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Ormuz está fechado só para os EUA e Israel, diz chanceler iraniano

Ministro afirmou em entrevista à MSNBC que Irã responderá a novos ataques e acusou Washington de lançar foguetes contra seu território a partir dos Emirados Árabes Unidos.

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O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou em entrevista à rede americana MSNBC que o Estreito de Ormuz não foi totalmente fechado, mas que apenas navios ligados aos Estados Unidos e a Israel estão impedidos de atravessá-lo.

Segundo o chanceler, a medida é uma resposta direta aos bombardeios americanos contra a infraestrutura energética iraniana.

“Na verdade, o Estreito de Ormuz está aberto. Ele está fechado apenas para navios e petroleiros pertencentes aos nossos inimigos — àqueles que estão nos atacando e aos seus aliados.”

Ele acrescentou que outras embarcações continuam transitando normalmente pelo estreito, embora algumas companhias estejam evitando a área por razões de segurança.

“Outros são livres para passar. Muitos preferem não fazê-lo por preocupações de segurança, mas isso não tem nada a ver conosco”, disse.

A declaração ocorre em meio a uma nova escalada militar no Golfo Pérsico, que inclui ataques americanos contra instalações petrolíferas iranianas.

Ataques à infraestrutura petrolífera

Na entrevista, Araghchi confirmou que instalações energéticas do Irã foram atingidas por foguetes disparados por forças americanas. Segundo ele, o ataque teve como alvo a ilha de Kharg, um dos principais terminais de exportação de petróleo do país.

“Na noite passada, eles atacaram a ilha de Kharg e a ilha de Abu Musa com o sistema de foguetes HIMARS”, afirmou o chanceler.

O ministro disse ainda que os projéteis teriam sido disparados a partir do território de países vizinhos.

“Está claro agora que eles estão usando o território de nossos vizinhos para nos atacar com esse tipo de foguete”, declarou.

Segundo ele, as forças iranianas rastrearam a origem dos disparos e identificaram que os foguetes partiram dos Emirados Árabes Unidos, de dois locais: um em Ras al-Khaimah e outro nas proximidades de Dubai.

Araghchi classificou a situação como “extremamente perigosa”, alertando que as operações militares estão sendo conduzidas a partir de áreas densamente povoadas.

“É muito perigoso que usem áreas altamente povoadas para lançar foguetes contra nós”, disse.

Ameaça de retaliação

O chanceler afirmou que o Irã responderá caso suas instalações energéticas continuem sendo alvo de ataques. Segundo ele, qualquer infraestrutura energética associada a empresas americanas na região pode ser atingida.

“Nossas forças armadas já deixaram claro que retaliarão se nossa infraestrutura de petróleo e energia for atacada.”

Ele acrescentou que a resposta iraniana buscará evitar áreas civis.

“Nós certamente retaliaríamos, mas tentaremos ser cuidadosos para não atingir áreas povoadas.”

Araghchi também acusou Washington de atingir alvos civis no Irã, citando ataques contra escolas, hospitais e edifícios bancários como exemplos.

“Eles atacaram uma escola em Minab, atacaram hospitais e até um prédio de banco. O que estamos fazendo é responder com o mesmo princípio: olho por olho”, declarou.

Guerra “imposta”

Durante a entrevista, o ministro insistiu que o conflito foi iniciado pelos Estados Unidos e por Israel, e que Teerã apenas reage a uma agressão externa.

“Esta não é nossa guerra. É uma guerra imposta contra nós.”

Araghchi também confirmou que o Irã mantém cooperação estratégica com Rússia e China, inclusive no campo militar, mas evitou detalhar o nível de apoio recebido.

“Rússia e China são nossos parceiros estratégicos e temos cooperação estreita com eles, inclusive militar.”

Negociações anteriores ao conflito

O chanceler também comentou as negociações que antecederam o início do conflito. Segundo ele, conversas realizadas em fevereiro, em Genebra, indicavam avanços diplomáticos.

“Conseguimos fazer um bom progresso nas negociações. O ministro das Relações Exteriores de Omã disse que houve um progresso significativo.”

Araghchi negou ter ameaçado produzir armas nucleares durante as negociações. Ele afirmou que apenas mencionou dados já divulgados pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

“Eu nunca disse que iríamos fabricar bombas. Disse apenas que temos 440 quilos de material enriquecido a 60%, algo que já consta nos relatórios da AIEA.”

Segundo o chanceler, Teerã estaria disposto a reduzir o nível desse material como parte de um acordo.

“Estávamos prontos para diluir esse material e reduzi-lo a níveis mais baixos.”

Para o ministro iraniano, as acusações feitas por autoridades americanas sobre essas negociações seriam uma tentativa de justificar a ofensiva militar.

“Eles estão tentando criar desculpas para justificar um ato de agressão que não pode ser justificado”, concluiu.

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