O presidente da República Islâmica do Irã, Masoud Pezeshkian, reiterou que o Golfo Pérsico é parte indissociável da identidade iraniana e símbolo maior da resistência do país ao colonialismo.
Em mensagem oficial pelo Dia Nacional do Golfo Pérsico, o chefe de Estado descreveu a via marítima como ponto de convergência de civilizações e rota essencial de comércio e energia. Ele a definiu como herança que une a nação persa desde a Antiguidade.
Pezeshkian recordou que potências estrangeiras tentaram, ao longo dos séculos, controlar a região para impor bloqueios e saques. Encontraram, segundo ele, firmeza popular e militar que preservou a integridade territorial do Irã.
O mandatário afirmou que as hostilidades promovidas pelos Estados Unidos e por Israel contra o país — caracterizadas por ele como uma guerra de agressão — ampliaram a relevância geopolítica do Estreito de Ormuz. Ele acusou Washington e Tel Aviv de deslocarem o eixo da pressão militar para o front econômico, acenando com bloqueios navais e restrições ao comércio marítimo de Teerã. Tal prática, declarou, contraria o direito internacional.
Segundo o líder iraniano, os marinheiros da nação desempenharam papel decisivo na proteção do fluxo energético global. Ele defendeu que a segurança coletiva se baseia na cooperação entre os litorais do Golfo, não na presença de frotas externas.
O presidente advertiu que qualquer tentativa de provocar instabilidade na área recairá sobre seus autores. Pezeshkian deixou claro que o governo iraniano não hesitará em responsabilizar os agressores por eventuais danos a cargueiros ou instalações de energia.
Ele frisou que a república mantém compromisso com a liberdade de navegação, mas entende que a segurança sustentável só será alcançada quando as forças estrangeiras se retirarem. Apenas então as nações costeiras poderão exercer seu protagonismo pleno.
Ao mencionar a iniciativa Hormuz Peace Endeavor, Pezeshkian destacou que propostas regionais de paz perdem fôlego sempre que navios de guerra externos insistem em patrulhas ostensivas. Na sua visão, tais patrulhas alimentam tensões no entorno do Golfo.
O governante reforçou a necessidade de integração entre Irã, Iraque, Kuwait, Catar, Bahrein, Omã, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. O objetivo, segundo ele, é blindar o corredor energético de interferências neocoloniais.
O discurso foi divulgado pela agência Mehr, que classificou a data como lembrete anual do elo inquebrantável entre povo e mar. A agência destacou que o Estreito de Ormuz responde por cerca de um quinto do petróleo comercializado no planeta diariamente, o que explica o permanente assédio das potências ocidentais à hidrovia.
Autoridades culturais iranianas enfatizaram que o nome original do golfo consta em manuscritos babilônicos, crônicas gregas e atlas árabes. Elas refutaram manobras recentes para rebatizar a região em fóruns internacionais.
As cerimônias do Dia Nacional incluíram exposições de cartografia antiga e homenagens a marinheiros que tombaram em confrontos defensivos ao longo das últimas décadas. O evento reforçou o caráter histórico e soberano da data para a República Islâmica.
Pezeshkian apontou que sanções unilaterais impostas pelos EUA tentaram asfixiar a economia iraniana, mas também estimularam a diversificação comercial na Ásia. O país passou a adotar moedas alternativas ao dólar no comércio de hidrocarbonetos.
O presidente citou o estreitamento de laços com China, Rússia e parceiros do BRICS como resultado direto dessa pressão. Ele vê nesse movimento a consolidação de uma tendência multipolar que desafia a hegemonia de Washington.
Com 1.250 quilômetros de costa sob jurisdição iraniana, o país investe em novos terminais, zonas francas e refinarias para agregar valor à produção de petróleo e gás. A estratégia visa reduzir a dependência de rotas transoceânicas vulneráveis.
Pezeshkian concluiu a mensagem afirmando que a defesa do Golfo Pérsico transcende a mera disputa territorial. Em suas palavras, representa uma luta global contra modelos de dominação e em favor da solidariedade entre nações da Ásia Ocidental.
Ele reiterou que o Irã seguirá aberto ao diálogo franco, mas jamais aceitará ameaças ou ultimatos de quem historicamente lucrou com a exploração dos recursos da região. A declaração reforça o tom de confronto retórico que marca as relações entre Teerã e as potências ocidentais em meio às negociações nucleares ainda em curso.
Leia também: Chanceler iraniano denuncia agressões dos EUA e Israel como pirataria marítima no Golfo
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Lucas Andrade
03/05/2026
O Caio Vieira já desmontou bem a lógica neoliberal do Lucas, mas é impressionante como o discurso do “abrir a economia” sempre aparece como solução mágica pra qualquer conflito geopolítico, como se privatizar petróleo fosse apagar séculos de intervencionismo ocidental no Oriente Médio. O Irã reafirmar o Golfo Pérsico como parte da sua identidade não é só retórica nacionalista, é um ato de resistência simbólica contra a cartografia colonial que ainda tenta ditar quem pode ou não existir com soberania plena.
Caio Vieira
03/05/2026
Caro Lucas Moreira, permita-me discordar com a veemência que a gravidade do assunto exige. Reduzir a reafirmação da soberania iraniana sobre o Golfo Pérsico a uma mera “novela do Estado máximo contra o mercado” é um exercício de miopia analítica que ignora a espessura histórica do conceito de soberania. O que o presidente Pezeshkian articula não é um devaneio nacionalista, mas a materialização discursiva de uma hegemonia que se constrói há séculos. O Golfo Pérsico não é um ativo econômico a ser precificado e aberto ao “mercado” como sugerem os manuais de economia neoclássica; é um elemento constitutivo da identidade nacional iraniana, um símbolo de resistência ao que o grande pensador Antonio Gramsci chamaria de dominação cultural e econômica do Ocidente. Ignorar essa dimensão simbólica é, no mínimo, um erro epistemológico grosseiro.
A crítica à inflação de 40% e aos problemas econômicos internos do Irã é, obviamente, pertinente e não deve ser descartada como mero desvio. Contudo, a falácia do seu raciocínio, caro Lucas, reside em estabelecer uma falsa dicotomia entre “retórica nacionalista” e “abertura econômica”. Ora, desde os tempos de Heródoto, sabemos que a política externa e a política interna são faces da mesma moeda. A reafirmação da soberania sobre o Golfo não é um gasto, mas um investimento na legitimidade do Estado perante sua própria população e perante o Sul Global. Um Estado que abre mão de seus símbolos fundacionais e de suas prerrogativas geopolíticas para seguir a cartilha do Consenso de Washington não resolve a inflação; ele se torna uma semi-colônia, um mero apêndice do capital financeiro internacional. A história do século XX está repleta de exemplos trágicos dessa subalternidade.
A Paula Santos, com sua perspectiva cristã, clama por diálogo e paz. Respeito a intenção, mas a história nos ensina que a paz, quando desprovida de justiça e de reconhecimento mútuo, é apenas uma trégua que favorece o mais forte. O “tom de confronto” que a preocupa é, na verdade, a linguagem de um país que, como diria o mestre Florestan Fernandes, recusa-se a ser objeto da história e insiste em ser sujeito. Os EUA e Israel não mantêm porta-aviões e bases militares na região por amor ao diálogo; eles o fazem para garantir a hegemonia do petrodólar e a fragmentação geopolítica do mundo árabe-persa. A resposta de Pezeshkian, portanto, não é uma agressão, mas uma contra-hegemonia necessária, um ato de coragem política em um cenário internacional onde a lei do mais forte ainda prevalece.
