Em análise publicada em 18 de julho, o portal Ars Technica destaca o dilema da inteligência artificial aplicada à autorização prévia de procedimentos médicos. Enquanto a tecnologia promete acelerar aprovações de pedidos considerados simples, cresce o receio de que ela também facilite negações indevidas de tratamentos.
A autorização prévia é o processo em que o paciente precisa obter aprovação do plano de saúde antes de realizar exames, cirurgias ou usar certos medicamentos. Quando bem empregada, evita gastos desnecessários. No entanto, a maioria dos médicos aponta que os atrasos frequentes levam pacientes a abandonar tratamentos recomendados.
Uma pesquisa da Associação Médica Americana (AMA) de 2025 revelou que 61% dos médicos temem que o uso de IA pelas seguradoras aumente as negativas de cobertura para tratamentos que consideram necessários. A AMA defende que as operadoras sejam obrigadas a fornecer justificativas clínicas detalhadas para cada recusa e a dar mais transparência sobre os algoritmos empregados.
O analista de políticas de saúde Camm Epstein, em declaração ao Undark, resumiu o receio do setor: “a IA deveria ser usada para tornar mais fácil aprovar o cuidado adequado, não para tornar mais fácil negar o cuidado necessário”.
Desde 2025, o governo de Donald Trump pilota um programa em seis estados americanos que usa IA para reduzir gastos médicos considerados desnecessários. A iniciativa levanta o mesmo debate: até que ponto a automação ajuda a filtrar abusos sem prejudicar pacientes que realmente precisam do tratamento.
O resultado, segundo o Ars Technica, ainda é incerto. O sistema segue tortuoso, e a tecnologia, por si só, não resolve o conflito entre controle de custos e acesso à saúde.