A presidente do PT e deputada federal Gleisi Hoffmann transformou a sessão conjunta do Congresso em palanque de acusação direta. Ela afirmou que a base conservadora está passando pano aos envolvidos na tentativa de golpe que depredou as sedes dos Três Poderes em janeiro de 2023.
Da tribuna, Gleisi exigiu que o senador Davi Alcolumbre, presidente da Mesa do Congresso, leia imediatamente o requerimento que abre a CPI do Banco Master. O pedido está parado há semanas mesmo reunindo 53 assinaturas — número superior ao mínimo constitucional exigido.
O estopim do discurso foi a análise do Veto 3, que trata da chamada dosimetria de penas aprovada em dezembro passado. A medida abre brechas para reduzir penalidades impostas a réus do 8 de Janeiro.
Para Gleisi, derrubar o veto equivaleria a enviar uma mensagem de impunidade aos radicais que rasgaram a ordem democrática. Ela classificou o movimento como convite a novas aventuras golpistas.
“Instale-se a CPI do Master”, disparou a deputada, lembrando que o dispositivo constitucional confere caráter obrigatório à comissão quando o número mínimo de apoiadores já está confirmado. Ela advertiu Alcolumbre de que carregará para a própria biografia a pecha de conivente caso permita que o plenário alivie os conspiradores enquanto mantém na gaveta a investigação financeira.
A CPI pretende apurar possível favorecimento do Banco Master em operações com o Banco de Brasília (BRB). A comissão também investigará eventuais ligações de empresários bolsonaristas com pagamentos que teriam bancado atos antidemocráticos.
A pressão institucional sobre a cúpula do Parlamento se intensificou após senadores recorrerem ao Supremo Tribunal Federal para destravar a instalação da comissão. Ministros do STF concederam prazo para que Alcolumbre se manifeste sobre o impasse.
O cenário financeiro em torno do Master agrava o peso político da disputa. O ministro do STF André Mendonça prorrogou por 60 dias o inquérito da Polícia Federal que mira a compra do Master pelo BRB. A investigação levou à prisão preventiva do ex-presidente do banco, Paulo Henrique Costa, apontado como suspeito em apuração sobre irregularidades na operação.
A crise obrigou acionistas do BRB a aprovarem aumento de capital de até 8,8 bilhões de reais. O movimento é destinado a cobrir rombos que podem alcançar 5 bilhões de reais, conforme documentos internos da instituição.
Ao citar esses números, Gleisi afirmou não temer devassa alguma. Ela argumentou que a comissão esclarecerá se houve uso político de instituições financeiras para sustentar o esquema bolsonarista.
A ofensiva da petista recoloca o PT na dianteira do debate após a rejeição do nome de Jorge Messias pelo Senado. O episódio expôs a fragilidade do governo na Casa.
Para a deputada, o recado central é que críticas ao governo fazem parte do jogo democrático. Mas perdão institucional aos que tentaram derrubar um presidente eleito significaria renunciar à própria democracia.
Gleisi declarou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva venceu a Lava Jato, voltou ao Planalto pelo voto popular e não aceitará acordos que transformem o Congresso em escudo de quem atacou o Estado de Direito. A íntegra do discurso e o contexto da sessão foram relatados pelo Diário do Centro do Mundo.
Leia também: Gleisi pressiona Alcolumbre por CPI do Banco Master e liga escândalo bancário ao bolsonarismo
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