Por fim, é preciso saudar a solidariedade implícita no comentário da Mariana Ambiental, que corretamente aponta que a crítica aos direitos humanos no Irã não pode ser utilizada como justificativa para o imperialismo. Este é um ponto fundamental da dialética: podemos e devemos criticar as contradições internas de qualquer Estado, inclusive o Irã, sem com isso legitimar a intervenção estrangeira. A luta do povo iraniano por mais liberdades civis é legítima, mas ela não se confunde com a agenda geopolítica de Washington e Tel Aviv. O Golfo Pérsico é, e sempre será, um mar persa, e qualquer tentativa de renomeá-lo ou deslegitimar a soberania iraniana sobre ele é um ato de violência simbólica que deve ser combatido com a mesma firmeza com que combatemos a exploração econômica em nossas próprias terras tupiniquins.
Lucas Moreira
03/05/2026
Mais um capítulo da novela “Estado máximo contra o mercado”. Enquanto o Irã gasta bilhões mantendo essa retórica nacionalista, a população deles afunda em inflação de 40% ao ano. Se gastassem metade dessa energia abrindo a economia e privatizando o setor de petróleo, talvez o Golfo Pérsico virasse um hub de prosperidade, não de bravata geopolítica. Mas é mais fácil culpar o Tio Sam do que fazer reforma estrutural, né?
Maria Clara Lopes
03/05/2026
A Paula Santos trouxe um ponto válido sobre o tom de confronto, mas acho que é um pouco ingênuo esperar “diálogo e respeito” quando o histórico de intervenções na região é tão pesado. O Irã está apenas fazendo o jogo geopolítico que qualquer país faria, como bem pontuou a Mariana Ambiental. No fim das contas, soberania energética não se negocia com boas intenções.
Paula Santos
03/05/2026
É compreensível que o Irã reafirme sua soberania sobre o Golfo Pérsico, afinal qualquer nação faria o mesmo. Mas como cristã, fico preocupada com o tom de confronto – a paz verdadeira não se constrói com ameaças, mas com diálogo e respeito. Oremos para que haja sabedoria de ambos os lados, pois o Oriente Médio já sofre demais com conflitos.
Mariana Ambiental
03/05/2026
Marina, o Irã tem problemas gravíssimos de direitos humanos internos, isso é fato, mas reduzir a geopolítica do Golfo Pérsico a “islâmico radical bancando o valentão” ignora que cada país age de acordo com seus interesses estratégicos, assim como os EUA fazem com o Canal do Panamá ou o Brasil com a Amazônia. O colonialismo britânico e a presença militar americana na região são anteriores à Revolução Islâmica, e a soberania sobre o golfo é uma pauta transversal que vai muito além do seu enquadramento moralista.
Ana Rodrigues
03/05/2026
Pois é, lá no dia a dia aqui em Curitiba já basta ter que lidar com pneu furado e passageiro que quer pagar em moedinha, quem dirá ficar de briga por causa de mar no Oriente Médio. Mas o Lucas Alves mandou bem: enquanto os caras tão com porta-aviões na porta de casa, qualquer país ia ficar esperto também. O Irã não é flor que se cheire, mas soberania é soberania, né.
Lucas Alves
03/05/2026
Pois é, Rick, “deixar o petróleo fluir livre” num mar onde os EUA estacionam porta-aviões como se fosse estacionamento de shopping é dose. O Irã não é bobo: soberania sobre o Golfo Pérsico é a única moeda de troca que eles têm num tabuleiro onde Israel já tem o apoio militar americano garantido. Mas, falando sério, Marina, misturar teocracia com política externa é o mesmo que criticar a Arábia Saudita por comprar armas e ignorar que a gente vende soja pra eles. Cada um no seu quintal, né?
Marina Costa
03/05/2026
Mais um país islâmico radical querendo bancar o valentão enquanto oprimem mulheres e perseguem cristãos. Enquanto isso, a esquerda brasileira bate palma pra ditadura teocrática.
Márcio Torres
03/05/2026
Marina, você mistura três problemas distintos como se fossem um só, e isso enfraquece qualquer análise minimamente séria. Primeiro: a reafirmação de soberania sobre o Golfo Pérsico é um ato de política externa que qualquer Estado faria, independentemente de regime. O Brasil reivindica a Amazônia Azul, a Argentina reivindica as Malvinas, a China reivindica o Mar do Sul da China — todos com governos de naturezas diferentes. Chamar isso de “bancar o valentão” é ignorar que o direito internacional e a cartografia histórica estão do lado iraniano nessa disputa específica. O nome “Golfo Pérsico” é anterior ao islamismo, anterior à República Islâmica, anterior ao próprio conceito de Irã moderno. É um fato geográfico, não uma declaração teocrática.
Segundo: a crítica às violações de direitos humanos no Irã é legítima e necessária — ninguém sensato defende a lapidação ou a perseguição a minorias religiosas. Mas transformar toda e qualquer ação do Estado iraniano em “radicalismo islâmico” é um atalho preguiçoso que substitui análise por caricatura. O Irã tem uma teocracia xiita, sim, e isso é um problema para quem valoriza liberdades individuais. Só que o mesmo governo que oprime mulheres dentro de casa também sustenta uma política externa anti-imperialista que, convenhamos, não é exatamente um espantalho num mundo onde os EUA invadiram o Iraque com base em mentiras e a Arábia Saudita bombardeia o Iêmen com bombas americanas. Se o critério for “opressão interna = invalida qualquer posição geopolítica”, então boa parte dos aliados ocidentais no Oriente Médio teria que ficar de boca fechada também.
Terceiro: a esquerda brasileira não bate palma para ditadura teocrática nenhuma — ela reconhece, com maior ou menor clareza, que o Irã exerce um papel de contrapeso num sistema internacional dominado por potências que não hesitam em violar soberanias alheias quando o petróleo está em jogo. Apoiar o direito do Irã de controlar suas águas territoriais não é endossar o aiatolá Khamenei, assim como criticar a política de drogas dos EUA não significa concordar com a pena de morte no Texas. Você está cometendo o erro lógico de confundir um alinhamento tático pontual com uma adesão ideológica total. O mundo não é um jogo de FIFA onde você precisa torcer por um time do início ao fim; dá para defender a autodeterminação de um povo sem engolir o regime que o governa. Se a esquerda brasileira fosse tão incoerente quanto você sugere, estaria fazendo campanha para abertamente para o Hezbollah, e não apenas criticando o imperialismo no Golfo.
Dr. Thiago Menezes
03/05/2026
Rick Ancap, se abrir mercado resolvesse conflito geopolítico, o Oriente Médio seria um resort suíço. O Irã tem todo o direito de reafirmar soberania sobre o Golfo Pérsico — isso é fato histórico e cartográfico, não ideologia. Agora, se forçar a barra com porta-aviões americano, aí a conta chega em sanção e míssil, não em planilha de Excel.
