Em um avanço que promete reescrever nossa compreensão do universo, cientistas liderados pela Universidade de Princeton anunciaram a descoberta de mais de 10.000 possíveis novos planetas fora do nosso sistema solar. Essa revelação surpreendente foi possível graças à inteligência artificial que analisou dados antigos do Satélite de Pesquisa de Exoplanetas em Trânsito (TESS) da NASA, abrangendo mais de 83 milhões de estrelas.
Entre as descobertas, pelo menos 11 mundos foram classificados como super-Terras ou semelhantes à Terra, com tamanhos um a dois vezes maiores que o nosso planeta e superfícies rochosas. Segundo o Daily Mail, essa descoberta sugere que a formação de planetas pode ser muito mais comum do que os cientistas acreditavam, incluindo ao redor de estrelas mais fracas, antes consideradas difíceis de estudar.
Até o momento, o Instituto de Ciência de Exoplanetas da NASA confirmou a existência de cerca de 5.500 exoplanetas na galáxia. No entanto, com a ajuda da IA, os pesquisadores conseguiram expandir significativamente o catálogo total de candidatos conhecidos do TESS, revelando uma vasta população de mundos até então ocultos.
Os planetas recém-descobertos foram identificados por meio de sua ‘transição’, ou seja, ao cruzarem na frente de suas estrelas, causando uma pequena queda regular no brilho da estrela. Essa técnica, anteriormente focada em estrelas mais brilhantes, agora foi expandida para estrelas até 10.000 vezes mais fracas do que o olho humano pode ver.
O estudo, publicado na série Astrophysical Journal Supplement, começou com dados brutos do primeiro ano completo de observações do TESS, que capturou imagens de grandes porções do céu a cada 30 minutos entre 2018 e 2019. Com a ajuda de modelos de inteligência artificial, como classificadores Random Forest, a equipe de Princeton conseguiu diferenciar sinais reais de trânsito planetário de ruídos de fundo, como estrelas binárias eclipsantes.
Dos 11.554 candidatos de planetas, 10.091 eram totalmente novos, nunca antes vistos ao redor dessas estrelas fracas, enquanto outros 411 foram observados transitando apenas uma vez. A maioria dos novos planetas parece ser composta por gigantes gasosos, embora haja uma ênfase em mundos rochosos, semelhantes a Júpiter e Saturno em nosso sistema solar, com atmosferas densas de gases como hidrogênio e hélio.
Embora 11 desses mundos tenham sido identificados como semelhantes à Terra, a pesquisa não determinou se algum deles possui água líquida, um fator crucial na busca por vida alienígena. Além disso, não foi especificado se algum desses planetas está na ‘zona habitável’ de seus sistemas solares, uma região onde as condições são ideais para a existência de água líquida na superfície.
Esta zona, conhecida como zona de Goldilocks, é a faixa de distância de uma estrela onde as temperaturas não são nem muito quentes nem muito frias para a formação de água líquida. A descoberta ressalta a capacidade da tecnologia moderna de expandir nosso censo de candidatos a planetas em trânsito, especialmente ao redor de estrelas fracas.
Com essas novas ferramentas, a ciência planetária continua a desafiar os limites do conhecimento humano, trazendo à luz mundos desconhecidos que podem abrigar segredos sobre a origem e a diversidade do cosmos. Essa descoberta não apenas amplia nosso entendimento do universo, mas também reforça a ideia de que os planetas podem, de fato, superar em número as estrelas da Via Láctea.
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