Segundo o Drop Site News, os Estados Unidos escalaram drasticamente os ataques contra o Irã na quinta e sexta-feira, 16 e 17 de julho, atingindo alvos civis pelo sexto noite consecutiva. Pontes, um entroncamento ferroviário, um aeroporto e uma torre de telecomunicações foram bombardeados na província de Hormozgan, segundo autoridades locais. O ataque à ponte de Bandar-e-Khamir matou ao menos sete pessoas e feriu outras nove, informou a agência Fars.
O Ministério da Energia iraniano confirmou danos em linhas de transmissão na região de Bandar Abbas, mas afirmou que a rede elétrica foi estabilizada. O Comando Central dos EUA (CENTCOM) também anunciou que fuzileiros navais abordaram o petroleiro M/T Wen Yao no Golfo de Omã, como parte de um bloqueio naval renovado contra Teerã. Segundo o governo iraniano, as baixas civis acumuladas em julho já somam 38 mortos e mais de 400 feridos.
Em resposta, o Irã ampliou seus ataques retaliatórios contra instalações militares americanas no Golfo, atingindo alvos no Kuwait, Catar, Omã e Bahrein, além de expandir a ofensiva para a Jordânia, Síria e Iraque. Os Guardas Revolucionários lançaram drones Arash contra a Base Aérea de Isa, no Bahrein, mirando helicópteros e aeronaves de reconhecimento dos EUA. No Kuwait, um ataque iraniano danificou uma usina de dessalinização e geração de energia, classificada pelo governo local como “ataque iraniano pecaminoso”.
Qatar informou que estilhaços de mísseis feriram uma criança, e a Guarda Revolucionária reivindicou a destruição de um sistema de radar de longo alcance na Base Aérea de Al-Udeid. Na Síria, o Irã afirmou ter atacado um centro de operações especiais da coalizão liderada pelos EUA em Al-Tanf , base que Washington diz ter abandonado em fevereiro, sem confirmação de baixas americanas. Imagens de satélite publicadas pela empresa Soar contradizem a versão dos Emirados Árabes de que um incêndio em uma instalação militar em Abu Dhabi teria sido “acidental”, sugerindo que foi um ataque iraniano.
O embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, enviou uma carta ao Conselho de Segurança e ao secretário-geral condenando os bombardeios americanos contra infraestrutura civil como “atos de agressão” e “crimes de guerra”, acusando Washington de atingir deliberadamente alvos não militares em violação ao direito internacional. A denúncia ocorre em meio ao alerta de Fatih Birol, chefe da Agência de Informação de Energia dos EUA, de que o mercado de petróleo está queimando seus estoques emergenciais, ameaçando um choque global de oferta.
Enquanto o confronto com o Irã se intensifica, Israel continua a violar o cessar-fogo no Líbano com ataques noturnos e matou 14 pessoas em Gaza no mais alto nível de violência desde a trégua declarada. O exército israelense avança com sua “Linha Amarela” sobre a principal artéria norte-sul de Gaza. Soldados israelenses agrediram um médico palestino e lhe negaram assistência médica, e uma participante da flotilha de Gaza registrou queixa de estupro contra guardas israelenses.
Nos Estados Unidos, o secretário de Estado Marco Rubio lançou uma ofensiva contra o que chamou de “terroristas de extrema-esquerda”, anunciando que novas designações serão emitidas em breve. A medida sinaliza um endurecimento do governo Trump contra movimentos internos, em paralelo à escalada militar externa. A combinação de guerra no Oriente Médio e repressão doméstica aprofunda a crise de legitimidade da administração americana.


Marta Souza
19/07/2026
Enquanto Washington e Teerã trocam mísseis, quem paga a conta é o contribuinte americano e o iraniano comum. Se o Estado usasse esse dinheiro para baixar impostos e liberar a economia, em vez de financiar guerra, talvez houvesse menos civis virando estatística. Alguém já calculou quanto o barril de petróleo vai subir amanhã com essa gritaria no Golfo?
João Carvalho
19/07/2026
A escalada no Oriente Médio revela o que teóricos como Achille Mbembe chamariam de “necropolítica” em ação: a administração seletiva da morte, em que vidas civis são tratadas como danos colaterais aceitáveis quando os alvos são países periféricos. Enquanto Washington justifica ataques a infraestrutura civil iraniana como “autodefesa”, Teerã responde mirando bases militares — mas a assimetria de poder e a impunidade de Israel, que mata 14 palestinos simultaneamente, mostram que o direito internacional segue servindo aos interesses das potências centrais. Cabe perguntar: quantos civis precisam morrer para que a comunidade internacional exija um cessar-fogo vinculante, e não apenas condenações retóricas?