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Estudo aponta rochas vulcânicas no Reino Unido capazes de armazenar décadas de CO₂ industrial

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Formações rochosas vulcânicas no Reino Unido, que podem ser usadas para armazenar carbono industrial. (Foto: olhardigital.com.br)

Antigas rochas vulcânicas soterradas no subsolo do Reino Unido podem se tornar cofres permanentes para o dióxido de carbono gerado pela indústria.

O cálculo foi apresentado por pesquisadores na revista Earth Science, Systems and Society. A capacidade total estimada varia entre dezenas de milhões e até 38 bilhões de toneladas do gás.

Se confirmada em campo, a reserva subterrânea britânica seria suficiente para aprisionar até 45 anos das emissões industriais registradas em 2017. A possibilidade transformaria o arquipélago em um dos maiores sumidouros minerais do planeta.

O trabalho foi liderado pelo pesquisador Angus W. Montgomery, da Universidade de Edimburgo. Ele analisou mapas geológicos e composições químicas de oito grandes formações basálticas.

Montgomery constatou que minerais ricos em ferro e magnésio presentes nesses antigos fluxos de lava reagem rapidamente com CO₂ dissolvido em água. O resultado é a formação de carbonatos sólidos e estáveis.

A região mais promissora identificada no estudo é o Antrim Lava Group, na Irlanda do Norte, onde camadas contínuas de basalto se estendem por centenas de quilômetros quadrados. No cenário intermediário, apenas essa província poderia aprisionar cerca de 1,4 bilhão de toneladas do gás, chegando a 17 bilhões na estimativa máxima.

Formações semelhantes no noroeste da Inglaterra e no oeste da Escócia também chamam atenção, com potenciais respectivos de 700 milhões e 600 milhões de toneladas. A distribuição espacial reduz riscos de concentração excessiva de poços de injeção e amplia a cobertura para polos industriais espalhados pelo país.

O método proposto segue o princípio da mineralização, já testado em projetos pioneiros na Islândia e no Canadá. O processo consiste em capturar o CO₂ de chaminés industriais, dissolvê-lo em água e injetar a mistura em profundidade, onde o fluido percorre fissuras e poros até cristalizar em carbonatos.

Diferentemente do armazenamento puro em bolsões geológicos, a conversão química praticamente elimina a ameaça de vazamentos futuros. Quando o CO₂ vira pedra, ele deixa de depender de pressão controlada e selos de cimento, tornando-se parte integrante da própria rocha hospedeira.

Conforme detalha o Olhar Digital em sua cobertura do estudo, as formações analisadas jazem a profundidades consideradas ideais — entre 800 e 2.500 metros. Muitas camadas são ainda sobrepostas por rochas impermeáveis que funcionam como vedação natural adicional.

Os autores alertam que parte do espaço poroso pode ser gradualmente preenchida pelos novos minerais, reduzindo a capacidade útil ao longo das décadas. Por isso, testes de injeção precisam medir velocidades de reação, taxa de obstrução e viabilidade econômica antes de qualquer expansão comercial.

Outro entrave é a infraestrutura de captura nas próprias fábricas, já que cimentícias, siderúrgicas e químicas exigem sistemas robustos de limpeza dos gases de combustão. O governo britânico avalia subsídios e créditos de carbono para incentivar a instalação dos equipamentos, mas o cronograma definitivo ainda depende de consultas públicas.

Especialistas apontam que o Reino Unido pode converter o know-how acumulado no mar do Norte — onde décadas de exploração de petróleo geraram mão de obra especializada e tecnologia de perfuração — em vantagem competitiva para a nova indústria de captura e armazenamento mineral. Poços desativados, dutos existentes e estaleiros navais oferecem estrutura quase pronta para essa cadeia de valor emergente.

Mesmo com os desafios técnicos e regulatórios pela frente, o estudo reforça a importância de soluções geológicas complementares às metas de neutralidade climática. Energias renováveis reduzem a emissão futura, mas o passivo histórico de CO₂ na atmosfera exige estratégias capazes de removê-lo de forma irreversível — e as antigas lavas britânicas podem ser uma resposta concreta a essa demanda.


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