Em fevereiro de 2026, a produção industrial argentina registrou uma queda de 8,7% em comparação ao mesmo mês de 2025, segundo dados do INDEC. Em relação a janeiro de 2026, o setor contraiu-se 4%. No acumulado dos dois primeiros meses do ano, o recuo é de 6% frente ao primeiro bimestre de 2025.
Dos 16 subsetores industriais avaliados, 14 apontaram perdas interanuais. Entre os mais impactados estão maquinaria y equipo (-29,4%), vehículos automotores, carrocerias, remolques y autopartes (-24,6%), equipamentos, aparelhos e instrumentos (-24,6%), prendas de vestir, cuero y calzado (-18,2%) e produtos de borracha e plástico (-15,7%). Mesmo setores básicos como alimentos y bebidas declinaram 6,9% no mesmo recorte.
No confronto mês a mês, comparado a janeiro, os setores minerais não metálicos e metálicas básicas sofreram a queda mais intensa: -11,8%. Outros ramos afetados incluem automotores (-7,3%), produtos de metal, maquinaria y equipo (-5%), têxtil, vestuário, couro e calçado (-4%) e alimentos, bebidas e tabaco (-3,1%).
Especialistas destacam que fevereiro de 2026 representa o pior momento da indústria desde 2009, com produção similar à registrada em junho de 2024. O analista Claudio Caprarulo, da consultora Analytica, considera o cenário pouco promissor para projeções de emprego ao longo do trimestre.
Economistas como Camilo Tiscornia e Lorenzo Sigaut Gravina apontam que a alta de janeiro frente a dezembro (+3,1%) trouxe breve otimismo, mas foi anulada pela queda de fevereiro. Ambos recomendam cautela e esperam dados de março para avaliar se há mudança de tendência.
Nem todos os setores foram uniformemente afetados. O setor de refino de petróleo cresceu 19,7%, e substâncias e produtos químicos apresentaram expansão de 3,7%. Esses casos aparecem isolados diante do declínio generalizado.
Mais da metade das indústrias (53,5%) informaram que a queda da demanda interna impede o aumento da produção, conforme levantamento do INDEC. Outros fatores, como custos trabalhistas, carga tributária e acesso ao crédito, foram apontados, mas o consumo interno surge como o principal limitador.
A retração persistente pode gerar consequências econômicas tangíveis: potencial alta no desemprego, redução nos investimentos e pressão sobre cadeias produtivas. Para o governo, os dados reforçam desafios no plano industrial e sinalizam necessidade de medidas para frear a queda. Para economistas externos, o caso argentino ilustra riscos enfrentados por economias em estágio semelhante diante de deterioração da indústria.
Com informações de agendarweb.com.ar.


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