canella ao Senado.
A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral, determinou, em decisão liminar de 22 de junho, a remoção imediata de postagens que vinculavam diretamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) às investigações da Operação Unha e Carne. A medida judicial reconhece a ausência de provas concretas contra o parlamentar, mas não neutraliza o dano reputacional causado pela associação indireta com personagens centrais do caso.
O padrão de alianças políticas construído pelo bolsonarismo no Rio de Janeiro revela uma dependência estrutural de atores com trajetórias questionáveis e vínculos com o crime organizado. Essa fragilidade sistêmica torna a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) particularmente vulnerável a novos desdobramentos investigativos, mesmo sem sua inclusão formal nos inquéritos.
A ofensiva da PF expõe uma contradição central na narrativa bolsonarista: a defesa retórica da lei e da ordem contrasta com práticas reais de apoio a figuras investigadas por corrupção e tráfico. Enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenta se posicionar como alternativa conservadora à esquerda, sua rede fluminense continua sendo escrutinada por crimes que desgastam a credibilidade moral de seu projeto nacional.
Ainda que a Justiça tenha impedido a veiculação de acusações diretas contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o efeito colateral das investigações já é visível no cenário político estadual e nacional. Sem uma ruptura clara e pública com os aliados envolvidos, sua pré-candidatura seguirá sob suspeita de cumplicidade tácita com estruturas criminosas que corroem a democracia fluminense.
Com informações de Brasil 247.