Datafolha vai medir se tarifaço e crise com Michelle já corroem Flávio Bolsonaro nas urnas

EUA anunciam taxa de 25% sobre produtos brasileiros / Reprodução

O instituto Datafolha aplicará entre esta quarta e sexta-feira uma nova rodada de pesquisa presidencial desenhada especificamente para captar o impacto de dois episódios que dominaram o noticiário político nas últimas semanas: o tarifaço imposto por Donald Trump contra produtos brasileiros e a crise pública entre Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A informação foi antecipada pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, e o resultado deve ser divulgado em 24 de julho — data que antecede por poucos dias a convenção nacional do PL, marcada para o mesmo mês.

Um questionário desenhado para medir desgaste, não só intenção de voto

O levantamento, encomendado pela Folha de S.Paulo, vai ouvir presencialmente 2.004 eleitores em todo o país. Além das perguntas tradicionais sobre voto e avaliação de governo, o questionário incluirá blocos específicos para verificar se o tarifaço alterou a percepção do eleitorado sobre as candidaturas de Lula (PT) e Flávio, e se o vídeo em que Michelle atacou publicamente o enteado teve repercussão mensurável sobre a imagem do senador. É uma escolha metodológica que revela a própria leitura do instituto sobre o momento político: não basta perguntar “em quem você vota”, é preciso isolar o efeito de cada escândalo específico sobre esse número.

Os cenários que serão testados

A pesquisa vai simular três confrontos de segundo turno: Lula contra Flávio, Lula contra Romeu Zema (Novo) e Lula contra Ronaldo Caiado (PSD) — testando a competitividade dos principais nomes cotados para enfrentar o presidente, caso ele confirme a candidatura à reeleição. Na rodada anterior do Datafolha, divulgada em 20 de junho, Lula já aparecia à frente em todos os cenários testados, com 47% contra 43% somados pelos adversários.

O levantamento também vai medir rejeição a uma lista de doze pré-candidatos — incluindo nomes como Zema, Caiado e Cabo Daciolo —, além de sondar a percepção da economia e qual os brasileiros consideram o principal problema do país hoje.

Por que essa rodada específica importa mais que as anteriores

O timing da pesquisa é o que a torna particularmente relevante: ela chega depois da confirmação oficial do tarifaço, da audiência de Flávio em Washington que gerou repercussão negativa até entre aliados, do vídeo de Michelle que expôs o racha familiar, e da sequência de pesquisas de outros institutos — Quaest, BTG/Nexus, Meio/Ideia — que já vinham captando alta na rejeição ao senador e queda em seu desempenho fora do núcleo bolsonarista mais fiel. O Datafolha, tradicionalmente um dos institutos mais influentes do país, deve funcionar como um teste de convergência: se os números confirmarem a mesma tendência já registrada por outros levantamentos, a leitura de que o tarifaço e a crise familiar estão de fato corroendo a candidatura de Flávio ganha um respaldo ainda mais robusto — justamente às vésperas do momento em que o PL precisa demonstrar força e unidade na convenção que lançará oficialmente sua candidatura presidencial.

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