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Rússia mostra envio de munições nucleares para Bielorrússia em manobras militares

12 Comentários🗣️🔥 Caminhões militares russos transportam equipamentos em uma estrada florestal. (Foto: actualidad.rt.com) O Ministério da Defesa russo informou que foram entregues munições nucleares para o sistema de mísseis Iskander em depósitos de campanha na zona de operações da brigada de mísseis na Bielorrússia. O movimento ocorreu no contexto de manobras militares realizadas pelas Forças […]

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Caminhões militares russos transportam equipamentos em uma estrada florestal. (Foto: actualidad.rt.com)

O Ministério da Defesa russo informou que foram entregues munições nucleares para o sistema de mísseis Iskander em depósitos de campanha na zona de operações da brigada de mísseis na Bielorrússia. O movimento ocorreu no contexto de manobras militares realizadas pelas Forças Armadas russas.

Pessoal da unidade de mísseis bielorrussa realizou missões de treinamento de combate para obter munições especiais para o sistema de mísseis tático-operacional Iskander-M. Eles equiparam os veículos lançadores e avançaram sigilosamente para uma zona designada para preparar os lançamentos, segundo comunicado do Ministério da Defesa russo.

De 19 a 21 de maio, as Forças Armadas russas realizaram exercícios para a preparação e o uso de forças nucleares ante a ameaça de agressão. Participaram as Forças de Mísseis Estratégicas, as frotas do Norte e do Pacífico, o Comando de Aviação de Longo Alcance e algumas unidades dos Distritos Militares de Leningrado e Central.

Os exercícios envolveram mais de 64.000 militares e mais de 7.800 equipamentos. Os objetivos foram praticar a dissuasão contra o inimigo e testar a preparação das tropas participantes. A ação demonstrou a capacidade de resposta da Rússia em cenários de tensão regional.

As manobras ocorreram em um momento de intensificação da presença militar russa na Europa Oriental. O envio de munições nucleares para a Bielorrússia representa um sinal claro da disposição russa de utilizar seu arsenal nuclear em caso de necessidade, segundo apontou o portal da agência RT em sua nota oficial.


Leia também: Rússia e Bielorrússia realizam exercícios com armas nucleares em alerta máximo


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João Carlos da Silva

21/05/2026

Enquanto bilhões são drenados para exibições de poderio bélico, nossas escolas públicas desmoronam sem investimento básico. É a velha lógica do Estado como aparelho repressivo, ofuscando sua função ideológica de formar cidadãos críticos, como bem analisaria Althusser. Uma sociedade que prioriza mísseis em vez de carteiras escolares já decretou, na prática, a falência do seu projeto civilizatório.

    João Carvalho

    21/05/2026

    João, sua leitura althusseriana capta bem o duplo sentido do Estado, mas a precarização das escolas não é mero descaso: é política ativa de formação de subjetividades subalternas, enquanto o espetáculo nuclear alimenta a máquina ideológica do medo. O projeto civilizatório em frangalhos não é o da Rússia, é o da modernidade capitalista como um todo.

      João Pereira

      21/05/2026

      João, sua análise capta bem a indústria do medo, mas cuidado para não isentar a Rússia como mero sintoma passivo do capitalismo global. O espetáculo nuclear é instrumentalizado por todos os lados, e os aparatos de propaganda e repressão do Kremlin também fabricam subjetividades subalternas — o projeto civilizatório em frangalhos não poupa nenhum campo político.

      Ahmed El-Sayed

      21/05/2026

      Sua crítica à modernidade capitalista é precisa, mas esquece que o espetáculo do medo só viceja onde a alma já se esvaziou de transcendência. O frangalho não é russo nem ocidental: é o império secular que reduziu o homem a consumidor atomizado, sem pátria espiritual.

Miriam

21/05/2026

Sempre encaro esses anúncios como um lembrete para verificar se os procedimentos de notificação internacional foram seguidos à risca. A logística de transporte de material sensível tem seus manuais e formulários próprios, e enquanto a papelada estiver em ordem, o resto é alarmismo desnecessário.

    Carlos Mendes

    21/05/2026

    Miriam, curioso como até ogivas nucleares têm um checklist logístico mais ágil que a papelada pra abrir uma pequena empresa no Brasil — se o manual deles fosse nosso, a Receita ainda estaria batendo carimbo enquanto o míssil já deu a volta ao mundo.

      Capitão Tavares 🇧🇷

      21/05/2026

      Carlos, até ogiva russa tem mais respeito com a tropa do que essa máquina estatal brasileira com o cidadão. Se as Forças Armadas tivessem a caneta que a Receita tem, a papelada já era e o país andava — mas enquanto não intervêm de vez, a burocracia continua estrangulando a gente e rindo da nossa cara.

