Parceria China-Rússia: igualdade em risco, dados mostram assimetria

Ilustração editorial sobre Parceria China-rússia: igualdade em risco, dados mostram assimetria. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

Segundo o Scmp, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou no dia 14 de julho que a parceria entre Rússia e China é “baseada no princípio da igualdade”. A declaração foi uma resposta a um artigo do Wall Street Journal, mas os números contam uma história diferente, segundo o portal South China Morning Post.

Antes da crise na Ucrânia, em 2014, a União Europeia era o principal parceiro econômico da Rússia , respondia por 57% das exportações e 46,5% das importações russas. A anexação da Crimeia e as sanções europeias, porém, forçaram Moscou a buscar alternativas. A China surgiu como o destino natural para o gás natural russo, resultando em um acordo de US$ 400 bilhões assinado por Xi Jinping e Vladimir Putin em maio daquele ano.

Pelo contrato de 30 anos, a Gazprom fornece 38 bilhões de metros cúbicos de gás por ano à estatal chinesa CNPC. A dependência russa do mercado chinês, no entanto, é muito maior que a chinesa do russo: a China é o maior parceiro comercial de Moscou, mas a Rússia representa apenas 4% do comércio exterior chinês.

Para analistas, essa assimetria estrutural coloca em xeque a narrativa de igualdade entre as duas potências. Enquanto a China diversifica suas fontes de energia e mantém múltiplos parceiros comerciais, a Rússia se vê cada vez mais atrelada a um único grande comprador.

A parceria estratégica de coordenação para uma nova era, formalizada em 2019, avança em discurso e em acordos, mas o peso real dos dois lados é visivelmente desigual , o que não impede que ambos compartilhem o objetivo de contrapor a hegemonia ocidental no cenário global.

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