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Descoberta arqueológica destaca relação milenar entre dingo e aborígenes

0 Comentários🗣️🔥 Ossos de um dingo enterrado há mil anos, com uma fita métrica para referência de tamanho. (Foto: smithsonianmag.com) Uma recente descoberta arqueológica na Austrália revelou a importância de um dingo para os ancestrais do povo Barkindji, que viveram há cerca de mil anos. O animal, que sofreu ferimentos graves, possivelmente causados por um […]

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Ossos de um dingo enterrado há mil anos, com uma fita métrica para referência de tamanho. (Foto: smithsonianmag.com)

Uma recente descoberta arqueológica na Austrália revelou a importância de um dingo para os ancestrais do povo Barkindji, que viveram há cerca de mil anos. O animal, que sofreu ferimentos graves, possivelmente causados por um canguru, foi enterrado com cuidado e reverenciado por séculos, conforme relatado pelo Smithsonian Magazine.

O dingo, conhecido como ‘garli’ na língua Barkindji, foi encontrado no Parque Nacional Kinchega, ao longo do rio Darling, em Nova Gales do Sul. A prática de adicionar conchas de mexilhão ao local de sepultamento por aproximadamente 500 anos após sua morte indica um ritual de respeito e conexão com os ancestrais. David Doyle, um guardião Barkindji, explicou que a continuidade desse ritual reflete a importância do animal como um totem para a comunidade.

O esqueleto do dingo foi escavado em colaboração com os guardiões Barkindji, após sua descoberta inicial há cerca de 25 anos. Amy Way, arqueóloga da Universidade de Sydney e do Museu Australiano, destacou que o dingo tinha entre 4 e 7 anos quando morreu e que suas lesões, incluindo costelas e uma perna quebrada, foram curadas graças aos cuidados da comunidade Barkindji.

Após sua morte, o dingo foi enterrado em um local que funcionava como um depósito de lixo antigo, mas que se tornou um local de homenagem. A prática de adicionar conchas ao local é comparada a rituais de outras culturas, onde descendentes retornam a locais ancestrais para oferecer presentes e honrar os mortos. Loukas Koungoulos, zooarqueólogo da Universidade da Austrália Ocidental, afirmou que os dingos eram parte integrante da vida cotidiana dos Barkindji, não sendo apenas tolerados, mas profundamente respeitados.

Essa descoberta não apenas revela a relação histórica entre os Barkindji e os dingos, mas também destaca a continuidade cultural e a importância dos rituais de memória e respeito ao longo dos séculos. A preservação do esqueleto e a realização de cerimônias durante as escavações reforçam a continuidade dessa conexão cultural até os dias de hoje.


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