“Dark Horse” cobra seu preço: Flávio Bolsonaro desaba 20 pontos entre a direita não bolsonarista

REPRODUÇÃO

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) perdeu 20 pontos percentuais de apoio entre eleitores de direita que não se identificam com o bolsonarismo — recuando de 74% em maio para 54% em julho, segundo a nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (15) e repercutida pelo G1. É a primeira vez que um levantamento isola com tanta clareza onde exatamente mora o desgaste do pré-candidato: não no núcleo duro que o segue desde sempre, mas na fatia de eleitores conservadores mais dispostos a migrar para outras opções.

Uma curva de ascensão e queda em sete meses

O histórico da série é revelador: Flávio tinha apenas 45% de apoio nesse segmento em dezembro de 2025, quando anunciou a candidatura com a bênção do pai. Esse índice subiu de forma constante nos meses seguintes até atingir o pico de 74% em maio — e a partir daí começou a cair. Para o diretor da Quaest, Felipe Nunes, a explicação está diretamente relacionada à repercussão do caso “Dark Horse”: segundo ele, “depois do caso ‘Dark Horse’, as coisas mudaram significativamente” — mas justamente entre o público que menos tolera esse tipo de escândalo, já que a base bolsonarista mais fiel permaneceu praticamente intacta.

O episódio em questão envolve mensagens e um áudio divulgados em maio nos quais Flávio aparece cobrando recursos do banqueiro Daniel Vorcaro — hoje preso, investigado por fraude bilionária no Banco Master — para financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro estrelada por Jim Caviezel.

A base “calcificada” segura o índice geral, mas não o crescimento

Entre quem se declara bolsonarista, o apoio a Flávio segue estável e elevado, acima de 90% desde fevereiro — o que confirma a leitura de Felipe Nunes de que o desgaste é seletivo, e não generalizado. Ainda assim, mesmo com a queda de 20 pontos no segmento mais aberto a alternativas, o senador continua disparado à frente de qualquer outro nome de direita nesse recorte: Romeu Zema (Novo) tem 6%, Ronaldo Caiado (PSD) 5% e Renan Santos (Missão) 4% — números que também esbarram no baixo conhecimento desses candidatos, já que 44% dos entrevistados dizem não conhecer Caiado, 50% não conhecem Zema, e o desconhecimento sobre Renan Santos chega a 77%.

No cenário geral de primeiro turno, considerando todo o eleitorado, Lula lidera com 40% contra 28% de Flávio — distância de 12 pontos. Chama atenção também o crescimento da indecisão: de 5% em maio para 11% em julho, sinal de que parte do eleitorado que antes tinha escolha definida passou a reconsiderar sua posição.

Michelle sai fortalecida do racha público

A pesquisa também mediu, pela primeira vez, a repercussão direta da crise entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Do total de entrevistados, 49% disseram conhecer os vídeos em que ela criticou o senador, e entre esses, 42% afirmaram concordar mais com Michelle, contra apenas 18% que ficaram do lado de Flávio — os demais 22% não concordaram com nenhum dos dois. De forma geral, 45% avaliaram que Michelle acertou ao tornar pública a discordância, contra 38% que consideraram um erro. Mesmo dentro do eleitorado bolsonarista mais convicto, 20% já validam a atitude da ex-primeira-dama — proporção que sobe para 35% entre a direita não bolsonarista, o mesmo segmento que vem abandonando o senador em outras frentes.

Um padrão que se repete: o problema não é o bolsonarismo, é Flávio

O conjunto dos dados desenha um retrato consistente com o que outras pesquisas já vinham sugerindo nas últimas semanas: o desgaste de Flávio Bolsonaro não decorre de uma rejeição ao bolsonarismo em si — que segue com adesão praticamente intacta entre seus fiéis —, mas de uma dificuldade específica do senador em manter a confiança de um eleitorado de direita mais amplo e menos automaticamente leal à família. Escândalos como o do financiamento do “Dark Horse” e crises pessoais como a briga com Michelle atingem exatamente esse público de fronteira — o mesmo que, em tese, seria decisivo para transformar uma candidatura de nicho bolsonarista em um projeto presidencial competitivo o suficiente para de fato ameaçar a reeleição de Lula em outubro.

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