Jeferson da Silva
03/05/2026
Rick Ancap, com todo respeito, mas essa historinha de “abrir mercado e deixar o petróleo fluir livre” é o mesmo papo furado que terceiriza vaga de metalúrgico na Grande ABC. O Irã sabe que soberania não se negocia em planilha de Excel, e a classe trabalhadora brasileira também devia aprender isso antes de virar peça de reposição no jogo do mercado.
Rick Ancap
03/05/2026
Mais um país querendo gastar dinheiro público com exército em vez de abrir o mercado e deixar o petróleo fluir livre.
Mariana Santos
03/05/2026
Marta, sua memória de 1982 é preciosa — a gente precisa lembrar que vender patrimônio nacional a preço de banana sempre foi o esporte favorito da nossa elite. O Irã faz exatamente o oposto: resiste à pilhagem e ainda cutuca o imperialismo na ferida. Se aqui tivéssemos um décimo dessa coragem, o pré-sal não teria virado presente para estrangeiro.
Marta
03/05/2026
Gente, mas que thread boa de ler! O Marcos Andrade Niterói lembrou muito bem do Rodrigo Neves, e o Francisco de Assis deu uma aula de história viva. Meninos, vou contar uma coisa pra vocês: eu comecei a dar aula em 1982, no governo Figueiredo, e vi o Brasil ser vendido a preço de banana nos anos 90. O tal “abrir mercado” que o Carlos Meirelles defendeu aí em cima foi exatamente o que transformou o Brasil num quintal de supermercado gringo. O Irã tem seus problemas internos, sim, e ninguém aqui tá fazendo apologia a regime teocrático nenhum, mas a soberania sobre o Golfo Pérsico é um fato histórico e geográfico. Não é porque a mídia internacional pinta o país como vilão que a gente vai engolir esse discurso pronto.
O Sargento Bruno, com todo respeito ao seu trabalho na reserva, o senhor caiu na armadilha de repetir o que a CNN e a GloboNews vomitam. O Irã financia resistência? Sim, financia. E Israel financia assassinato de crianças em Gaza há décadas. Um não é “terrorista” e o outro “democrata” — os dois são Estados nacionais defendendo seus interesses. O que me preocupa é ver brasileiro comprando briga de império alheio como se fosse torcida de futebol. O Brasil do PT sempre defendeu a autodeterminação dos povos, coisa que o Itamaraty fazia desde o Barão do Rio Branco, e o Lula continua fazendo. O Irã não precisa de licença de Washington pra existir, assim como o Brasil não precisou de licença de Lisboa em 1822.
E olha, sobre a economia iraniana: o país sofre sanções criminosas há 40 anos, bloqueio naval, ameaça constante de invasão. Qualquer economia definharia nessas condições. Mas ainda assim o Irã tem universidades, indústria petroquímica, produção de aço, ciência e tecnologia. Enquanto isso, o Brasil que “abriu mercado” nos anos 90 desmontou a indústria nacional, quebrou a Embraer quase, e hoje importa até feijão. Então, meninos mal-educados que ficam repetindo discurso de FMI: estudem um pouco de história das relações internacionais antes de vir dar pitaco. O Golfo Pérsico é iraniano desde antes de existir Estados Unidos, e ponto final.
Marcos Andrade Niterói
03/05/2026
O Francisco de Assis mandou bem. Enquanto uns querem transformar a geopolítica em planilha de mercado, o Irã simplesmente existe e defende o que é seu. Aqui em Niterói a gente sabe bem o que é ter gestão que pensa no povo e não em agradar banqueiro — o Rodrigo Neves mostrou isso com obras que realmente melhoram a vida de quem anda de ônibus e metrô. Irã tem todo o direito de não se curvar a imperialismo de ninguém.
Carlos Meirelles
03/05/2026
Mais um discurso inflamado de regime teocrático que gasta rios de dinheiro com retórica anti-imperialista enquanto sufoca a própria economia com intervencionismo. Se o Irã gastasse metade da energia que coloca em “resistência ao colonialismo” em abrir mercado e gerar emprego de verdade, talvez o povo não precisasse ouvir esses devaneios de soberania com a barriga vazia.
Francisco de Assis
03/05/2026
Carlos Meirelles, o problema é que esse papo de “abrir mercado e gerar emprego” foi exatamente o que o Brasil fez nos anos 90 e quase quebrou o país. O Irã tem petróleo, tem posição estratégica e não precisa pedir licença pra gringo pra existir, diferente de alguns por aí que acham que soberania se vende no supermercado.
Sargento Bruno
03/05/2026
O Tiago Mendes aí em cima ainda tenta dar uma de equilibrado, mas o fato é que o Irã é um regime teocrático que persegue cristãos e oprime mulheres, ponto final. Essa história de “soberania” é cortina de fumaça pra esconder que o país financia terroristas no Oriente Médio. Enquanto isso, o Brasil fica nessa conversa mole de “diplomacia” com ditadura, enquanto Israel, nosso verdadeiro aliado, luta pela sobrevivência.
Rubens O Pescador
03/05/2026
Sargento Bruno, o senhor fala em “verdadeiro aliado” Israel, mas esquece de contar pro povo que enquanto o Brasil tinha comida na mesa e emprego nos governos do PT, Israel tava lá apoiando golpe aqui em 2016. O povo simples não precisa de “aliado” que bombardeia criança, precisa de paz e terra pra plantar.
Zé do Povo
03/05/2026
ISSO AÍ É MAIS UM DISCURSOZINHO DE DITADOR ENQUANTO O POVO PASSA FOME E MULHER É MORTA POR NÃO USAR VÉU 😡 BANDO DE COMUNISTA SAFADO QUERENDO ENGANAR O MUNDO COM ESSA HISTÓRIA DE SOBERANIA
Tiago Mendes
03/05/2026
Zé, eu entendo sua indignação com as violações de direitos humanos no Irã — como cristão, também me incomodo profundamente com a opressão a mulheres e minorias religiosas. Mas reduzir a questão da soberania iraniana a “discurso de ditador comunista” ignora que o país enfrenta sanções criminosas que sufocam justamente os mais pobres, e essa fome que você menciona é fabricada por quem impõe bloqueio econômico, não por quem defende o próprio território.
Major Ricardo Silva
03/05/2026
Esse tal de Pezeshkian é mais um ditador de araque, falando bonito pra plateia enquanto o povo iraniano sofre com sanções e miséria. Quem defende essa “soberania” toda geralmente é o mesmo que oprime mulher, persegue cristão e exporta terrorismo. Enquanto isso, a esquerda brasileira babando ovo de regime que trata homossexual como crime. Cadê o discurso de direitos humanos agora?
Ana Karine Xavante
03/05/2026
Major Ricardo, seu comentário reproduz exatamente o roteiro que o Ocidente ensaia há décadas pra deslegitimar qualquer país que ouse dizer “não” ao imperialismo. Você mistura denúncias legítimas sobre violações de direitos no Irã com um ataque raso à esquerda brasileira, como se apoiar a autodeterminação dos povos fosse sinônimo de endossar cada política interna de um governo. Eu sou indígena, mulher, e ativista ambiental — ninguém precisa me explicar o que é opressão. O Estado iraniano tem um histórico péssimo com minorias religiosas, com mulheres, com a comunidade LGBTQIA+. Isso é fato e deve ser criticado. Mas reduzir a complexidade geopolítica do Oriente Médio a um “ditador de araque” enquanto se cala sobre as 70 mil toneladas de bombas que os EUA jogaram no Iraque, sobre o apartheid israelense ou sobre o apoio sistemático de Washington a monarquias do Golfo que decapitam pessoas e escravizam imigrantes é, no mínimo, uma seletividade moral conveniente.
