Pentágono pede mais R$ 462 bilhões ao Congresso enquanto Trump ameaça atingir bunker “inatingível” no Irã

Isac Nobrega/PR/Divulgação

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, confirmou nesta terça-feira (21), em audiência no Senado, que a guerra contra o Irã já consumiu US$ 37,5 bilhões — cerca de R$ 192 bilhões — dos cofres americanos, e que a Casa Branca pediu ao Congresso um pacote suplementar adicional que pode chegar a US$ 90 bilhões, o equivalente a quase R$ 462 bilhões. A cifra, apresentada ao lado do chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, reacendeu o debate em Washington sobre até onde o país está dispostos a ir — financeira e militarmente — num conflito que já dura quase cinco meses sem sinal de desfecho.

Uma guerra que começou com a morte do líder supremo do Irã

O conflito eclodiu em 28 de fevereiro de 2026, quando forças americanas e israelenses lançaram quase 900 ataques em 12 horas contra alvos militares, mísseis e lideranças iranianas — ofensiva batizada de “Operação Fúria Épica” que matou o próprio líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e dezenas de outras autoridades. Um cessar-fogo de 14 pontos, mediado pelo Paquistão, chegou a ser assinado em 19 de junho, mas colapsou semanas depois, dando lugar a uma nova sequência de bombardeios diários que persiste até hoje. Segundo o Comando Central americano (CENTCOM), as forças dos EUA completaram nesta terça-feira o 11º dia consecutivo da fase mais recente de ataques.

O saldo humano também tem crescido de forma constante: segundo os dados apresentados ao Congresso, 18 militares americanos morreram desde o início da campanha e cerca de 430 ficaram feridos — números que, para efeito de comparação, já superam baixas de outros conflitos recentes envolvendo tropas dos EUA no Oriente Médio. Do lado iraniano, organizações de direitos humanos como a HRANA estimam milhares de mortos, embora Teerã não divulgue balanços oficiais completos.

O alvo que pode ser militarmente intransponível

O centro da escalada retórica atual é a chamada Pickaxe Mountain, instalação nuclear iraniana fortificada e construída em túneis profundos, cuja existência foi declarada à Agência Internacional de Energia Atômica ainda em 2020. Trump prometeu publicamente atacar o complexo “em breve”, mas especialistas ouvidos pela CNN — entre eles James Acton, do Carnegie Endowment — duvidam que o arsenal americano seja capaz de fazer mais do que colapsar parcialmente os túneis de acesso à estrutura. O senador republicano John Kennedy chegou a cobrar publicamente de Hegseth “respostas diretas” sobre a real capacidade americana de destruir instalações tão profundamente enterradas — questionamento que o secretário evitou responder com detalhes técnicos.

Enquanto isso, o conflito segue se espalhando regionalmente: Kuwait, Bahrein e Jordânia relataram interceptação de ataques aéreos, e as forças houthis do Iêmen, alinhadas ao Irã, já alertaram embarcações sauditas a evitar o Mar Vermelho — sinal de que o risco de contágio regional segue crescendo a cada nova rodada de hostilidades.

Divisão em Washington: custo sem estratégia de saída clara

O pedido de mais recursos ao Congresso expôs divisões que atravessam os dois partidos. A senadora democrata Patty Murray classificou a condução da guerra por Trump como imprudente e alertou que ameaças contra infraestrutura civil iraniana poderiam configurar uma escalada perigosa sob o direito internacional. Democratas também questionaram publicamente por que o Pentágono precisaria de um novo pacote bilionário quando ainda dispõe de US$ 75 bilhões não utilizados do orçamento aprovado no ano anterior — indício, segundo críticos, de que a urgência do pedido tem mais a ver com sinalização política do que com necessidade orçamentária imediata.

A guerra também pressiona o próprio orçamento anual do Pentágono, hoje próximo de US$ 1 trilhão. Autoridades militares argumentam que a continuidade das operações vem reduzindo recursos disponíveis para manutenção de equipamentos, treinamento de tropas e modernização das Forças Armadas — um trade-off que, segundo analistas de política externa, tende a se agravar quanto mais o conflito se estender sem uma estratégia declarada de encerramento.

Um padrão que se repete desde 2025

O episódio de hoje se soma a uma sequência de fracassos diplomáticos que já vinha sendo documentada por relatórios do Congresso americano: negociações entre Washington e Teerã em abril-junho de 2025 e fevereiro de 2026 já haviam colapsado nos mesmos pontos — o enriquecimento de urânio iraniano e a exigência americana de desmantelamento nuclear completo. Cada rodada de diálogo fracassado foi seguida ou interrompida por nova ação militar, um ciclo que, cinco meses depois do início da guerra, ainda não mostra sinais de se romper — e que agora custa aos contribuintes americanos, segundo estimativas independentes, algo próximo de R$ 3,9 mil por pessoa.


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Redação:
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