Uma pesquisa realizada por patologistas veterinários e cientistas da Universidade de Wageningen, na Holanda, identificou que o SARS-CoV-2 inicia danos nos pulmões antes do surgimento de qualquer sintoma.
Os pesquisadores monitoraram a progressão viral em visons de fazendas comerciais e publicaram os resultados na revista Frontiers in Veterinary Science.
Conforme detalhou o portal Phys.org, os animais que pareciam completamente saudáveis exibiam lesões alveolares severas sob análise microscópica.
Os exames revelaram ainda acúmulo de fluidos e quebra de membranas celulares nos tecidos pulmonares.
Esses achados configuram um quadro de lesão que se desenvolve de forma oculta nos estágios iniciais da infecção. A patologista veterinária Sandra Vreman destacou que as alterações observadas nos visons guardam grande semelhança com as detectadas em pacientes humanos recém-internados.
Os padrões de lesão no trato respiratório dos animais espelham aqueles vistos em humanos, segundo os autores. No entanto, a trombose generalizada e os danos fibróticos intensos não se manifestaram de maneira ampla na espécie analisada.
Essa diferença específica permite aos cientistas compreender melhor a duração da doença e os processos inflamatórios comuns entre mamíferos. A equipe mapeou ainda o efeito de infecções simultâneas no organismo dos visons.
Os animais portadores do vírus da doença aleutiana — uma condição crônica que enfraquece as defesas imunológicas — apresentaram evolução consideravelmente mais grave da covid-19. O achado reflete a maior vulnerabilidade observada em indivíduos com comorbidades preexistentes.
O trabalho reforça a utilidade dos modelos animais para o estudo da patologia respiratória causada pelo SARS-CoV-2. A integração entre biologia veterinária e medicina humana contribui para o avanço no entendimento da doença e de suas manifestações precoces.


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