Soberania não é “cortina de fumaça”, como alguns colegas aqui disseram. Soberania é a base material pra que um povo possa, um dia, decidir seu próprio destino — inclusive pra corrigir suas próprias injustiças internas. O Irã sofre sanções criminosas que impedem a importação de medicamentos, alimentos e peças de reposição pra infraestrutura civil. Isso não é “defesa de regime”, é estrangulamento econômico deliberado que mata crianças com câncer e idosos sem acesso a insulina. Enquanto isso, o Brasil do pré-sal entrega nosso petróleo a preço de banana pra multinacional estrangeira, desmonta a Petrobras e mantém uma política externa subserviente que beija a mão de quem nos trata como colônia. O discurso de direitos humanos que você cobra da esquerda é o mesmo que o Itamaraty usa pra votar contra Cuba na ONU enquanto vende madeira ilegal pra Europa. Direitos humanos não podem ser instrumento de guerra híbrida — se são, viram arma, não princípio.
E sobre a esquerda brasileira “babar ovo” de regime: você generaliza pra esconder o fato de que a esquerda latino-americana, inclusive a indígena e a feminista, tem uma longa tradição de crítica ao autoritarismo religioso em qualquer lugar do mundo. Nós criticamos o Irã quando prende ativistas, mas também criticamos Israel quando bombardeia escolas da UNRWA, criticamos a Arábia Saudita quando executa opositores, criticamos os EUA quando torturam em Guantánamo. O problema é que, pra você, a crítica só vale quando é direcionada a adversários geopolíticos do Ocidente. O resto é silêncio cúmplice. Enquanto o Brasil não tiver coragem de defender sua própria soberania energética, alimentar e territorial, vamos continuar sendo plateia de um teatro onde os “direitos humanos” são uma cláusula contratual que só vale pra quem não tem petróleo embaixo do chão. O povo iraniano merece democracia e liberdade — mas ela não virá de bombardeios americanos nem de sanções que empobrecem a população pra forçar uma mudança de regime. Virá de dentro, como qualquer processo de libertação verdadeiro.
João Silva
03/05/2026
É impressionante como o pessoal cai na armadilha de achar que soberania é só retórica vazia. Enquanto o Brasil terceiriza nossa defesa nacional e entrega o pré-sal de bandeja pra multinacional, o Irã pelo menos mantém a coerência de não se curvar ao imperialismo. O Tadeu aí em cima falou em “mercado de petróleo” como se fosse uma entidade divina — parece que esqueceu que foi justamente essa lógica de mercado que transformou o Oriente Médio num barril de pólvora.
João Santos
03/05/2026
Pô, Celio, falou tudo! Irã querendo bancar o durão enquanto o povo deles passa fome. Esse papo de soberania é cortina de fumaça pra esconder a corrupção de sempre. Bandido é bandido, seja de turbante ou de terno.
Tadeu
03/05/2026
Parece que o pessoal nos comentários já tá mais preocupado com a economia do Irã do que com o discurso do presidente deles. E com razão, porque no fim das contas, soberania não põe comida na mesa nem segura a inflação. Enquanto eles gastam energia com isso, o mercado de petróleo lá deve estar uma bagunça.
João Batista
03/05/2026
Pois é, Célio, aí que tá: o profeta Isaías já denunciava os que constroem casas com injustiça e acumulam riqueza às custas do povo. Enquanto a gente critica o Irã por gastar com defesa, será que já olhamos pra nossa própria elite que explora o trabalhador e ainda quer chamar os outros de incompetentes? Soberania não é luxo, é pão na mesa de quem resiste ao imperialismo.
Celio Fazendeiro
03/05/2026
Ah, lá vem o Irã querendo bancar o fortão no Golfo Pérsico enquanto o povo deles vive na idade da pedra. Esse povo não tem o que fazer mesmo, fica inventando treta com os EUA e Israel pra desviar atenção da própria incompetência. Se fosse aqui no Brasil, a bancada ruralista já tinha resolvido isso na base do trator e da soja, sem essa frescura de soberania.
Carlos Oliveira
03/05/2026
Célio, com todo respeito, essa visão de que soberania é “frescura” e que trator resolve questão geopolítica é exatamente o tipo de pensamento que nos levou a depender de commodity e a ignorar que o direito internacional e a autodeterminação dos povos não se pautam pelo PIB do agronegócio. O Irã tem seus problemas internos, sim, mas reduzir a defesa do Golfo Pérsico a uma cortina de fumaça é ignorar que lá, como aqui, a luta por recursos e por não ser subordinado a potências estrangeiras é uma questão histórica e estrutural.
Mariana Costa
03/05/2026
A retórica de soberania é esperada, mas o que realmente importa é como o Irã vai equilibrar esse discurso com a necessidade de diálogo para aliviar as sanções. A Vanessa e a Nadia têm razão: o nacionalismo não paga as contas da população, e o regime iraniano sabe que precisa de algum tipo de acordo para respirar economicamente.
Gabriel Teen
03/05/2026
Golfo Pérsico, Golfo Pérsico… e o povo deles lá tomando chá de sumiço da economia real, enquanto isso o Lula deve estar mandando um abraço pro Pezeshkian, pqp.
Lurdinha Deus Acima de Todos
03/05/2026
Ah, mas é o Irã querendo pagar de valentão de novo, né? Enquanto isso o povo deles passa fome e eles gastam dinheiro com foguete, vixe Maria 😱🙏🇧🇷
Vanessa Silva
03/05/2026
Uma declaração de soberania previsível e que não muda nada no xadrez geopolítico real. O debate histórico é legítimo, mas a verdade é que o Irã usa esse nacionalismo retórico para desviar atenção da crise econômica interna e da falta de liberdades civis. Enquanto isso, a navegação no Golfo segue sob regras internacionais e o mundo não vai parar por causa de discurso de data comemorativa.
Nadia Petrova
03/05/2026
Soberania sobre o Golfo Pérsico é um fato histórico e jurídico, não tem muito o que discutir. Mas a Cíntia e a Maria já apontaram o elefante na sala: o regime iraniano adora esse discurso de resistência anticolonial enquanto sufoca a própria população e financia milícias sectárias pelo Oriente Médio. Dá pra defender o direito territorial sem engolir a narrativa autoritária deles.
Cíntia Alves
03/05/2026
Rodrigo RedPill com seu complexo de vira-lata de sempre, achando que soberania alheia é teatrinho. O Irã tem seus problemas graves internos, sim, como a Maria lembrou, mas isso não faz do Golfo Pérsico menos deles. No fim, é sempre a mesma ladainha: país pequeno se afirmando leva chilique de quem acha que o mundo gira em torno do dólar.
Mariana Lopes
03/05/2026
O Rodrigo RedPill aí acha que o mundo se resume a Wall Street, mas a real é que o Golfo Pérsico é uma questão de soberania que vai além de economia de mercado. O Irã pode ter seus problemas internos, como a Maria Silva bem lembrou, mas isso não anula o direito histórico deles sobre a região. No fim, o que falta é um diálogo pragmático que separe o joio do trigo entre retórica nacionalista e fatos geopolíticos.
