A startup R3 Bio está propondo um projeto audacioso que envolve a criação de clones humanos para transplantes de cérebros. Desde meados da década de 1990, a clonagem de animais tem capturado a imaginação dos cientistas, com a ovelha Dolly sendo o primeiro mamífero clonado a partir de uma célula adulta. No entanto, a clonagem de embriões humanos continua a ser um território controverso.
Recentemente, a R3 Bio, apoiada por bilionários, anunciou que está levantando fundos para desenvolver organismos chamados de “sacos de órgãos” (organ bags) de macacos não sencientes. Esses organismos conteriam todos os órgãos típicos, exceto o cérebro, servindo como fonte de tecidos e órgãos doadores, segundo uma reportagem da Futurism. Contudo, uma investigação da Futurism revela que os fundadores da R3 Bio têm uma ambição ainda mais ousada: criar clones humanos “sem cérebro” para que indivíduos envelhecidos ou doentes possam um dia transplantar seus cérebros.
Embora a ideia de clones sem cérebro possa contornar alguns dilemas morais segundo seus proponentes, ela não está isenta de controvérsias éticas. A empresa, no entanto, se distanciou das alegações sobre clones humanos sem cérebro, afirmando que seu fundador nunca fez declarações sobre tais clones hipotéticos. Ainda assim, a cofundadora Alice Gilman mencionou que a equipe reserva-se o direito de discutir futuramente sobre clones humanos sem cérebro.
Do ponto de vista biológico, a viabilidade de substituir o corpo inteiro é questionável. O pesquisador da Michigan State University, Jose Cibelli, destacou as inúmeras barreiras, desde questões legais e de segurança até o fato de que um útero artificial ainda é ficção científica. Cibelli também ressaltou o “fator nojo” considerável, que parece não desanimar os fundadores da R3 Bio. John Schloendorn, fundador da startup, tem explorado a ideia de substituições humanas há anos, realizando seminários e apresentando a proposta a investidores.
Em uma mensagem de 2024 no LinkedIn, Schloendorn afirmou que a R3 Bio tentará avançar de forma que produza benefícios sociais definidos, mas está preparada para aceitar um “não” como resposta, caso não seja possível garantir segurança. Ele declinou uma entrevista com a revista, alegando que gostaria de demonstrar que os benefícios estão “razoavelmente fundamentados na realidade” antes de tirar a R3 do modo furtivo.


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