Israel ampliou suas operações militares no sul do Líbano e no Vale do Bekaa, causando mortes e destruição em diversas áreas.
De acordo com o governo libanês, pelo menos dez pessoas foram mortas e outras vinte ficaram feridas nos recentes bombardeios. Os ataques tiveram como alvo regiões associadas ao Hezbollah, incluindo subúrbios ao sul de Beirute, atingidos pela primeira vez desde o cessar-fogo de novembro de 2024.
O exército israelense confirmou que buscava eliminar um comandante da força Radwan, unidade de elite do Hezbollah. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ministro da Defesa Israel Katz declararam que as operações visam neutralizar o que chamam de ameaças terroristas.
Ambos afirmaram que nenhum indivíduo ligado a atividades contra Israel terá imunidade, justificando os ataques como proteção aos cidadãos do norte do país. A retórica ignora o impacto devastador sobre a população civil libanesa.
Além das perdas humanas, os bombardeios causaram danos graves a patrimônios históricos e religiosos. Em Yarun, o exército israelense admitiu ter atingido um mosteiro e uma igreja católica, alegando uso militar pelo Hezbollah — o que foi negado por líderes religiosos locais.
Os líderes afirmaram que o complexo pertence às Suore Salvatoriane, uma ordem greco-católica melquita, sem qualquer evidência de atividade militar. A Grande Mesquita de Bint Jbeil, com 400 anos de história, e a mesquita otomana de Zawtar Sharqiye também foram destruídas nos ataques.
Imagens divulgadas nas redes sociais mostram um soldado israelense profanando uma estátua da Virgem Maria em um vilarejo cristão no sul do Líbano. O exército de Israel informou que está investigando o incidente, mas episódios como esse aprofundam as tensões na região.
O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, rejeitou a ideia de negociações diretas com Israel, proposta levantada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Salam destacou que a persistência dos ataques evidencia a fragilidade das tentativas de mediação internacional.
Os bombardeios continuam a devastar comunidades locais, destruindo vilarejos e monumentos que representam séculos de história. Especialistas ouvidos pelo Al Jazeera alertam para o impacto duradouro dessas ações sobre a população civil e seu patrimônio cultural.
A situação no Líbano permanece crítica, com crescentes apelos por uma resposta da comunidade internacional em defesa da soberania do país. As operações militares israelenses seguem sem sinais de recuo, aprofundando o sofrimento de civis na região.
Com informações de ANSA.
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Zé Trovãozinho
06/05/2026
Mais um “comandante” eliminado e a paz no Oriente Médio continua sendo uma miragem. Enquanto isso, o povo brasileiro paga a conta de um governo que só sabe aumentar imposto e fazer discurso vazio. Cadê o Lula pra criticar Israel com a mesma força que critica a Venezuela? Hipocrisia pura.
Lucas Pinto
06/05/2026
Zé Trovãozinho, sua crítica à hipocrisia seletiva do discurso diplomático brasileiro tem um fundo de verdade que merece ser levado a sério, mas o enquadramento que você dá ao problema revela justamente o que Gramsci chamaria de hegemonia do senso comum: você denuncia a incoerência de Lula sem questionar o terreno em que essa suposta incoerência se move. O fato de o governo brasileiro aplicar critérios diferentes para condenar Israel e condenar a Venezuela não é, em si, uma prova de hipocrisia — é a expressão de que o Estado brasileiro opera dentro de uma correlação de forças geopolíticas objetivas, onde o alinhamento automático com o sionismo estadunidense é a posição padrão da burguesia nacional, e qualquer desvio disso já é tratado como escândalo. A pergunta que você deveria fazer não é “por que Lula critica Israel menos que a Venezuela?”, mas sim “por que a crítica a Israel, mesmo quando ocorre, é recebida como um ato de guerra, enquanto a crítica à Venezuela é normalizada como simples opinião política?”.