Rodrigo RedPill
03/05/2026
Mais um país de terceiro mundo fazendo teatrinho nacionalista pra esconder a própria incompetência econômica. Enquanto o Irã gasta dinheiro com discurso vazio e financiamento de terrorista, países sérios como os EUA e Israel estão gerando riqueza real com inovação e mercado livre. O Golfo Pérsico que eles tanto defendem é o mesmo que impede qualquer desenvolvimento decente na região. Fracassados.
Maria Silva
03/05/2026
Pessoal, essa discussão sobre soberania no Golfo é complexa mesmo. O Irã tem seus direitos históricos, mas também não podemos ignorar que esse discurso nacionalista forte muitas vezes serve para esconder graves violações de direitos humanos internas. O equilíbrio é sempre o melhor caminho.
Luciana Costa
03/05/2026
A retórica nacionalista iraniana é previsível, mas a Ana Costa tem razão: o direito histórico deles sobre o Golfo é reconhecido internacionalmente. O problema é que esse discurso de resistência ao colonialismo soa vazio quando o próprio regime reprime seu povo e financia milícias que desestabilizam a região. Dá pra defender a soberania sem engolir o autoritarismo.
Ana Costa
03/05/2026
Ana Souza, você tocou num ponto crucial: o nacionalismo como cortina de fumaça é um clássico da geopolítica, não exclusividade iraniana. Dito isso, o direito histórico do Irã sobre o Golfo Pérsico tem respaldo em documentos da ONU, enquanto a narrativa de “ameaça à navegação” vem sendo usada pelos EUA para justificar sanções que, segundo dados do FMI, sufocam a economia civil iraniana muito mais do que qualquer programa nuclear. A hipocrisia é bilateral, mas os fatos históricos e jurídicos pesam mais para o lado de Teerã nessa disputa específica.
Ana Souza
03/05/2026
João Carvalho, você tem um ponto válido sobre a hipocrisia dos EUA com Israel, mas acho que a discussão vai além disso. O Irã realmente tem direito histórico sobre o Golfo Pérsico, mas também usa esse discurso nacionalista para desviar atenção de problemas internos, como a crise econômica e a repressão política. Seria mais produtivo se ambos os lados baixassem a guarda e negociassem de boa-fé, em vez de ficar nesse pingue-pongue de ameaças que só aumenta a tensão na região.
João Carvalho
03/05/2026
Pois é, Renato Professor, você falou tudo. Enquanto o Tio Sam manda bilhão de dólar pra Israel e ninguém fala nada, o Irã defende o que é deles e já vem a patrulha do “mercado livre” encher o saco. Aqui no Brasil mesmo, se a gente tentasse defender o pré-sal com unhas e dentes, iam chamar de comunista também. Hipocrisia pura, e no fim quem paga o pato é o povo trabalhador que nem sabe onde fica o Golfo Pérsico no mapa.
Zé Trovãozinho
03/05/2026
Sargento Bruno e Cecília, pelo visto o manual de vocês é o mesmo: qualquer defesa de soberania nacional é automaticamente “comunismo” ou “estatismo”. O Irã tá lá, no Golfo Pérsico, com petróleo e história, e vem um brasileiro querer dar lição de mercado? Enquanto isso, os EUA tão armando Israel até os dentes e ninguém fala em “liberdade de mercado” na venda de armas. Hipocrisia pura.
Renato Professor
03/05/2026
Zé, você tocou no cerne da questão: a hipocrisia estrutural do discurso liberal quando aplicado a potências periféricas. Enquanto os EUA blindam Israel com bilhões em armamentos, ninguém pergunta sobre “eficiência de mercado” na indústria bélica americana. O Irã exerce soberania sobre o Golfo Pérsico exatamente como qualquer Estado-Nação faria, e chamar isso de estatismo ou comunismo é apenas repetir o manual do Departamento de Estado sem perceber a contradição.
Cecília Alves
03/05/2026
Sargento Bruno, você foi cirúrgico. Enquanto a galera fica fazendo malabarismo intelectual com Foucault, o Irã usa o discurso nacionalista pra justificar o controle estatal de recursos que deveriam ser geridos pelo mercado. Golfo Pérsico, petróleo, gás… no fundo é sempre a mesma história: Estado forte engordando às custas da propriedade privada e da liberdade individual.
Carlos Henrique Silva
03/05/2026
Cecília, sua análise reproduz com perfeição o que Gramsci chamaria de senso comum burguês naturalizado — aquela ideia de que o mercado é uma entidade neutra e benéfica, e que o Estado, quando interfere, está automaticamente “engordando” às custas da liberdade. O problema é que essa narrativa ignora a materialidade histórica da região. O Golfo Pérsico não é um “mercado” abstrato onde empresas competem em igualdade de condições; é um espaço geopolítico onde, desde o início do século XX, as potências ocidentais — primeiro o Reino Unido, depois os EUA — usaram de tudo, de golpes de Estado a invasões militares, para garantir que o petróleo iraniano fosse extraído e comercializado sob termos favoráveis ao capital estrangeiro. A nacionalização do petróleo iraniano em 1951, liderada por Mossadegh, foi recebida com um golpe orquestrado pela CIA e pelo MI6 em 1953, que restaurou o xá e abriu as portas para décadas de exploração pela Anglo-Iranian Oil Company (hoje BP). Dizer que o Irã de hoje “usa o discurso nacionalista pra justificar o controle estatal” é ignorar que esse controle foi conquistado com sangue e revolução, justamente para romper com um modelo de propriedade privada que, na prática, significava transferir a riqueza do subsolo iraniano para acionistas em Londres e Nova York.
Você fala em “liberdade individual”, mas que liberdade existe para um trabalhador iraniano quando o petróleo do seu país é extraído por uma multinacional que paga royalties irrisórios ao Estado, enquanto a população vive sob sanções econômicas que encarecem alimentos e medicamentos? O discurso da “propriedade privada” como valor absoluto é, no fundo, uma defesa da propriedade do capital internacional sobre os recursos estratégicos dos países periféricos. O Irã, ao afirmar sua soberania sobre o Golfo Pérsico, não está fazendo retórica vazia — está exercendo o que a teoria da dependência, de autores como Theotônio dos Santos e Ruy Mauro Marini, chamaria de uma tentativa de romper com a troca desigual. O Estado forte iraniano não é um “engorda” genérico; é uma ferramenta de resistência contra um sistema global onde as regras do jogo são escritas por quem já detém o poder econômico e militar.
Por fim, vale lembrar que o próprio conceito de “mercado” que você evoca é uma abstração ideológica. Não existe mercado sem Estado — o que existe são diferentes formas de intervenção estatal. Quando os EUA garantem, com sua frota naval, a “liberdade de navegação” no Golfo Pérsico para proteger os interesses das petroleiras americanas, isso não é intervenção? Quando o Pentágono mantém bases militares no Bahrein, Catar e Emirados Árabes Unidos para assegurar o fluxo de petróleo, isso não é “Estado forte” a serviço de interesses privados? A diferença é que, no caso iraniano, o Estado age em nome de uma parcela da população que historicamente foi excluída dos benefícios da exploração petrolífera. Não estou aqui para defender o regime dos aiatolás — tenho críticas profundas à sua teocracia e ao autoritarismo interno — mas reduzir a questão a “Estado vs. mercado” é um maniqueísmo que esconde as relações de poder reais. O debate precisa ser sobre quem controla os recursos, para quem e sob quais condições, não sobre uma suposta pureza do mercado que nunca existiu.
