Uma comissão de inquérito independente das Nações Unidas concluiu que Israel continua a alvejar e matar deliberadamente crianças palestinas, configurando atos de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade na Faixa de Gaza. As evidências, colhidas desde o início da ofensiva israelense em outubro de 2023, foram compiladas em um relatório divulgado pela Al Jazeera.
A Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental, foi estabelecida pelo Conselho de Direitos Humanos em maio de 2021 para investigar as causas profundas do conflito. O presidente da comissão, Srinivasan Muralidhar, foi enfático ao afirmar que as forças de segurança israelenses miram intencionalmente nos menores de idade, desrespeitando qualquer mecanismo de proteção internacional. “As evidências mostram que as crianças palestinas foram deliberadamente alvejadas e mortas”, declarou Muralidhar.
Os números expõem a gravidade da catástrofe humanitária. Cerca de 30 por cento de todas as pessoas mortas em Gaza desde o início da guerra são crianças. O relatório denuncia ainda que os ataques israelenses a centros de saúde materna e neonatal constituem uma tentativa direta de comprometer o futuro reprodutivo dos palestinos, resultando em um aumento alarmante de abortos espontâneos, defeitos congênitos e sequelas psicológicas irreversíveis.
Mesmo sob anúncios de cessar-fogo, a violência letal não cessou. De acordo com a UNICEF, mais de 50 mil crianças já foram mortas ou feridas desde o início da agressão militar israelense. A continuidade dos ataques ignora qualquer trégua e revela desprezo absoluto pelo direito à vida.
Além das execuções e do cerco que condena milhares à inanição, a investigação da ONU revelou um quadro brutal de detenções arbitrárias e tortura de menores em prisões israelenses, incluindo abusos sexuais sistemáticos. Dados da organização palestina Defence for Children International-Palestine (DCIP) apontam que mais da metade das crianças detidas por Israel está encarcerada sem qualquer acusação formal ou julgamento, em violação flagrante das convenções internacionais.
A estratégia de aniquilação não se limita a Gaza. Na Cisjordânia, forças israelenses destruíram deliberadamente orfanatos e instalações educacionais. Para os investigadores da ONU, ao atacar o cuidado e o desenvolvimento cognitivo, social e emocional das crianças, Israel busca aniquilar a própria coesão e a existência futura do povo palestino.
A conclusão atual ecoa um relatório anterior da mesma comissão que já apontava haver bases razoáveis para classificar as ações de Israel como genocídio. Na ocasião, os comissários afirmaram que Israel executou quatro das cinco condutas proibidas pela Convenção do Genocídio de 1948, incluindo o ato de impor medidas destinadas a impedir os nascimentos dentro do grupo. «Ao atacar as crianças, Israel está atacando a própria capacidade do povo palestino de existir e de determinar o seu futuro», sentenciou Muralidhar.
Com informações de Al Jazeera.


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