A resposta está na estrutura do poder global. Israel é o posto avançado do imperialismo no Oriente Médio, um Estado que funciona como plataforma de projeção militar dos EUA e como laboratório de tecnologias de vigilância e repressão que depois são exportadas para regimes como o brasileiro. Criticar Israel com a mesma intensidade com que se critica a Venezuela não é um mero gesto de coerência moral — é um ato que coloca em xeque a própria legitimidade da ordem imperialista. Já criticar a Venezuela, mesmo que duramente, não ameaça nenhum interesse estrutural do capital; pelo contrário, reforça a narrativa de que existem “ditaduras” e “democracias” no tabuleiro, quando na verdade o que existe é uma hierarquia de subordinação ao capital financeiro internacional. A hipocrisia que você enxerga em Lula é, na verdade, a hipocrisia constitutiva de um Estado que precisa manter as aparências de soberania enquanto serve aos interesses do mercado.
Quanto à sua conexão entre os bombardeios no Líbano e os impostos brasileiros, preciso dizer que ela opera por um deslocamento ideológico clássico: você pega a indignação legítima com a carga tributária regressiva do Brasil e a projeta para fora, como se o problema fosse a guerra no Oriente Médio “desviar” recursos que deveriam vir para cá. A verdade é que o Estado brasileiro sangra o povo com impostos não porque exista guerra no Líbano, mas porque a elite nacional construiu um pacto fiscal que transfere renda dos trabalhadores para o capital financeiro e para o agronegócio exportador. A guerra no Líbano é um sintoma do mesmo sistema que faz você pagar imposto alto: o capitalismo em sua fase de crise orgânica, que precisa de Estados militarizados, de guerras periféricas e de uma população desmobilizada para se reproduzir. Culpar Lula por não ser “coerente” nas críticas a Israel é perder de vista que a coerência, no capitalismo, é um luxo que só o intelectual orgânico da classe dominante pode se dar ao luxo de cobrar.
No fim das contas, Zé Trovãozinho, sua fala revela mais sobre a armadilha do moralismo pequeno-burguês do que sobre a realidade do conflito. Enquanto você espera que Lula tenha uma posição “coerente” entre Venezuela e Israel, o Hezbollah e o Estado de Israel continuam matando gente de verdade, e o seu imposto continua indo para pagar juros da dívida pública, não para financiar saúde ou educação. A questão não é a hipocrisia de Lula — é a hipocrisia de um sistema que transforma a vida em mercadoria e a guerra em negócio. Se você quer de fato romper com isso, pare de cobrar coerência dos políticos e comece a questionar a estrutura que torna a incoerência a única posição possível dentro do jogo.
Luiz Carlos
06/05/2026
Mais uma prova de que o mundo tá virado. Enquanto a gente paga imposto absurdo aqui, lá fora é guerra todo dia. O Hezbollah é um grupo terrorista, sim, mas essa violência toda só gera mais ódio. Cadê a ONU pra botar ordem nisso?
Paulo Ribeiro
06/05/2026
Luiz Carlos, você toca num ponto nevrálgico que revela muito sobre como a mídia hegemônica molda nosso entendimento do conflito. Quando você classifica o Hezbollah como “grupo terrorista”, está reproduzindo um enquadramento que serve aos interesses de Israel e dos Estados Unidos, sem considerar que essa organização surgiu como resposta à invasão israelense do Líbano em 1982 e se consolidou como um movimento de resistência nacional, com ampla base social entre xiitas libaneses e atuação em serviços públicos, escolas e hospitais. Não se trata de romantizar violência, mas de compreender que a categoria “terrorismo” é aplicada seletivamente: o Estado de Israel, que há décades ocupa territórios palestinos em violação ao direito internacional e promove bombardeios que matam civis, nunca é chamado de “terrorista” pela grande imprensa.
Sobre a ONU, sua indignação é justa, mas ingênua. O Conselho de Segurança é um órgão paralisado pelo poder de veto das potências, especialmente dos EUA, que já vetaram dezenas de resoluções condenando Israel. A resolução 1701 da ONU, que encerrou a guerra de 2006 entre Israel e Hezbollah, nunca foi implementada plenamente porque Israel continua violando a soberania libanesa com sobrevoos e incursões terrestres. A ONU não é um ente abstrato acima dos Estados; é uma arena onde se expressam as contradições do capitalismo global. Enquanto os EUA mantiverem seu veto em favor de Israel, qualquer “ordem” que a ONU tente impor será seletiva e hipócrita.
