O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, participa nesta segunda-feira (20) da convenção da federação União Progressista (União Brasil e PP), realizada na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). O evento oficializa o apoio da federação à reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e confirma a candidatura do deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) ao Senado na mesma chapa estadual.
Um convite com propósito claro
A presença de Flávio no evento foi articulada pelo próprio Derrite, numa tentativa explícita de projetar, ao menos visualmente, o respaldo da federação à pré-candidatura presidencial do senador. É um gesto que busca capitalizar politicamente a força eleitoral de Tarcísio — hoje um dos governadores mais bem avaliados do país — para tentar amenizar o desgaste recente que a candidatura de Flávio vem acumulando em pesquisas nacionais.
Mas o alinhamento não passa de São Paulo
O problema para Flávio é que esse respaldo tem validade regional, não nacional. Segundo apurou o colunista Igor Gadelha, do Metrópoles, a tendência é que a federação União Progressista adote postura de neutralidade na disputa presidencial em todo o país — recusando-se a declarar apoio formal à candidatura do senador petista adversário. Dirigentes da federação avaliam, nos bastidores, que manter neutralidade nacional garante mais margem de negociação ao longo do período eleitoral e dá liberdade para que diretórios regionais construam alianças conforme a dinâmica de cada estado, sem amarrar o partido a um único palanque presidencial.
Uma confirmação do que já se temia dentro do próprio PL
O episódio confirma, na prática, um receio que já circulava internamente no PL nas últimas semanas: o de que a federação PP/União Brasil optasse pela equidistância em vez de embarcar de corpo e alma na candidatura de Flávio — um risco que, segundo relatos anteriores, já preocupava dirigentes do próprio partido do senador, temerosos de perder aliados estratégicos justamente no momento em que mais precisariam de coesão. A ida de Flávio à convenção paulista, portanto, funciona mais como tentativa de blindagem de imagem — mostrar-se presente, cercado de lideranças de peso do centrão — do que como sinal de uma aliança nacional efetivamente construída.
Pré-campanha em segundo plano na agenda
Aproveitando a passagem por São Paulo, Flávio também cumpre compromissos de pré-campanha: reuniões com sua equipe e gravação de conteúdo para redes sociais e material de propaganda. Esse tipo de agenda dupla — presença institucional em eventos de aliados regionais somada à produção de conteúdo próprio — tem sido a tônica da estratégia do senador nas últimas semanas, na tentativa de reverter um cenário que pesquisas recentes já descrevem como de desgaste crescente, tanto pela repercussão do tarifaço quanto pela crise pública com Michelle Bolsonaro.