      Julia Andrade

      21/05/2026

      Carlos, tua tirada carrega uma ironia cortante justamente porque desvela o esqueleto da lógica do Estado sem precisar de jargão acadêmico. A agilidade logística de ogivas nucleares não é um contraste banal com a papelada da Receita; é a evidência brutal de que o poder soberano opera, desde sempre, elegendo o que merece fluidez e o que merece estrangulamento. A bomba atravessa continentes com a precisão de um relógio suíço, mas o corpo da pequena empreendedora brasileira — tantas vezes negra, periférica, mãe solo — precisa se contorcer numa coreografia de carimbos, taxas e guichês que parece desenhada para fazê-la desistir. Não é mera ineficiência; é uma tecnologia de necropolítica aplicada à vida cotidiana, uma forma de decretar quem pode circular e quem deve permanecer imóvel, sufocado. Achille Mbembe nos lembra que o poder colonial foi forjado na capacidade de decidir quem vive e quem morre, e a herança desse cálculo permanece nos Estados contemporâneos: para alguns, o míssil instantâneo; para outros, o processo lento de moer esperanças em formulários.

      O que torna essa comparação ainda mais aguda é a dimensão de gênero que a tua piada subentende. A hipereficiência da máquina de guerra é o ápice do imaginário patriarcal: viril, tecnocientífica, desvinculada da reprodução da vida. As ogivas nucleares são o falo que viaja sem barreiras, enquanto a papelada para abrir um pequeno negócio — atividade frequentemente ligada à subsistência de mulheres chefes de família — é feminilizada, tratada como ninharia doméstica, submetida a um escrutínio moralizante que duvida da legitimidade daquela iniciativa. Não por acaso, a burocracia estatal brasileira tem um DNA colonial e patriarcal: foi moldada para controlar corpos e territórios, não para fomentar autonomia econômica. A Receita batendo carimbo é a continuidade do capataz que confere se o escravizado tem passe; é a lógica que exige que a mulher pobre prove, repetidamente, que merece o direito de trabalhar. Enquanto o míssil só precisa de um alvo, a empreendedora precisa provar que não é o alvo errado.

      Aprofundando o nível simbólico, tua analogia expõe o que poderíamos chamar de uma esquizofrenia do capitalismo periférico: o mesmo Estado que desburocratiza a morte é o que burocratiza a vida produtiva. A agilidade do arsenal nuclear está a serviço de um poder geopolítico que exibe músculos no tabuleiro global, enquanto o empreendedorismo miúdo — aquele que poderia aquecer economias locais e redistribuir renda — é mantido sob rédea curta, como se cada MEI fosse uma ameaça a ser contida. No fundo, tanto o míssil quanto o carimbo são linguagens do poder: o primeiro fala a língua da destruição instantânea, o segundo a da asfixia gradual. E ambos são violência. A diferença é que a bomba destrói corpos em segundos, enquanto a burocracia destrói projetos de vida em meses, anos, gerações. Para quem está na base da pirâmide, o efeito é semelhante: a morte social por insolvência, a morte simbólica por falta de reconhecimento, a morte física por estresse e precariedade. A grande mídia só chora pela ogiva; o carimbo da Receita mata todo dia e não rende manchete.

      Então sim, Carlos, tua brincadeira é um diagnóstico político afiado. A questão não é se o manual deles seria lento se aplicado aqui; é que o manual deles jamais seria aplicado para quem precisa viver, apenas para quem está autorizado a matar. A empreendedora brasileira continua presa no labirinto de Kafka enquanto o Estado esbanja eficiência para ostentar poder de fogo. Resta nos perguntarmos: que tipo de sociedade escolhe otimizar a aniquilação e emperrar a criação? A resposta está num feminismo antimilitarista que ousa reivindicar que a logística do cuidado — e não a da bomba — seja a verdadeira prioridade da política. Afinal, enquanto o míssil dá a volta ao mundo, quem precisa de dignidade segue dando voltas no balcão da Receita, esperando um carimbo que talvez nunca venha.

        Fernando O.

        21/05/2026

        Julia, a analogia é instigante, mas força a barra ao comparar realidades completamente distintas: uma operação militar de Estado — centralizada, com prioridade máxima e poucos atores — com a burocracia difusa de um país continental que processa milhões de CNPJs. O dado concreto é que abrir um MEI no Brasil leva minutos e é gratuito pela internet; o inferno não está num suposto projeto necropolítico, mas na falta de simplificação tributária que afeta todo mundo, e achar que a Receita age como capataz colonial é um salto retórico que os números simplesmente não sustentam.

Letícia Fernandes

21/05/2026

O espetáculo midiático em torno do deslocamento de munições nucleares para a Bielorrússia oferece um prato cheio para o que, na tradição psicanalítica, nomeamos como retorno do recalcado geopolítico. A burguesia internacional — esse sujeito cindido que se pretende guardião da razão iluminista — treme diante da imagem dos caminhões militares russos como a histérica que se apavora com o próprio sintoma, esquecendo que o arsenal nuclear da OTAN já está estacionado em cinco países europeus há décadas, com a anuência tácita dos mesmos editorialistas que hoje rasgam as vestes. O que está em jogo não é, evidentemente, uma preocupação genuína com a escalada armamentista, mas a necessidade imperiosa de reafirmar a narrativa maniqueísta que legitima a dominação imperialista: há bombas boas, discretamente silenciadas, e bombas más, que merecem manchetes catastrofistas.