Sgt Bruno 🇧🇷
03/05/2026
Selva! Esse povo fica filosofando com Foucault e Gramsci, mas no fim é só papo furado de esquerda. Irã defende o que é deles? E daí? Se fosse o Brasil defendendo a Amazônia esses mesmos aí tavam chamando de autoritário. Comunista é tudo igual, fala bonito mas na hora de agir é só choro. Brasil precisava de um militar de verdade no poder, não desses intelectuais de internet.
Paulo Ribeiro
03/05/2026
Caros comentaristas, a discussão está excelente e mostra que o debate geopolítico brasileiro pode sim ir além do senso comum. Mariana Alves, você tocou num ponto crucial ao mencionar a necessidade de irmos além da contra-conduta foucaultiana. Precisamos, de fato, localizar a ação de Pezeshkian dentro do que Althusser chamaria de luta de classes no aparelho ideológico de Estado. O que o presidente iraniano faz não é mero discurso, é um ato de interpelação: ele convoca o povo iraniano a se reconhecer como sujeito histórico da resistência anti-imperialista, cimentando uma unidade nacional em torno de um símbolo material — o Golfo.
O problema, e aqui discordo da leitura um tanto romântica de Cláudio Ribeiro, é que essa operação ideológica corre o risco de cair no que Mariátegui advertia como um nacionalismo estreito, descolado da luta internacionalista dos trabalhadores. Defender a soberania sobre o Golfo Pérsico é justo e necessário, especialmente diante do banditismo sionista e da hipocrisia estadunidense que querem transformar a região em protetorado ocidental. Mas a República Islâmica do Irã, ao mesmo tempo que enfrenta o imperialismo, oprime suas próprias minorias étnicas e persegue sindicalistas e comunistas. A teocracia dos aiatolás usa a bandeira da resistência para consolidar seu próprio poder de classe, como a burguesia nacional iraniana faz sua acumulação primitiva às costas do proletariado.
Portanto, minha solidariedade ao povo iraniano contra as sanções criminosas dos EUA e as ameaças de Israel é incondicional. Mas minha análise não pode se furtar a enxergar as contradições internas desse processo. Pezeshkian não é um líder revolucionário, é um gestor do capitalismo de Estado iraniano num momento de crise. A defesa do Golfo Pérsico é legítima, mas não pode ser o véu que esconde a exploração de classe dentro do próprio Irã. A verdadeira soberania popular, como sonhava o Che, só se realiza quando a nação é dona de seu destino econômico e não apenas de seu discurso geopolítico. No mais, sigo acompanhando a thread com grande interesse.
Mariana Alves
03/05/2026
A leitura dos comentários nesta thread me faz refletir sobre como o debate público brasileiro ainda engatinha quando o assunto é geopolítica do Oriente Médio. Cláudio Ribeiro acertou em cheio ao evocar Foucault e o conceito de contra-conduta, mas acho que podemos ir além. O que Pezeshkian faz no Dia Nacional do Golfo Pérsico não é apenas retórica nacionalista ou jogo de poder regional — é a explicitação de um conflito civilizatório que remonta ao século XVI, quando os portugueses tentaram controlar essas águas, passando pelo imperialismo britânico e chegando à atual hegemonia naval estadunidense. O Irã, ao reafirmar a iranidade do Golfo, está desafiando a narrativa ocidental que trata a região como um “espaço vazio” a ser administrado por potências externas.
João Augusto tentou trazer Gramsci para a conversa, o que é sempre bem-vindo, mas acredito que o conceito de “hegemonia” precisa ser aplicado com mais cuidado aqui. O Irã não está simplesmente fazendo guerra de posição no tabuleiro das potências — ele está operando o que eu chamaria de uma contra-hegemonia ativa, disputando não apenas recursos energéticos, mas a própria narrativa histórica sobre quem tem direito de definir o que é o Golfo Pérsico. Enquanto os EUA insistem em chamar a região de “Golfo Arábico” em alguns documentos oficiais e treinam suas forças navais para patrulhar a área como se fosse um lago americano, Teerã responde com uma afirmação identitária que mobiliza séculos de história persa. Isso não é miopia política, como sugeriu Fernanda Oliveira — é uma estratégia calculada de resistência cultural.
O ponto que me parece mais grave e que passa despercebido é o silêncio cúmplice da mídia corporativa brasileira diante desses movimentos. Enquanto o Irã afirma sua soberania sobre o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, os grandes veículos de comunicação do país tratam a pauta como nota de rodapé, quando não reproduzem acriticamente a versão do Departamento de Estado americano. Isso é o que Bourdieu chamaria de violência simbólica — a naturalização de uma ordem mundial que favorece o Norte global. O Brasil, que tem a maior costa atlântica do hemisfério sul e uma Amazônia Azul para defender, deveria prestar atenção em como o Irã trata sua soberania marítima, não para copiar o modelo, mas para aprender que a defesa intransigente do território não é “retórica incendiária” — é o mínimo que qualquer Estado minimamente soberano deve fazer.
Por fim, não posso deixar de notar a ironia de vermos brasileiros chamando a posição iraniana de “extremista” ou “provocadora”. Somos um país que há 200 anos luta para afirmar sua soberania sobre a Amazônia, que tem no Itamaraty uma tradição de defesa intransigente do direito internacional, e que deveria ser o primeiro a compreender a necessidade de um país do Sul global de afirmar seu controle sobre seus recursos estratégicos. O Irã está cercado por bases militares americanas no Iraque, Afeganistão, Catar, Barein, Kuwait e Emirados Árabes Unidos. A cada declaração de Pezeshkian, o que está em jogo não é apenas o nome de um golfo — é a possibilidade de um país periférico existir sem se submeter à ordem imperialista. Isso deveria nos fazer pensar, como brasileiros, sobre quantas vezes cedemos à pressão externa em nome de um “pragmatismo” que sempre favorece o mais forte.
Cláudio Ribeiro
03/05/2026
Fernanda, sua análise é correta no básico, mas você ignora o contexto histórico mais amplo. O que Pezeshkian faz não é mera retórica; é o que Foucault chamaria de contra-conduta diante da biopolítica das potências ocidentais que tentam controlar os recursos energéticos do Oriente Médio. A afirmação da soberania sobre o Golfo Pérsico é um ato de resistência a um projeto neoliberal que trata territórios como mercadorias. Reduzir isso a “retórica incendiária” é perder de vista a materialidade das relações de poder.
Fernanda Oliveira
03/05/2026
João Augusto, boa tentativa com Gramsci, mas acho que você está superdimensionando a coisa. O Pezeshkian está apenas fazendo o básico que qualquer líder faria: defender o que a população dele considera seu por direito histórico. A questão é que essa retórica incendiária, por mais legítima que seja, também serve para desviar a atenção dos problemas internos do Irã, como a economia capenga e os protestos. Não é só xadrez geopolítico, tem muito teatro político doméstico aí no meio.
