Segundo o Scmp, o gabinete do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, reagiu com dureza, no último domingo (19), à declaração do prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, de que estuda prender o líder israelense durante sua passagem pela cidade para a cúpula da Organização das Nações Unidas (ONU). Em postagem na rede X, o escritório de Netanyahu afirmou que Mamdani “deveria se concentrar em consertar os danos que suas políticas causaram a Nova York”, segundo o South China Morning Post.
Mamdani, em entrevista ao jornal The New York Times, foi direto: “Acredito que o primeiro-ministro Netanyahu pertence a Haia. Ele é um criminoso de guerra que foi denunciado pelo Tribunal Penal Internacional”. O prefeito acrescentou que está consultando advogados sobre sua autoridade para ordenar que a polícia detenha um líder estrangeiro e disse que fará “tudo o que a lei permitir” em Nova York.
A ameaça de prisão ocorre em meio à crescente pressão internacional sobre Israel por sua conduta na ofensiva contra Gaza. O TPI emitiu mandado de prisão contra Netanyahu, acusando-o de crimes de guerra, o que obriga os 124 Estados-membros do tribunal a detê-lo se ele pisar em seu território. Embora os Estados Unidos não sejam signatários do Estatuto de Roma, a declaração de Mamdani sinaliza que o isolamento político de Israel começa a atingir aliados tradicionais.
O caso expõe um raro conflito entre a administração municipal de Nova York, uma das cidades-símbolo do poder americano, e o governo israelense. Ao invocar a jurisdição internacional contra um aliado histórico dos EUA, Mamdani coloca em xeque o alinhamento automático de Washington com Tel Aviv e reforça a narrativa de que a impunidade de Netanyahu tem prazo de validade.