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Aprovação de Lula cresce em nova pesquisa Ipec (ex-Ibope)

A pesquisa Ipsos/Ipec divulgada nesta terça-feira (10) registra um avanço discreto, mas consistente, na avaliação positiva do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Realizado entre 5 e 9 de março, com 2 mil entrevistas em 131 municípios e margem de erro de dois pontos percentuais, o levantamento aponta que 33% dos brasileiros classificam […]

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Presidente Lula durante declaração conjunta à imprensa
Foto: Ricardo Stuckert / PR

A pesquisa Ipsos/Ipec divulgada nesta terça-feira (10) registra um avanço discreto, mas consistente, na avaliação positiva do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Realizado entre 5 e 9 de março, com 2 mil entrevistas em 131 municípios e margem de erro de dois pontos percentuais, o levantamento aponta que 33% dos brasileiros classificam a administração como ótima ou boa, três pontos acima dos 30% verificados tanto em dezembro de 2025 quanto em setembro do mesmo ano.

Avaliação do presidente Lula - Pesquisa Ipsos/Ipec março 2026
Fonte: Ipsos-Ipec / g1

O índice de rejeição permanece estável em 40%, enquanto a faixa de avaliação regular recuou de 29% para 24%. Os números não indicam ruptura abrupta, mas revelam uma tendência de recomposição lenta da base de apoio do presidente em um contexto de polarização política e pressões econômicas persistentes.

Essa movimentação positiva ganha relevância quando observada em conjunto com outros indicadores do mesmo estudo. A aprovação à maneira como Lula administra o país subiu de 42% para 43%, enquanto a reprovação caiu de 52% para 51%. A confiança no presidente mantém-se em 40%, patamar estável desde o segundo semestre de 2025. Também chama atenção o leve aumento na percepção de que o governo está “melhor do que o esperado” (de 24% para 25%), acompanhado da redução daqueles que o consideram “igual ao esperado” (de 31% para 28%).

Aprovação do presidente Lula - Pesquisa Ipsos/Ipec março 2026
Fonte: Ipsos-Ipec / g1

No campo econômico, os dados refletem um Brasil ainda dividido entre percepção e expectativa. Nos últimos seis meses, 42% avaliam que a situação piorou (contra 27% que veem melhora). No entanto, para os próximos seis meses, 36% projetam cenário mais favorável, índice ligeiramente superior aos 35% de dezembro. A combinação de rejeição estável com aprovação em alta é compatível com a hipótese de que parte da sociedade começa a separar a crítica conjuntural da avaliação geral da gestão.

Do ponto de vista político, o resultado reforça a resiliência do projeto petista em um terceiro mandato marcado por desafios estruturais: inflação controlada mas ainda sensível, recuperação do emprego em ritmo moderado e agenda de reformas que divide opiniões no Congresso. A queda na categoria “regular” pode sinalizar que parcelas antes indecisas ou céticas estão migrando para uma posição mais definida, seja de apoio ou de rejeição.

A pesquisa não perguntou sobre intenção de voto para 2026, mas o cenário de aprovação em 33% e confiança em 40% oferece ao Palácio do Planalto um ponto de partida mais confortável do que o registrado no final de 2025. Em um país onde a polarização tende a cristalizar posições, cada ponto percentual conquistado na faixa positiva tem peso próprio.

É cedo para falar em virada estrutural. A rejeição ainda supera a aprovação em sete pontos, e a economia continua sendo o principal termômetro da opinião pública. Contudo, o dado de março sinaliza que a narrativa de “governo em recuperação” ganha corpo entre eleitores que priorizam estabilidade institucional e retomada do crescimento com distribuição de renda.

Em um ano eleitoral, números como esses alimentam tanto o otimismo da base governista quanto a necessidade de cautela da oposição. O Planalto sabe que aprovação não se constrói apenas com comunicação, mas com resultados palpáveis no bolso do brasileiro.

A pesquisa Ipsos/Ipec de março de 2026, portanto, não anuncia transformação radical. Os dados apontam uma correção de rota gradual, mas mensurável, na trajetória de avaliação de Lula. Resta acompanhar se a economia responderá à altura dessa expectativa que, lentamente, volta a se formar.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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