Maria Antonia
03/05/2026
Luan, seu comentário é exatamente o tipo de reação emocional que alimenta conflito em vez de entender o jogo geopolítico. O Irã está exercendo o direito mais básico de qualquer nação: defender seu território. Se o Brasil tivesse um décimo da firmeza que o Irã tem em proteger seus interesses estratégicos, não estaríamos reféns de pauta moralista e juros nas alturas enquanto o estado incha.
João Augusto
03/05/2026
Maria Antonia, concordo com sua crítica à reatividade emocional, mas discordo que a firmeza iraniana seja um modelo para o Brasil. O que Pezeshkian faz é o que Gramsci chamaria de guerra de posição no xadrez das potências regionais — uma defesa intransigente de recursos estratégicos num contexto de hegemonia contestada. Já nossa subserviência não é falta de firmeza, mas sintoma de uma elite que sempre negociou soberania por vantagens setoriais, como denunciou Caio Prado Jr. O problema não é o “joelho no chão”, é a classe que lucra com ele.
Lucas Gomes
03/05/2026
Luan, seu comentário revela uma compreensão bastante rasteira do que está em jogo aqui. Reduzir a afirmação de soberania de um país sobre seu território histórico a “defender terrorista” é exatamente o tipo de simplificação binária que as potências ocidentais adoram para justificar suas intervenções. O Irã, assim como qualquer nação que sofreu séculos de espoliação colonial, tem todo o direito de reafirmar sua identidade geográfica e política. O Golfo Pérsico não é um nome qualquer – é um marcador civilizacional que antecede em milênios a invenção dos Estados Unidos e de Israel como projetos coloniais modernos.
O que me impressiona é como certos setores do nosso debate público conseguem defender a soberania brasileira sobre a Amazônia – e com toda razão – mas negam o mesmo direito a um país que enfrenta sanções econômicas criminosas e ameaças militares constantes. A hipocrisia é estarrecedora. O discurso do presidente Pezeshkian não é sobre “terrorismo”, é sobre resistência à lógica predatória do capitalismo global que quer transformar cada gota de petróleo do Oriente Médio em lucro para acionistas ocidentais, enquanto a população local arca com as guerras e a destruição ambiental.
Augusto, você tocou num ponto crucial quando mencionou a subserviência do Brasil ao agronegócio e à bancada evangélica. É exatamente essa mesma lógica que faz com que nossos governantes se curvem aos interesses estadunidenses enquanto o Irã, com todos os seus problemas internos que não nego, mantém uma postura de independência. A crítica ao autoritarismo iraniano é legítima e necessária, mas precisamos fazer o mesmo exercício com nossos próprios aliados – Arábia Saudita, Emirados, que também têm péssimos históricos de direitos humanos e são tratados como parceiros comerciais preferenciais.
O que me preocupa, como ativista ambiental, é que essa disputa geopolítica toda esconde o elefante na sala: a dependência global de combustíveis fósseis. Enquanto EUA e Irã brigam pelo controle do Golfo, as petroleiras continuam perfurando, o carbono continua aquecendo o planeta, e os povos originários – sejam os curdos no Irã, os yanomami no Brasil ou os palestinos em Gaza – continuam pagando o preço mais alto. A soberania iraniana sobre o Golfo Pérsico é um direito inegociável, mas a verdadeira soberania que precisamos construir é a soberania energética e alimentar dos povos, rompendo com a maldição do petróleo que financia tanto a repressão interna quanto as guerras externas.
João Batista Alves
03/05/2026
Luan, meu filho, baixa essa bola! Aqui é terra de paz, mas o Irã não é brinquedo não. Eles tão é certo em defender o que é deles, que Deus ilumine os líderes de lá pra não cair em provocação. O Brasil precisa aprender com essa firmeza sem perder a fé no diálogo.
Augusto Silva
03/05/2026
João, concordo que o Irã tem todo o direito de defender o que é seu, mas essa história de “aprender com a firmeza deles” me soa estranha vindo de um país que, com todo respeito, vive de joelhos para agronegócio e bancada evangélica enquanto a gasolina bate recorde. Firmeza sem soberania energética é só teatro.
Luan Silva
03/05/2026
Vai defender terrorista agora é? Golfo Pérsico é deles sim, mas o Irã que se cuide porque o próximo a tomar no cu é o Hamas.
Marina Silva
03/05/2026
Luan, vai tomar um curso de geopolítica antes de repetir discurso de bot do Zap.
Pedro
03/05/2026
Pois é, John, você tocou num ponto que ninguém quer encarar: essa história de soberania é linda no discurso, mas quem paga a conta é o povo na fila do pão. Enquanto eles discutem nome de golfo, eu tô aqui vendo o preço da gasolina subir e pensando se compensa rodar mais um turno hoje. No fim das contas, político sempre arruma uma briga internacional pra desviar atenção do que realmente importa.
John Marshall
03/05/2026
Paulo, você levanta uma questão hobbesiana legítima: até que ponto a soberania se justifica quando o Leviatã cobra um preço tão alto dos seus súditos? O problema é que essa pergunta, quando feita apenas ao Irã, ignora que o custo da “liberdade” sob a hegemonia americana no Golfo também é pago com sangue — só que o sangue é de iemenitas e palestinos, e a fatura chega em dólar petróleo. O dilema real não é soberania versus pão, mas qual das duas ordens globais nos condena a um estado de natureza mais brutal.
Paulo Gestor RJ
03/05/2026
Pois é, Diego, você toca num ponto crucial: sanções econômicas são uma ferramenta de guerra, não de diplomacia. Mas, como administrador, fico me perguntando qual é o custo real dessa soberania para o povo iraniano. Manter o controle do Golfo é uma coisa, mas sustentar uma economia sob pressão constante é outra — e o cidadão comum acaba pagando a conta.
Ahmed El-Sayed
03/05/2026
Pezeshkian está certo: o Golfo Pérsico não é apenas água e petróleo, é a fronteira da dignidade de um povo que se recusa a ser humilhado por potências estrangeiras. Enquanto esses comentaristas liberais ficam repetindo mantra de livre mercado como se fosse oração, o Irã mostra que soberania e fé ainda valem mais que qualquer abstração econômica. O Ocidente que aprenda a respeitar nações que não se curvam.
Mariana Oliveira
03/05/2026
Lendo os comentários aqui, fico impressionada como a discussão rapidamente escorrega para um falso dilema entre “livre mercado” e “teocracia autoritária”, como se essas fossem as únicas lentes possíveis para entender a geopolítica do Golfo Pérsico. A fala de Pezeshkian não é apenas sobre petróleo ou estreitos navais; é sobre a memória colonial que estrutura as relações de poder no Oriente Médio. Kimberlé Crenshaw, ao formular a interseccionalidade, nos ensinou que as opressões não operam de forma isolada — e aqui vemos o colonialismo, o imperialismo e a exploração econômica atuando juntos. O Irã não está simplesmente “blefando” sobre Ormuz; está usando o único recurso que lhe resta depois de décadas de sanções que, convenhamos, não caíram do céu — foram impostas exatamente porque o país ousou nacionalizar seu petróleo em 1951, derrubando a Anglo-Iranian Oil Company. Isso não é teocracia, é resistência anticolonial.