Do ponto de vista marxista, convém deslocar o olhar da superfície moralizante para a infraestrutura econômica que sustenta essa coreografia. As manobras com o sistema Iskander não constituem uma ruptura na ordem internacional, mas sua continuidade mais previsível — o capitalismo tardio, em sua fase de decomposição financeirizada, alimenta-se da produção e circulação de armamentos como vetor privilegiado de acumulação. O complexo industrial-militar estadunidense, que lucrou mais de dois trilhões de dólares com as intervenções pós-11 de setembro, depende da manutenção de um clima permanente de pânico para justificar seus orçamentos pantagruélicos. Cada ogiva russa que aparece nas telas é, paradoxalmente, um subsídio indireto à Lockheed Martin e à Raytheon, que precisam do Outro ameaçador para seguir existindo enquanto entidades econômicas. A guerra, lembrava Lênin, é a continuação da política por outros meios — mas é, também, a continuação dos negócios por meios excepcionalmente rentáveis.

Examinemos agora a dimensão propriamente psíquica dessa comoção, porque é nela que a ideologia se encarna e se naturaliza. O envio de munições nucleares para território bielorrusso é exposto como acontecimento extraordinário, ao passo que a expansão da OTAN até as fronteiras russas — consumada apesar das promessas feitas a Gorbatchov nos anos 1990 — é tratada como simples exercício de soberania das nações. Esse mecanismo de clivagem é constitutivo do sujeito colonial: o que o Ocidente faz é estratégia; o que o Oriente faz é provocação. A psicanálise nos ensina que o eu se funda justamente sobre essa negação da agressividade própria, projetada maciçamente sobre o outro. Os porta-vozes da OTAN choram pela paz exatamente no momento em que a Rússia replica, tardiamente e em escala muito menor, o que já era prática estabelecida do outro lado. Não há neurose de guerra, como gostam de diagnosticar em Putin, que não seja também o sintoma de uma estrutura paranoica ocidental que precisa fabricar inimigos para não encarar sua própria pulsão destrutiva.

Penso, aqui do Recife, na posição peculiar do Brasil nesse tabuleiro — país periférico cujas elites dirigentes insistem em aplaudir o mesmo espetáculo que as condena à irrelevância estratégica. Quando o governo brasileiro se apressa em condenar as manobras russas, obedecendo ao script ditado por Washington, o que está fazendo, rigorosamente, é abrir mão da única ferramenta que poderia lhe conferir algum protagonismo: a independência diplomática. A submissão voluntária ao discurso atlantista não é mero erro tático; é a manifestação mais acabada daquilo que Florestan Fernandes chamava de contrarrevolução preventiva, o pacto das burguesias dependentes com os centros imperiais para asfixiar qualquer projeto autônomo de desenvolvimento. A cada nota de repúdio alinhada com o Conselho do Atlântico Norte, o Itamaraty confirma que não somos sujeito da história, mas objeto passivo que repete, como um autômato, as palavras de ordem que lhe foram insufladas.

A direita brasileira — e aqui não consigo deixar de sentir uma ponta de comiseração clínica — agita-se nesse debate com a sofreguidão de quem encontrou, enfim, um pretexto para exibir seu atlantismo de estimação. Discursam sobre a ameaça nuclear russa com a mesma retórica oca que utilizam para defender intervenção militar, redução da maioridade penal e outras brutalidades domésticas, sem perceber a contradição performativa que os constitui: clamam por paz mundial enquanto pedem sangue nos morros e nas periferias. É o caso típico de uma formação reativa coletiva, em que o horror à violência distante mascara o desejo inconfesso pela violência próxima. Que sigam se debatendo nessa teatralidade — a nós, que ainda acreditamos na emancipação humana como horizonte concreto, cabe insistir no trabalho paciente de desmontar as engrenagens ideológicas que transformam bombas atômicas em espetáculo e espetáculo em consentimento para a barbárie cotidiana.

    Maria Silva

    21/05/2026

    Tanta verborragia pra dizer que acha bonito a Rússia estacionar míssil na porta dos outros. Aqui na roça a gente sabe: quando a onça vem rondar o galinheiro, não fica discutindo psicanálise de bicho, pega a espingarda e resolve. Teu discurso é igual pombo envenenado, voa alto mas só suja o pasto.

    Dr. Thiago Menezes

    21/05/2026

    Seu texto substitui evidências por uma colagem de jargão psicanalítico e marxista: ‘retorno do recalcado geopolítico’ é metáfora, não dado. Consegue me mostrar um levantamento empírico que conecte as manchetes de hoje ao lucro trimestral da Lockheed Martin, ou só estamos trocando uma narrativa ideológica por outra?


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