Por fim, sua reclamação sobre impostos no Brasil não é descabida, mas precisa ser articulada com a lógica do imperialismo. O dinheiro que sai do seu bolso em tributos regressivos financia, indiretamente, a máquina de guerra israelense através dos juros da dívida pública, que alimenta o sistema financeiro internacional que também lucra com conflitos no Oriente Médio. Como diria Mariátegui, o problema não é apenas a guerra lá fora, mas a estrutura de classes que a reproduz aqui dentro. Se queremos paz no Líbano, precisamos lutar contra o orçamento militar brasileiro que compra caças da Suécia e contra o lobby sionista no Congresso Nacional. A violência em Beirute e a carestia em São Paulo são faces da mesma moeda cunhada pelo capital.
Laura Silva
06/05/2026
Luiz Carlos, sua indignação com os impostos é legítima e revela um sintoma profundo do nosso tempo: a sensação de que o Estado brasileiro nos sangra enquanto o mundo queima. Mas preciso fazer um contraponto, porque a maneira como você conecta as duas coisas pode nos levar a um beco sem saída analítico. Dizer que “o mundo tá virado” sugere uma espécie de catástrofe natural, um descontrole cósmico. Não é. O que vemos no Líbano é a expressão mais brutal de uma geopolítica calculada, fria e deliberada. Israel não age por ódio irracional; age dentro de uma lógica de manutenção da sua hegemonia regional, apoiada incondicionalmente pelos Estados Unidos e, por extensão, por uma ordem internacional que se diz “baseada em regras”, mas que só funciona quando convém ao Ocidente.
Você pergunta “cadê a ONU?”. Essa é a pergunta certa, mas talvez pela razão errada. A ONU não é uma entidade celestial que desce para “botar ordem”. Ela é um conselho de segurança onde cinco países têm poder de veto. E um desses países, os EUA, já vetou dezenas de resoluções condenando Israel. A ONU está lá, sim, paralisada por uma estrutura de poder que reflete exatamente a correlação de forças do pós-Segunda Guerra Mundial, congelada no tempo. Esperar que a ONU resolva o conflito sem uma reforma profunda do seu conselho de segurança é como esperar que o inquilino pague o aluguel com a ajuda do proprietário que o despejou. O sistema está desenhado para produzir impunidade, não justiça.
E sobre classificar o Hezbollah como “grupo terrorista”: entendo que essa é a nomenclatura hegemônica, mas ela apaga a complexidade histórica. O Hezbollah surge nos anos 1980 como resposta à invasão israelense do Líbano. É um movimento de resistência armada que, ao mesmo tempo, mantém uma rede de assistência social, escolas e hospitais para a população xiita libanesa, historicamente marginalizada. Isso não é uma defesa moral de todos os seus métodos, longe disso. É uma constatação sociológica: rotular um movimento de “terrorista” é um ato político que deslegitima qualquer reivindicação de autodeterminação e justifica a violência estatal contra ele. A verdadeira questão não é se o Hezbollah é bom ou mau, mas por que a resistência armada se tornou a única via possível para um povo que viu sua terra ser ocupada e sua soberania violada repetidamente, enquanto a diplomacia internacional se revela uma farsa.
Por fim, sobre os impostos: acho que a raiva deveria ser canalizada para entender que o nosso dinheiro, em grande parte, financia essa mesma ordem mundial violenta. Pagamos uma dívida pública imoral que alimenta o sistema financeiro internacional, e o Brasil importa armamentos e tecnologia militar de países que patrocinam esses conflitos. A guerra no Líbano e o nosso ajuste fiscal são duas faces da mesma moeda: a lógica do capital que precisa de um Estado forte para reprimir aqui e de um Estado beligerante para expandir mercados e controlar rotas energéticas lá. Não se engane: a violência de Tel Aviv e a violência do nosso arrocho fiscal são irmãs siamesas. O problema não é que o mundo “virou”; o problema é que ele sempre funcionou assim, e a classe trabalhadora global, do Brasil ao Líbano, continua pagando a conta.