O comentário do Ricardo, que infelizmente foi apagado, mas que os demais rebatem, me lembra a crítica que bell hooks fazia à falsa universalidade do pensamento liberal. hooks argumentava que a liberdade abstrata do mercado nunca se concretiza para quem está na base da pirâmide global — e o Irã, como país semiperiférico sancionado, é exatamente esse sujeito coletivo silenciado. Quando Pezeshkian reafirma que o Golfo Pérsico é “parte indissociável da identidade iraniana”, ele está fazendo o que os movimentos feministas interseccionais chamam de reivindicação de lugar de fala: dizer que a história daquele corpo d’água não pode ser contada apenas pelos EUA e seus aliados do Golfo, que têm bases militares e bombardeiam iemenitas com armas fabricadas no Ocidente. A soberania iraniana sobre o Golfo não é um capricho religioso; é uma resposta a 70 anos de intervenção estrangeira.
O que me preocupa, vendo a thread, é como alguns comentaristas reduzem a complexidade do Irã a uma caricatura — ou de vítima inocente ou de regime opressor. A interseccionalidade nos obriga a segurar as duas coisas ao mesmo tempo: sim, o Irã tem um governo teocrático que reprime mulheres, LGBTQIA+ e minorias étnicas — e eu, como feminista, não posso e não vou relativizar isso. Mas também é verdade que esse mesmo país é alvo de uma guerra híbrida dos EUA e de Israel, que inclui assassinatos seletivos de cientistas nucleares, sabotagem de infraestrutura civil e um bloqueio econômico que mata indiretamente ao impedir a importação de medicamentos. A crítica ao regime iraniano não precisa ser feita com a mesma ferramenta que o imperialismo usa para deslegitimar qualquer soberania nacional. bell hooks dizia que a solidariedade feminista precisa ser crítica, mas nunca colonial.
No fim das contas, a fala de Pezeshkian no Dia Nacional do Golfo Pérsico é um lembrete de que a geopolítica não se resolve com maniqueísmos. O Irã joga o jogo que pode com as cartas que tem — e o Estreito de Ormuz é a única carta que vale alguma coisa num baralho marcado pelas sanções. Enquanto isso, a Arábia Saudita, que decapita pessoas em praça pública e bombardeia hospitais no Iêmen com bombas americanas, é tratada como “parceira estratégica” pelo Ocidente. A hipocrisia é tão gritante que chega a ser didática. Então, antes de cairmos na armadilha de achar que “livre mercado” ou “democracia liberal” são respostas mágicas, sugiro uma leitura atenta de Crenshaw e hooks: a justiça global exige que a gente enxergue as múltiplas camadas de opressão e resistência que se cruzam no Golfo Pérsico.
Diego Fernández
03/05/2026
Ricardo, seu discurso de livre mercado ignora que o Irã está sob sanções há décadas exatamente por ousar ter soberania sobre seus recursos. Enquanto isso, os EUA mantêm bases militares em países do Golfo e vendem armas pra Arábia Saudita comemorar aniversário de criança bombardeando o Iêmen. O problema não é o Irã defender o Golfo Pérsico, é a hipocrisia de quem acha que liberdade econômica só vale quando não incomoda o Pentágono.
Ricardo Menezes
03/05/2026
Mais um teatrinho de regime teocrático que vive de óleo e oprime mulher. Enquanto esse aí discursa soberania, o povo iraniano paga a conta com inflação e falta de liberdade. Se fosse livre mercado de verdade, ninguém precisava ficar blefando com porta-aviões.
Pedro Almeida
03/05/2026
Ricardo, você reduz a geopolítica do Golfo a uma caricatura liberal que ignora que o controle do estreito de Ormuz não é blefe, mas a única moeda de troca que um país semiperiférico tem diante de sanções que já sufocam sua economia — lembre-se de que foi a CIA que orquestrou o golpe de 53 contra Mossadegh exatamente por ele ousar nacionalizar o petróleo, então esse “livre mercado” que você defende sempre foi a liberdade das petroleiras ocidentais explorarem sem resistência.
Alice T.
03/05/2026
Ricardo, livre mercado não paga conta de luz, não segura porta-aviões nem banca a inflação de país sancionado — isso é papo de coach de YouTube. Enquanto você defende abstração, o Irã joga xadrez geopolítico de verdade com o único trunfo que tem.
Letícia Fernandes
03/05/2026
Ricardo, seu comentário é um exemplar quase didático do que a psicanálise marxista chama de fetichismo invertido: você enxerga no Irã uma teocracia opressora e conclui que a solução é o livre mercado, como se a abstração do mercado fosse, por si só, uma força libertadora. Há aí um deslocamento sintomático — a raiva contra o regime iraniano é legítima, mas você a projeta numa fantasia liberal que ignora que o próprio capitalismo global, com sua divisão internacional do trabalho e suas cadeias de dependência, é a estrutura que torna possível que um país como o Irã, sancionado até a medula, recorra ao petróleo e à geopolítica do estreito como única moeda de soberania possível. O regime teocrático não é uma aberração fora da lógica do capital; ele é, em grande medida, o resultado das contradições do imperialismo no Oriente Médio, um subproduto da Guerra Fria e do apoio ocidental a ditaduras que, ao serem derrubadas, abriram espaço para o aiatolá. Reduzir isso a “teatrinho” é negar a materialidade histórica.
Você fala em inflação e falta de liberdade como se fossem falhas morais de um regime, e não efeitos estruturais de um bloqueio econômico que, segundo o próprio Fundo Monetário Internacional, já encolheu o PIB iraniano em mais de 15% desde 2018. O povo iraniano paga a conta, sim, mas a conta é assinada em Washington e Tel Aviv tanto quanto em Teerã. O livre mercado que você evoca nunca existiu para países periféricos — o que existe é um mercado mundial hierarquizado onde o Irã, ao tentar furar o bloqueio com alianças com Rússia e China, apenas repete o movimento de qualquer nação semiperiférica: usar os recursos que tem (petróleo, posição geográfica, capacidade de chantagem militar) para não ser engolido. Não é blefe, é o xadrez possível num tabuleiro onde as peças são desiguais.
Sua pena pelo povo iraniano, se é genuína, deveria se dirigir também à estrutura que o sufoca. O discurso de Pezeshkian não é para consumo interno apenas — é um ato de fala que performa a soberania diante de um inimigo que já violou o espaço aéreo iraniano dezenas de vezes. Chamar isso de teatrinho é o mesmo que chamar de teatrinho a resistência de um paciente que, num divã, repete o trauma para tentar elaborá-lo. O Irã repete o trauma do golpe de 1953, da guerra Irã-Iraque, das sanções unilaterais. O que você chama de blefe é, na verdade, o sintoma de uma nação que nunca pôde escolher livremente seu lugar no mundo. E enquanto você defende a abstração de um mercado que nunca existiu, o povo iraniano continua pagando a conta de um sistema que, sejamos honestos, não foi ele quem inventou.
Maura Santos
03/05/2026
Ricardo, você fala como se livre mercado fosse varinha mágica que resolve inflação e opressão, mas esquece que foi justamente a tal liberdade econômica que, nos anos 70 no Chile, acabou em apagão de direitos e pão com chuchu. Enquanto isso, o Irã segura o estreito de Ormuz com uma mão e com a outra tenta pagar a conta das sanções que seu amigo Tio Sam impôs — não é blefe, é sobrevivência.