O líder político afirma que o grupo não aceitará os apelos de desarmamento de Israel e dos EUA, criticando plano de paz de Trump
Em pronunciamento durante uma conferência em Doha, no Catar, o líder político do Hamas, Khaled Meshaal, declarou que o movimento palestino rejeita qualquer forma de dominação ou tutela estrangeira sobre a Faixa de Gaza.
A declaração representa uma reação direta ao plano de paz proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que entrou em sua segunda fase em meados de janeiro.
Rejeição ao desarmamento e defesa da “resistência”
Meshaal foi enfático ao afirmar que o Hamas não abrirá mão de suas armas, ignorando os apelos de Israel e dos EUA para o desarmamento do grupo.
“Criminalizar a resistência, suas armas e aqueles que a lideraram é algo que não devemos aceitar”, declarou. “Enquanto houver ocupação, haverá resistência. A resistência é um direito dos povos sob ocupação.”
A segunda fase do plano americano prevê justamente o desarmamento do Hamas e a retirada gradual das tropas israelenses do enclave palestino. No entanto, o grupo, que governa Gaza desde 2007, descartou a proposta, indicando que só consideraria entregar suas armas a uma futura autoridade palestina.
Preocupação com a reconstrução e governança
O líder do Hamas demonstrou cautela em relação ao chamado “Conselho da Paz” de Trump, que supervisionaria a transição. Meshaal afirmou que o conselho deveria adotar uma “abordagem equilibrada” para garantir a reconstrução de Gaza e o fluxo de ajuda humanitária.
No entanto, fez uma ressalva fundamental: “Nós aderimos aos nossos princípios nacionais e rejeitamos a lógica da tutela, qualquer intervenção estrangeira ou o retorno de um mandato de qualquer forma. Os palestinos devem ser governados por palestinos. Gaza pertence ao povo de Gaza e à Palestina.”
Interesses econômicos israelenses
A declaração ocorre em um momento em que Israel avalia seus próprios interesses no pós-conflito. Segundo reportagem do jornal Haaretz, autoridades israelenses estão discutindo oportunidades econômicas ligadas à reconstrução de Gaza. Entre as ideias está a construção de uma rodovia em território israelense para conectar Gaza à Cisjordânia, financiada por outros países, e a exploração de negócios no fornecimento de eletricidade para o enclave.
Com informações do Middle East Eye em 08/02/2026


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