Bomba: elo entre Flávio Bolsonaro e Thiago Miranda ameaça implodir a campanha do PL

Thiago Miranda, em foto publicada em rede social

O pânico tomou conta do QG de Flávio Bolsonaro. Segundo a coluna de Bela Megale, no jornal O Globo, aliados do senador e presidenciável do PL passaram a temer que o publicitário Thiago Miranda — alvo da 10ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal — se transforme no “homem-bomba” da campanha bolsonarista, conforme repercutiu o Brasil 247.

O motivo do desespero é simples: Miranda não é um coadjuvante qualquer. Ele é apontado como o elo direto entre o senador e Daniel Vorcaro, o ex-dono do Banco Master — a instituição liquidada pelo Banco Central e no centro de uma das maiores investigações de fraude financeira da história recente do país, com bloqueio de bens que já passa de R$ 5,7 bilhões determinado pelo STF.

Foi Miranda quem intermediou a negociação que resultou no aporte de R$ 62 milhões de Vorcaro no filme “Dark Horse”, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Foi ele também quem articulou, no fim de 2024, uma reunião entre o banqueiro e Flávio — encontro que, segundo as defesas, acabou não acontecendo. E, de acordo com reportagem do Intercept Brasil de maio, foi por meio dessa ponte que o próprio Flávio chegou a cobrar pessoalmente de Vorcaro, por áudio e mensagens, o pagamento do patrocínio do filme — um contrato que chegaria a R$ 134 milhões no total.

“Se cair, não cai sozinho”

O que tirou o sono do clã é o recado que, segundo a apuração de Megale, chegou aos interlocutores de Flávio: Miranda estaria sinalizando que, caso venha a ser responsabilizado, não assumirá a conta sozinho — e envolverá autoridades do meio político.

E o publicitário sabe muito. Como O Cafezinho mostrou no dia 9 de julho, a PF o aponta como o principal operador do “Projeto DV” (as iniciais de Daniel Vorcaro): um esquema para recrutar influenciadores digitais e jornalistas, com pagamentos de até R$ 2 milhões e contratos de confidencialidade, para atacar o Banco Central e blindar o dono do Master nas redes. Quem recusava o dinheiro, segundo os investigadores, virava alvo de intimidação com dados privados obtidos clandestinamente — caso da jornalista Malu Gaspar, do Globo, que teve a vida devassada pelo grupo. A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, que apontou o uso de recursos das fraudes do Master para financiar a campanha de desinformação.

Detalhe que aperta ainda mais o cerco: Miranda é figura de dentro do bolsonarismo. Ele já trabalhou como assessor de Fernanda Bolsonaro, esposa do senador.

A campanha refém dos próprios esqueletos

O caso Master é hoje o maior fantasma da candidatura de Flávio. De um lado, dinheiro suspeito de um banco fraudado irrigando um filme de propaganda da família Bolsonaro; de outro, um operador encurralado pela PF acenando que pode abrir o jogo. Tudo isso somado ao histórico que persegue o senador há anos — das rachadinhas no gabinete da Alap às “mesadinhas” reveladas nas investigações — e ao desgaste de uma campanha que ainda não conseguiu explicar sua relação com o banqueiro.

Enquanto o bolsonarismo se afunda nos próprios esquemas, o contraste se impõe por si só: de um lado, a farra com dinheiro público e privado; de outro, um projeto de reconstrução do país. Em 2026, a escolha das urnas passa também por isso — seriedade e transparência ou a velha novela de escândalos da família Bolsonaro.

Foto: Thiago Miranda, em foto publicada em rede social (Reprodução)

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