A Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos aprovou o Flow FL-100 para o tratamento domiciliar de casos moderados a severos de transtorno depressivo maior.
O dispositivo, desenvolvido pela Flow Neuroscience, aplica estimulação transcraniana por corrente contínua e representa uma opção não farmacológica para os pacientes. O headset se conecta via Bluetooth a um aplicativo de smartphone que orienta o usuário durante as sessões.
Os pacientes controlam o tratamento, monitoram o progresso e ajustam configurações conforme as recomendações do sistema. Correntes elétricas de baixa intensidade são enviadas a áreas específicas do cérebro durante o uso.
Essa estimulação modifica a excitabilidade neuronal e promove a conectividade neural prejudicada pela depressão, segundo os desenvolvedores. A estimulação magnética transcraniana repetitiva já era utilizada em ambiente clínico com aprovação da FDA.
A terapia eletroconvulsiva, por sua vez, exige anestesia e induz convulsões no paciente. Seu uso remonta à década de 1930 e acumula estigma social ao longo das décadas, reforçado por representações culturais como o filme Um estranho no ninho.
O estudo que fundamentou a aprovação foi publicado na revista Nature Medicine. Os resultados indicaram eficácia, segurança e aceitabilidade do dispositivo entre os voluntários.
Alguns especialistas consideraram modesta a redução média nos escores da escala Hamilton de depressão. O Flow FL-100 se mostra particularmente útil para pacientes resistentes a medicamentos ou que buscam alternativas não farmacológicas.
O produto já se encontra disponível no Reino Unido desde 2019. A companhia pretende lançar o aparelho nos Estados Unidos com preço entre 500 e 800 dólares.
A presidente-executiva da Flow Neuroscience, Erin Lee, destacou o potencial de acessibilidade do tratamento. O dispositivo pode funcionar como terapia principal ou como complemento aos tratamentos farmacológicos convencionais.
Os efeitos colaterais mais comuns incluem zumbido nos ouvidos, dores de cabeça e irritação na pele. A maioria dos usuários relata que esses sintomas são de intensidade leve e transitórios.
A aprovação abre caminho para maior adoção de tecnologias portáteis na área de saúde mental. Pacientes com dificuldades de acesso a clínicas podem se beneficiar diretamente dessa inovação.
Com informações de SMITHSONIANMAG.
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